Ainda o código florestal

A presidenta Dilma vetará, espera-se, vários artigos do que a Câmara aprovou. Sairão anistia a desmatadores e redução de proteção em margens de rios.

A mobilização em favor do veto é positiva. Dos tópicos que reproduzi em postagem anterior, merece especial interesse a lista dos deputados e seus votos: que sejam indigitados, permanentemente lembrados. Talvez venham a entender que não podem votar desse jeito, desrespeitando a opinião pública e, principalmente, os interesses da nação.

Espantosos os argumentos em favor da versão do Código aprovada na Câmara: em um fórum de debates, um líder ruralista afirmou que flexibilidade da legislação ambiental permitia que houvesse comida barata no Brasil. Cara de pau. Em primeiro lugar, comida no Brasil é cara. Preços atuais equivalem aos de países europeus e dos Estados Unidos. E a devastação gera um custo, uma conta que todos nós pagamos – inclusive pela redução de colheitas, encarecendo produtos. Querem baratear comida? Então, promovam a redução de desperdícios – aqui, por exemplo, 40% do volume de grãos se perde entre a colheita e o destino final.

Acabamos, porém, mesmo com essa mobilização toda, nos contentando com o menos ruim, menos desastroso. A presidenta deveria vetar tudo e reabrir o debate. Convém reler pareceres de especialistas, ainda relativos ao que havia sido aprovado no Senado, expostos em http://www.ecodebate.com.br/2012/02/29/codigo-florestal-projeto-reduz-protecao-ao-meio-ambiente-dizem-pesquisadores/. Em especial, a questão da proteção aos mangues e áreas alagadas. Proteção à vida marinha em geral deveria ser ampliada. Décadas atrás, comer lagosta no Recife ou em Fortaleza era lanche, mesmo preço de carne – hoje, não tem mais – e logo acabarão com o beijupirá e os outros bons peixes regionais.

Política de geração de energia também é anacrônica. Hipócrita, a propaganda das construtoras de usinas veiculada na televisão. Programa de redução do desperdício, somado a algum investimento em fontes renováveis, bastaria.

Enfim, falta muito para que viajar pelo Brasil deixe de ser deprimente para quem viu como era. Norte de Mato Grosso, Norte de Goiás, Sul do Pará – antes, voar até Belém era apreciar aquela extensão verde, hoje não tem mais nada, tudo foi derrubado. Esse não é o preço do progresso, porém da irresponsabilidade. Herança do regime militar, que os governos civis não souberam ou não quiseram reverter.

Voltarei ao assunto.

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One response to this post.

  1. O Brasil, como detentor da maior riqueza em diversidade biológica, deveria se tornar o líder mundial na conjunção da natureza saudável com sustentabilidade. Depois que o mundo todo errou destruindo seu ambiente natural, o país ainda não fez nada para dar exemplo contrário. Hoje em dia é a pequena Costa Rica quem dá o melhor exemplo. É só colocar a cabeça pra fora da janela e constatar: o Brasil tem vocação florestal, acima de qualquer coisa! Se aqui plantando, tudo dá, na floresta nem precisa plantar- as aves e os morcegos fazem isso e não cobram. Saudade do tempo- já terrível- em que se matava passarinho com estilingue… Agora a morte vem de motosserras, fogo, tratores e correntes. Tiro no pé. Ah se pudéssemos ter um ambientalista competente como ditador por apenas 1 ou 2 dias…

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