BELO MONTE, CÓDIGO FLORESTAL, DESMATAMENTO

Há essa movimentação na blogosfera, que repercute no Facebook, com manifestações contrárias à usina hidroelétrica de Belo Monte no Rio Xingu, e outras a favor, mostrando erros nas críticas.

Amostras em http://www.youtube.com/watch?v=clorZYNka4s&feature=youtu.be . Debate encarniçado. A revista Veja desta semana as cotejou, concluindo pela necessidade da construção da usina. Aparentemente, encerra o assunto. Mas não para mim. Antes de sair essa matéria, já pretendia expor as razões que me levaram a subscrever a “cause”, o abaixo-assinado pedindo sua interrupção.

Não foram examinadas as conseqüências da instalação de várias dezenas de milhares de pessoas na região de Altamira, por causa das obras da usina. A primeira vez que fui a Belém do Pará, do avião via-se, desde o então Norte de Goiás, aquela impressionante extensão de mata. Hoje, ao longo do baixo Tocantins, não há mais nada. Tudo devastado. Assim poderá ficar o baixo Xingu.

É apresentada uma estatística falaciosa: sem a energia gerada pela usina, o Brasil não poderá crescer 5% ao ano na próxima década. Em primeiro lugar, como Belo Monte não estará pronta no ano que vem, ou num futuro muito próximo, o Brasil crescerá, sim, 5% ao ano sem a usina, por um bom tempo.

Além disso, o desenvolvimento econômico não implica demanda de energia na mesma proporção. 5% de crescimento não correspondem necessariamente a 5% a mais de consumo. Dou um exemplo: minha geladeira resfria mais e consome menos eletricidade, comparada àquela que eu tinha há um quarto de século. Igualmente, os demais eletrodomésticos e eletroeletrônicos, e outros equipamentos, inclusive industriais. Desenvolvimento tecnológico traz melhor aproveitamento de energia. Principalmente, se passar a valer como meta: por exemplo, nos programas de iluminação pública, sempre prometidos e nunca implantados, com lâmpadas mais fortes que consomem menos. E na construção civil (prédios ecológicos…? na Dinamarca tem – aqui, insistimos nos monstros envidraçados que demandam toda essa climatização).

A propósito de desperdício e das informações deixadas de lado nesta etapa do debate: boas fontes alertam que no Brasil há uma perda de 40% entre a fonte geradora de eletricidade e o consumo. É possível reduzir essa proporção? Claro que sim. Mas governantes preferem as grandes obras, os altos negócios com empreiteiras e fornecedores, em detrimento de projetos menos espetaculares, menos permeáveis às negociatas.

E as fontes alternativas de energia? A melhor parece ser o vento, a energia eólica (embora o aproveitamento das marés venha mostrando resultados). Custa o dobro, informa a revista Veja. Por quê? Por uma questão de escala. É pouco utilizada; por isso é cara. Ora, se investissem para cobrir uma demanda como aquela a ser atendida por Belo Monte, então a escala cresceria e o custo baixaria… Energia eólica é instável, pois não venta sempre igual no mesmo lugar? Instalem em bastante lugares diferentes –teria mais lógica do que puxar fios de Altamira até aqui.

Ainda sobre o custo de outras fontes, comparado à geração hidrelétrica: é que, nessa modalidade de projeto, ninguém lança o custo ambiental. Isso, além, evidentemente, do preço final da obra acabar mostrando-se maior do que aquele inicialmente orçado. Há, ainda, o fator tempo: suponhamos que Belo Monte se torne operacional daqui a 5 anos: instalações do tipo alternativo já poderiam, enquanto isso, cobrir a eventual demanda.

Hidrelétrica por hidrelétrica, as que nunca deveriam ter sido implantadas são Balbina e Tucuruí. Há piores: as pequenas usinas construídas em Mato Grosso do Sul, ao arrepio da fiscalização, que atendem demandas irrisórias mas estão alterando o regime dos rios que banham o Pantanal, afetando a vida aquática e o ecossistema.

Contudo, Belo Monte ser menos prejudicial não justifica a persistência no erro. Aliás, alguém, nesse debate, fala em “desenvolvimento da Amazônia”, e em usinas para produção de chapas de alumínio. Mas essa não havia sido a justificativa para a construção de Tucuruí…?

Tudo isso me soa como se viesse de muito longe – de 1950, por aí. É hora de mudar paradigmas.

 

Sobre o código florestal: dos 40% do território brasileiro que não são reserva ou área preservada, algo entre 20 e 30% serve ao plantio. E 40% são pastagens de baixa produtividade, com uma cabeça de gado por hectare. É mentira que preservação provocará falta de comida. Outra mentira: que nossa preservação paga a conta da devastação européia e norte-americana. Os países desenvolvidos vêm, de um século para cá, repondo biomas. Devastação, ocupação predatória, é aqui mesmo – e em proporções mais sérias do que na maioria dos demais países latino-americanos. A propósito, a estatística de 60% de mata preservada é enganadora. Engloba os 9% que sobraram de Mata Atlântica, junto com os 80% de Amazônia que teriam, obrigatoriamente, que ser preservados.

