A opinião pública e o código do desmatamento

Sabe-se que a maioria dos brasileiros é contra as reformas do Código Florestal, tal como aprovadas pela Câmara dos Deputados e agora em exame no Senado. Só não se sabia a extensão dessa rejeição. Faltavam pesquisas. Mas acaba de ser divulgado levantamento do Datafolha, encomendado por entidades ambientalistas. Também foi reproduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo, e está em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110611/not_imp730947,0.php
O título da matéria é “Plantação em margem de rio é rejeitada por 95%”. Mais: “95% dos entrevistados não aceitam manter plantações e a pecuária existentes hoje em Áreas de Preservação Permanente (APPs)” – “77% das pessoas avaliam que o Senado deveria parar para ouvir os cientistas antes de votar a questão” – “79% dos entrevistados apóiam o eventual veto da presidente Dilma Rousseff, caso o Senado aprove a mesma proposta aceita pela Câmara” – “66% dos entrevistados defendem que sejam mantidas apenas as atividades agropecuárias que segurem o solo e não representem riscos de acidentes” .
Em uma sociedade verdadeiramente democrática, os políticos seguiriam a opinião pública. Aqui, não – a relação entre aprovação e reprovação das mudanças no Código Florestal, na sociedade e no Congresso, têm o formato de uma proporção inversa. O que a sociedade reprova, a Câmara dos Deputados aprovou – e vice-versa.
Precisava os jornais terem dado manchetona, destaque maior para esses resultados de pesquisa. Cientistas, majoritariamente contra as mudanças no Código Florestal, deveriam entrar em cena com mais vigor, através de entidades como a SBPC. Também mereceriam maior relevo os dados mostrando que no Brasil sobra terra degradada ou sub-aproveitada e que não precisa desmatar para plantar e criar. Presidenta deve vetar o que a Câmara produziu, e que, se sancionado, colocaria o Brasil em uma situação estranha, internacionalmente (iria contra convenções que assinamos). Mas, enquanto isso, toda pressão da opinião pública majoritária ainda será pouco, diante do poder que mostram ter desmatadores irresponsáveis, os que buscam o ganho mais fácil através da exploração imediatista desse patrimônio que é nosso, de todos.

3 responses to this post.

  1. É Verdade professor eles não estão nem aí pra opinião pública. O que importa são os interesses comerciais que estão em jogo, afinal, grande parte desses ruralistas investem milhões em campanhas eleitorais para terem a certeza de que não haverá resistência aos seus interesses, por maior que seja o clamor público.

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  2. Posted by Gabriel F. on 13/06/2011 at 11:32

    Qual o grau de envolvimento entre a Presidência(jamais se esquecendo do agraciado vice-presidente) e a “Bancada”(aproveitando a plurivocidade do termo) Ruralista?

    A resposta será dada pela extensão – ou mesmo intenção – do veto presidencial, a ser dado sob a égide do ex-presidente cuja imagem é capaz de conciliar ” realidades destintas” sem o menor requinte surrealista, posto que a maioria da população apoia intervenções deste no atual governo.

    Neste tabu-leiro verde muitas peças já foram devoradas, e ainda muitas aguardam em situação periclitante. Neste cenário hostil, prezo, assim como a maior parte da população brasileira, pelo cheque ao descomedimento que a expansão ruralista tem imposto ao patrimonio ambiental brasileiro a fim de refrear este “velho hábito” de nossa política provinciana.

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