Censura no Facebook: um depoimento

Reproduzo a mensagem postada por Célia Musilli, que fala por si só. Jornalista, cronista e poeta, Célia, de Londrina, PR, é autora de Sensível Desafio (Atrito Art/2006) e Todas as Mulheres em Mim (AtritoAr/Kan Editora 2010); faz Mestrado em Literatura na Unicamp. O estranho é que imagens censuradas da página de Célia, que acarretaram infames bloqueios pelo Facebook, estão, intocadas, na minha página e naquelas de outros usuários da mesma rede. Há, portanto, perseguição idiossincrática por energúmenos que sistematicamente a denunciam. Essa cultura da debilidade mental precisa acabar. Protestos têm que prosseguir. Repito: a veiculação de imagens no Facebook deve ser regida exclusivamente pela legislação brasileira, na qual não há mais restrições à nudez.

Censura na Idade Mídia

Não volto igual destes bloqueios no Facebook. Fico triste e pessimista quando cerceiam meu direito à livre expressão. Sei que tem gente com “jogo de cintura”, que ri das situações e , quando é liberada, dá a volta por cima. Eu não consigo. Sinto-me constrangida em continuar aqui porque discordo de regras que considero absurdas como a censura a exercícios criativos, que é o que fazemos quando damos a indicação do nosso gosto ou sensibilidade em relação… ao trabalho de um artista.

Publiquei de Botticelli a Flor Garduño, de Magritte a David Hamilton. Também escolhi a dedo textos de Baudelaire, Rimbaud, Maiakóvski, Hilda Hilst, Roberto Piva,Claudio Willer e de autores desconhecidos que me seduzem com…palavras, além de me deixar seduzir pelo meu próprio texto. Não entendo a vida senão como ato criativo que geralmente transborda da bacia da censura. A proibição sempre trafega na contramão da arte.

Não vou repetir argumentos em favor da liberdade porque repetir a quem já os compreende é desnecessário e a quem não os compreende , inútil. Não estou a fim de convencer ninguém e todos já sabem que me julgo no direito de decidir sobre minhas postagens porque não me sinto uma inquilina da rede social como tantos outros que repetem regras como papagaios ensinados.

O FB não existe sozinho, nós lhe damos forma e conteúdo, então, estas atitudes grosseiras de proibir e arrancar publicações na marra – em nome de um falso moralismo que não distingue arte de pornografia – me lembra a Idade Média na Idade Mídia.

As redes sociais hoje são importantes para quem divulga seu trabalho, por isso ando procurando alternativas e já as vislumbrei. Brevemente espero migrar para uma rede menos macartista e encontrar por lá muitos de vocês. Aqui reuni mais de 2 mil contatos, fiz amigos que passaram do plano virtual para a realidade de carne, osso e rosto…Certamente não vou conseguir reunir todos novamente, as coisas mudam, novas constelações aparecem, mas o importante quando a gente passa é deixar um rastro luminoso, nem que seja por pura teimosia. Assim, escolhi para este post a tela de Marx Ernest chamada “Le Jardin de La France”, na qual o artista revisita um tema clássico: o (re)nascimento de Vênus. Trata-se de um golpe de beleza sobre a mediocridade dos censores.

Grata pela solidariedade de tantos que o Facebook tratou de apagar do meu mural. Senhores, a areia sempre escapa pelo vão dos dedos!

Acrescento o comentário de Célia Musili a esta minha postagem:

Claudio Willer,  deixei uma mensagem no seu blog que reproduzo aqui: “Gratíssima pela atenção e generosidade de publicar meu texto. Estar no facebook vale por conhecer pessoas assim como vc, lamento, no entanto, os episódios de censura pel…os quais todos temos passado numa reedição de práticas que pensávamos ser coisa do passado. Fui alertada por amigos que meu último bloqueio partiu talvez de uma denúncia, porque da série de imagens que publiquei, todas da mexicana Flor Garduño, só uma foi deletada, um sinal de que pode ter havido denúncia direcionada. Assim, temos entre nós pessoas que concordam com as regras do Face que, por sua vez, estimula a prática hedionda da delação. Fico sempre no impasse entre ficar e brigar ou sair de um ambiente que nos trata deste modo. Com a possibilidade de delação cresce meu desejo de provocar ainda mais a ira dos moralistas. Grata pela sua amizade e apoio.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: