Ensino superior privado: sempre é possível piorar

Deu na Folha de hoje, 21/12, e está no UOL: “Rede de ensino Anhanguera demite 680 professores em SP”.

Transcrevo trechos: “A Anhanguera Educacional, maior rede de ensino superior do país, demitiu neste final de ano cerca de 680 professores de três instituições adquiridas recentemente em São Paulo e na região do ABC. Somente na Uniban da capital, foram cortados por volta de 400 docentes, o que representa metade do quadro.” E mais: “Nas escolas circula a informação que a Anhanguera contratará docentes para suprir parcialmente o corte, mas com titulação menor e com hora-aula mais baixa.”

O escândalo: “Segundo professores, um mestre da Uniban ganha R$ 38 por hora. A Anhanguera pagará R$ 26 aos novatos. […] Outra mudança para 2012 é que os mestres e doutores que permanecerem terão de reduzir suas cargas de trabalho, diminuindo os salários. Legalmente, as universidades precisam ter ao menos 1/3 de professores com mestrado ou doutorado. Mas há o entendimento de que a porcentagem diz respeito ao número de docentes, não à quantidade de aulas dadas. […] Mesmo antes dos cortes, a Uniban já enfrentava problemas de qualidade de ensino. Na última avaliação federal, a escola teve nota 2 (numa escala de 1 a 5) e foi considerada reprovada pelo governo.”

Há, portanto, dois mundos paralelos: aquele das universidades públicas, nas quais é exigido o título de doutor para prestar concurso; e o de algumas corporações privadas – há outras de qualidade, porém minoritárias – nas quais a titulação é caminho para a porta da rua. E com esses salários. R$ 26,00 a hora-aula – menos do que é oferecido por boas escolas particulares no fundamental.

Universidades têm como função (e obrigação) a transmissão e a produção do conhecimento; ensino e pesquisa. Imaginem a produtividade dessa rede Anhanguera. A qualidade dos acervos de suas bibliotecas; seus laboratórios. Sua contribuição à proliferação de incompetentes e analfabetos funcionais.

Abriram a porteira para o ensino superior privado por volta de 1970, durante o regime militar. Implantaram um modelo, massificado, regido pelo pior mercantilismo e pelo mais baixo populismo, que atravessou sucessivos governos e prospera incólume, diante de autoridades inermes, qualquer que seja sua filiação política ou matriz ideológica.

Pela gravidade, penso que o debate a respeito, por ora restrito à esfera sindical, é tímido. O tema merece e requer mobilização da sociedade. Pressão sobre esses aproveitadores da leniência de autoridades educacionais.

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2 responses to this post.

  1. sim, ótimo titulo e verdadeiro

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  2. Posted by Máh Luporini on 23/12/2011 at 14:31

    Amigo Claudio,

    Lástima saber de tal fato, como resolver tal situação, bem se é que tem como se resolver. Professores hoje, tirando raras excessões não sabem escrever direito, bem dito analfabetos funcionais. Pena que só uma pequena parte da população se mobilize.

    Responder

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