PAÍS COM POUCOS LEITORES: A RESPONSABILIDADE DOS LIVREIROS

Trechos de diálogo pelo Facebook com a poeta Mah Luporini de São José dos Campos:

Mah: Não consigo achar seus livros em São José dos Campos, reclamei com uma vendedora dias atrás numa livraria

Eu: Livreiros – cada vez piores… é porque estão ganhando dinheiro – Caio Graco Prado já dizia que livreiro é alguém que não gosta de vender livros – infelizmente, isso voltou a ser verdade. E olha que L&PM, Civilização Brasileira e Iluminuras (meus editores) não são editoras alternativas, de fundo de quintal…

Estou ampliando divulgação por ter a impressão de que livrarias estão reincidindo, voltando a seus piores momentos. Isso, justamente quando demanda de livros cresce e negócio editorial recebe mais subvenções governamentais. Outra amiga me informou que espera há um mês a chegada de ‘Os dentes da memória’ que havia encomendado à Martins Fontes – Paulista. Amigo meu que mora em Curitiba, ano passado, foi comprar ‘Um obscuro encanto’: nas duas livrarias locais, FNAC e Saraiva, constava no catálogo, mas atendentes não conseguiam achar na livraria…. Histórias desse teor se multiplicam. Hora de reclamar. E ainda querem fixar preço – por cima, pelo valor mais elevado, evidentemente.

É evidente que nada supera a má qualidade do ensino, na produção de analfabetos funcionais e baixos índices de leitura de livros. Mas fica a sugestão: um fórum, todo mundo que se deparar com livreiro relapso ou do tipo desentendido e despreparado, que reclame, divulgue.

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13 responses to this post.

  1. Posted by rené char on 02/11/2011 at 17:41

    com esse texto seus livros nunca mais vão ser encontrados em livraria alguma!

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  2. aprovei só para reafirmar o que penso de pseudônimos. quando critico, mostro a cara – sigam meu exemplo.

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  3. Demora, paga caro mas no final acha. É ruim ter que esperar semanas e mais semanas por livro comprado online sem nem ter certeza se o mesmo vai chegar.
    Lembro que procurei um livro por anos e anos, ia à livrarias, sebos e nada, as vezes até constava em catalogo mas nada de achar, só consegui mesmo no Livratia Nacional e mesmo assim só pra ler lá, passei horas no lugar re lendo partes do livro mas ter que é bom só consegui com as facilidades da internet (a busca pelo tal livro foi ha muitos anos).

    O jeito é reclamar com os livreiros mesmo, um dia isso dá certo.

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  4. a propósito deste ‘post’ sobre livrarias, que rendeu 150 acessos a meu blog nas últimas 12 h, apoios e alguns desaforos: a) sei muito bem que livrarias não são a única peça defeituosa na ‘cadeia produtiva’ (como dizem em tecnocratês) do livro; b) também sei que gestão de livrarias é responsabilidade de quem a dirige; c) polemizar, pode, mas desde que não se esconda atrás de pseudônimos: pseudônimo = lixeira.

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  5. Sim, Claudio concordo plenamente, reclame e mostre a cara, não se escondam por pseudônimos ou ainda pior, como anônimos. Vamos continuar reclamando. Como disse, já reclamei com a atendente( uma simples funcionária) que já levou ao gerente, e fiz minha reclamação. Voltarei lá em breve e talvez nem consiga achar o livro que procuro e quero ler, mas não me calarei a tal fato.

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  6. Comentários como o seu enriquecem o debate

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  7. Reintroduzo o bom comentário do Daniel Rodrigues, também postado no Facebook. É que houve bombardeio de mensagens de algum maluco de múltiplos pseudônimos e muita bobagem adizer, e ao mandar tudo para a lixeira, o devido lugar, também deletei sem querer a msg do Daniel.
    Caro Claudio, gostaria de balizar um ponto, apesar do seu esclarecimento. Quando trabalhei com livros, não era nem o atendente nem tampouco o dono da livraria: era uma espécie de representante ‘free lance’ de algumas editoras pequenas porém com títulos de boa qualidade, sem ter uma distribuidora formalizada. Um tanto quixotescamente, perambulava em feiras, eventos, livrarias e distribuidoras, no estilo antigo. Claro, não tinha estrutura, era uma coisa bem diletante e limitada, mas ainda assim levei a sério. Sempre tomava como um desafio seríssimo encontrar um livro, quando solicitado pelo leitor, se este ainda existisse no mercado… Isso sim era gostoso, trabalhar com amor pelos livros, ter respeito pelo leitor e ser respeitado por ele! Ah, mas quem hoje em dia trabalha assim? …Não ganhei muito dinheiro não, como era previsível, mas ainda assim valeu a pena, e aprendi muitas coisas relevantes para minha vida.
    Quando tentei arrumar trabalho numa grande livraria, a xxxx, não deram muito valor à minha experiência concreta com o mundo dos livros – que enfim, adveio da prática mesmo, não fiz curso de nada-, e acabaram preferindo para a vaga uma moça bonitinha, formada em jornalismo, pelo que fiquei sabendo…
    Agora, muitos vendedores de livrarias formais – pelo que vi- não conhecem nada de livros – só os clichês-, e apenas querem saber de dinheiro mesmo, enfim é um trabalho como outro qualquer; e os donos de livrarias, assim como muitos editores, colocam nas prateleiras qualquer coisa, independente da qualidade – é o mercado.
    Agora, este público que tem condições de encomendar livros , e que sofre com a inépcia de maus vendedores de livros em livrarias por aí, decerto já é leitor, e continuará sendo, de um jeito ou de outro.
    Acho que o problema maior está na educação mesmo, assim como nos preços salgados da forma-livro (apesar da existência de coleções relativamente baratas e de boa qualidade, como aqueles pockets da L&PM). Cordialmente, Daniel =)

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  8. Posted by Máh Luporini on 04/11/2011 at 15:27

    Belo comentário do Daniel R. Placido, livro no Brasil é caro, somente uma minoria que tem acesso a tais.o maior problema como você abordou e o Daniel idem, é o problema da educação. Livro, Cultura não dá voto. Tempos atrás entrei num determinado sebo em SJCampos e me deparei com uma caixa com livros didáticos e de bibliotecas sendo doados, cheguei a dona do estabelecimento e perguntei qual o motivo da doação ao que a mesma me respondeu, “não tem procura, não vende…”
    Já peguei “Grande Sertão: Veredas” nesta tal caixa. enfim, quem tem amor pelos livros se empenha realmente em procurar o que o cliente deseja, agora tem aqueles que trabalham numa livraria ou algo similar por uma busca de um trabalho, necessidade. Não é um leitor e nem tem a conexão com livros.
    Agora, calados não devemos ficar.
    Não tenho nenhum diploma universitário, mas aprendi a ter um amor pelos livros, sou uma “devoradora” de sebos, faço três, quatro refeições diárias com eles.

    Abraços, amigo

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