Tsunami Books, Piva e eu

Henrik Aeshna [henrikaeshna@ymail.com] me envia publicação na Tsunami bOOKS Paris (e de vários lugares deste cosmo, evidentemente), com este título sugestivo, abrindo para traduções e comentários:

ROBERTO PIVA & CLAUDIO WILLER: UNITED IN DISORDER – SURREALIST BEAT POETRY IN BRAZIL

ou em http://www.henrikaeshna.com/apps/blog/tag/claudio-willer

Anuncia que haverá mais.

Programa de Aeshna / Tsunami é riquíssimo:

cataclysms, cats, trips, visions, intravenous visual deliriums, spontaneous and visceral tantrik lyricism, dangerous art & lifestyle, molotov cocktails & lullabies, SchizoPoP Manifesto, Shamanoise Poetry, amour fou, absinthe & everything you’ll never learn in school – A Tribute to the emptines & boredom of my generation, turned to stone by countless brands of Medusa

Estou em boa companhia.

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4 responses to this post.

  1. desajustados iluminados que somos, sempre estaremos em boa companhia enquanto andarmos com as màs companhias, bebendo no gargalo da mesma garrafa genital transbordando de baco & nitroglicerina, seiva & saliva floral, tal qual um cocktail molotov pronto para ser arremessado contra as vidraças do Tédio liberando assim a sinfonia-vagido de suas camisas-de-força burguesas, pois é assim que brindamos, com tal gesto, logo que nos reconhecemos, como dois-três-quatro estranhos numa estaçao qualquer do infinito ordinàrio, yorubàs inconsequentes com sotaque cockney-tupinambà que nos tomam como reféns, pois eles carregam consigo ‘les clés des situations’, a maravilhosa conexao alquimica interligando todos os desejos à esfera do Impossivel, copulando poesia & vida, de maneira perigosa & totêmica, a chave daquele ‘amour fou’ do qual nenhum poeta saiu ileso, daquele sonho louco & febril que nao deverà jamais sair de seu elétrico esplendor ( como um lagarto em sua crisàlida onirica ) para tornar-se significado & explicaçao ou abominaçao partidària, pois ele jà é a propria Realidade, ou melhor, a sua apoteose…. sigamos esses ‘loucos’ por onde quer que eles nos levem, & que eles nos seqüestrem para sempre de todas as nossas moradas-catacumbas burguesas, pois au-délà de nossos futuros pré-fabricados, com sua propaganda sadomaso l’oreal dantesca, hà um santuàrio elétrico paralelo borbulhando de outros significados, onde adolescentes embriagados & lucidos se esfregam em cima dos tapetes de calendàrios mortos, cometendo todos os adultérios, pecados tao horriveis & inimaginàveis que acabam revelando-se virtudes, anjos-bomba em palàcios de cristal, onde um velho sàbio de olhar sereno atravessa o sonho assobiando the Song of the Open Road – seus olhos me traziam hortênsias de longinquos jardins – & velhas lavadeiras lamuriam à beira do rio, Seine-Mississippi-Guaiba-Nilo-Amazonas, uma ilha flutuante talvez, uma zona sim, clandestina sempre, oculta, plantada bem no meio daquilo que foi arbitrària & criminosamente instituido como Ordem, onde os unicos panfletos nao sao nada mais que folhas de outono espalhadas no Parque Monceau, ou os destroços do ultimo poema rasgado caindo no meio da avenida central como chuva de confetti….

    *

    C Willer, acabo de jorrar essas palavras como uma espécie de exorcismo apos a leitura da sua série dedicada a Robert Desnos – você sabe realmente fazer uma obra Vibrar, se iluminar – e com uma classe tremenda! O que mostra que todo o terreno està preparado & fértil para uma poderosa ediçao, que espero que vocês façam aparecer em breve, – esse é o momento! — A obra do Sarane Alexandrian com a qual você dialoga é também fascinante, mas claro, o mérito de revelar o brilho apaixonante da obra do Desnos é todo seu, como bem enfatizo mais acima; tenho até aqui um curioso ensaio da Anne-Marie Amiot, entitulado “Robert Desnos, poète de la tradition”, Mélusine ( cahiers du centre de recherche sur le surréalisme ), N° XVI – cultures – contre-cultures’, 1997, & escrito à luz dos arcanos maiores do tarot…. Interessante o fato de que a ultima vez que o Desnos desabou na minha vida foi durante o meu aniversàrio no Mediterrâneo, quando uma jovem cantora de opera que acabara de conhecer começou a recità-lo junto com outra amiga atriz & cantora enquanto rasgàvamos a terceira garrafa de vinho tinto & dançàvamos feito loucos na cozinha do apartamento…. ( obs pessoal: jamais conheci uma cantora de opera que nao fosse louca, muito menos um pianista de musica clàssica ou jazz que nao tenha colocado fogo na casa ao menos duas, três vezes na vida!! )

    Vive les high-chats des chateaux….

    Em breve, mais Willer & mais Piva em outras linguas, se bem que vcs deveriam soar melhor em Tupi ou nas linguas em brasa daqueles possessos que entoam furiosas glossolalias às três da manhâ em meio a uma cachoeira de pianos quebrados, uivos luxuriosos de lobos no cio & queixas de vizinhos incapazes de dormir!!!!

    afeto

    hnrk
    paris paralèlle
    year of the dragon

    Responder

    • Henrik, este seu comentário está tão bom que eu vou copiá-lo e reproduzi-lo como post; ou seja, vai para a página principal. abraço,

      Responder

      • caro Claudio,
        fico emocionado pelo feedback, & pela transcriçao do meu post como propria continuaçao-repercussao de seus textos sobre o R Desnos, porém mais extasiado ainda pela paixao com a qual você(s) se empenha(m) por trazer à tona & revelar todos esses arcanos & tesouros do surrealismo & tantos outros, enfim…, puro rizoma….

        abraços
        até breve

        hnrk

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