Viagem pelo Brasil. De avião ou de automóvel. É só olhar pela janela. Nas regiões produtoras, quanta lavoura imensa sem sombra dos 20% de reserva obrigatória. Nas pastagens, quantos trechos de rios sem um centímetro de mata ciliar. No Vale do Paraíba, as perpétuas encostas escalavradas de morros – claro que, a cada chuva, com novas erosões.

Desmatadores às vezes são identificados e multados. Não há, porém, instrumentos para a cobrança efetiva das multas. Nada acontece– exceto o clamor dessa gente por anistia. Também os extratores clandestinos de madeira e os contrabandistas de animais silvestres são pegos, vez por outra – e logo em seguida soltos, para continuarem sua atividade. Somos o país dos grileiros. Tanto faz essa ou aquela medida de área de preservação legal, de proteção de margens de rios etc, sem os meios para implementá-las. Tudo continuará como está. Catástrofes climáticas agradecerão – mais ainda, os que se beneficiam com elas.

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4 responses to this post.

  1. Posted by Raudi Faro on 07/12/2011 at 19:39

    MINHA OPINIÃO
    Se a alternativa forem usinas nucleares, sou a favor de Belo Monte. As pessoas estão acostumadas aos “modismos”. Eu gostaria de saber se 99% das pessoas que são contra Belo Monte, sabem dar alguma alternativa de geração de energia, mais limpa, para a região. O Brasil para crescer, precisa gerar energia elétrica. Na gestão do Lula (que eu não gosto) crucificaram alguns por conta da falta de planejamento da gestão hídrica e de geração de energia. Muitos dos que abraçaram a causa “contra” Belo Monte apenas comparam o xingu com o filme AVATAR. PENSEM. Muitos países estão de olho na Amazônia e já existem movimentos para reconhecer as nações indígenas como NAÇÕES DE DIREITO…Isso feito, é só um passo para a autonomia de direitos e até a emancipação territorial. Os EUA já estão esgotando os seus recursos naturais e há muito estão de olho na Amazônia. Pensem se não é ESSE o interesse…interesse de que lá não existam investimentos pesados do Estado Brasileiro, que podem prejudicar ou inviabilizar essa emancipação…EU APÓIO QUE TODOS ABRACEM BOAS CAUSAS…ISSO MOSTRA CIDADANIA, MAS PENSEM POR SUAS CABEÇAS…PERGUNTEM e PESQUISEM…Não é só porque caras conhecidas fazem campanha, que esta seja legítima. As hidrelétricas também poluem SIM. O gás carbônico libertado pela decomposição da flora coberta pela reserva hídrica é libertado na atmosfera e é enorme. Mas você sabe qual a poluição gerada por uma Usina a carvão? Sabe qual a poluição gerada por uma usina NUCLEAR??? No caso da usina nuclear a poluição pode ser ZERO, mas também pode ser Chernobil, Fukushima…A radiação gerada por uma acidente, pode matar tudo em questão de dias e o local fica inabitável por mais de 600 anos. A atriz Letícia Sabatela, que tem toda a minha simpatia enquanto atriz, sabe fazer movimento pelo contra. É fácil ser contra. É só agitar a bandeira do não. Ela também é imagem contra a Transposição do Rio São Francisco. Eu lhe pergunto…Você já conheceu o interior seco do nordeste e viu gente morrendo de sede e de fome em um solo semi-desértico? NÃO? EU VI. E por isso eu apoio a Transposição do Rio São Francisco assim como apoio a construção de Belo Monte. PROPONHO O SEGUINTE: NÃO CONSTRUÍMOS BELO MONTE, MAS DECRETAMOS A PROÍBIÇÃO ABSOLUTA DE TODA A VISITA, SEJA ELA MISSIONÁRIA, DE AJUDA, DE PESQUISA A TODA E QUALQUER PESSOA, BRASILEIRO O ESTRANGEIRO. Somente índios e uns poucos autorizados pelo governo BRASILEIRO. O EXERCITO E A AERONÁUTICA FISCALIZAM. AVIÕES SOBREVOANDO SEM AUTORIZAÇÃO SÃO ABATIDOS SUMARIAMENTE E PESSOAS NÃO AUTORIZADAS SÃO PRESAS SEM FIANÇA. Garanto que com essa proposta, os interesses internacionais passam a APOIAR Belo Monte. Para quem teve paciência e leu isso tudo dou dois motivos para pesquisa: NIÓBIO NA AMAZONIA e Plantas em Livros Contrabandeados na Amazonia. Procure no google.

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  2. Acho que indiquei alternativas. O mais importante seria, não produzir mais, porém desperdiçar menos.

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  3. Posted by Delma Gomes da Silva on 26/12/2011 at 16:51

    Em relação aos indiozinhos que lá vivem, sem que fossem consultados, eu mesma vi e foi divulgado que, entre os índios Assurini, no Parque do Rio Xingu, próximo a Altamira, eles foram aliciados como traficantes de animais silvestres , entre outros, estão com mais dezenas de aldeias sendo despojados de sua área ambiental … Além do quê, Altamira será palco de violência com a invasão de trabalhadores da Usina Belo Monte . Delma .

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