Things I’ll Not Do (Nostalgias) – Allen Ginsberg

Último poema de Ginsberg, uma despedida – como é nostálgico! Por enquanto em inglês, vou traduzir assim que tiver um pouquinho de tempo (ou algum dos colegas tradutores anima-se?). Ah, sim, se alguém achar on line o belíssimo poema de Ferlinghetti sobre Ginsberg, in memoriam, avise-me, esse eu também traduzo.

Quem me alertou para este estar on line foi um pesquisador, Guilherme Ziggi. Aí vai:

Things I’ll Not Do (Nostalgias) – Allen Ginsberg

 
Delivering something actually good for a change:Things I’ll Not Do (Nostalgias) 

Never go to Bulgaria, had a booklet & invitation
Same Albania, invited last year, privately by Lottery scammers or
recovering alcoholics,
Or enlightened poets of the antique land of Hades Gates
Nor visit Lhasa live in Hilton or Ngawang Gelek’s household & weary
ascend Potala
Nor ever return to Kashi “oldest continuously habited city in the world”
bathe in Ganges & sit again at Manikarnika ghat with Peter,
visit Lord Jagganath again in Puri, never back to Bibhum take
notes tales of Khaki B Baba
Or hear music festivals in Madras with Philip
Or enter to have Chai with older Sunil & Young coffeeshop poets,
Tie my head on a block in the Chinatown opium den, pass by Moslem
Hotel, its rooftop Tinsmith Street Choudui Chowh Nimtallah
Burning ground nor smoke ganja on the Hooghly
Nor the alleyways of Achmed’s Fez, nevermore drink mint tea at Soco
Chico, visit Paul B. in Tangiers
Or see the Sphinx in Desert at Sunrise or sunset, morn & dusk in the
desert
Ancient sollapsed Beirut, sad bombed Babylon & Ur of old, Syria’s
grim mysteries all Araby & Saudi Deserts, Yemen’s sprightly
folk,
Old opium tribal Afghanistan, Tibet – Templed Beluchistan
See Shangha again, nor cares of Dunhuang
Nor climb E. 12th Street’s stairway 3 flights again,
Nor go to literary Argentina, accompany Glass to Sao Paolo & live a
month in a flat Rio’s beaches and favella boys, Bahia’s great
Carnival
Nor more daydream of Bali, too far Adelaide’s festival to get new scent
sticks
Not see the new slums of Jakarta, mysterious Borneo forests & painted
men and women
Nor mor Sunset Boulevard, Melrose Avenue, Oz on Ocean Way
Old cousin Danny Leegant, memories of Aunt Edith in Santa Monica
No mor sweet summers with lovers, teaching Blake at naropa,
Mind Writing Slogans, new modern American Poetics, Williams
Kerouac Reznikoff Rakosi Corso Creely Orlovsky
Any visits to B’nai Israel graves of Buda, Aunt Rose, Harry Meltzer and
Aunt Clara, Father Louis
Not myself except in an urn of ashes

March 30, 1997, A.M.

Allen Ginsberg

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8 responses to this post.

  1. Lindo poema! 15 anos….
    e o Ginsberg tinha alguns “caprichos” poéticos interessantissimos, ou seja, isso de tudo registrar, cada gota de suor, de sonho, de perda, cada transição, cada cabelo branco, todo o estàgio de ser/estar vivo, enfim, toda essa travessia…
    eu tinha o poema do Ferlinghetti sobre o Ginsberg numa ediçao bilingüe (Le Poète Aveugle) que perdi numa de minhas mudanças, junto com minha valise & laptop…

    bons fluidos para a tradução,
    estimula a gurizada pra “trabalharr”, caro Willerovski

    abraços afetuosos

    Lord Aeshna cadavre exquiszophrène

    Resposta

  2. obs: quase que vcs dois se encontraram no brasil….

    Resposta

  3. Posted by Ruth on 02/07/2012 at 12:10

    Beautiful and sad…
    Minha filha Luiza me contou, ontem, que foi assistir ao Philip Glass em San Francisco, e que ele “tocou um poema” de Guinsberg que a fez chorar.

    Resposta

  4. Posted by Renato Valério Rezende on 15/08/2012 at 12:25

    Caro Cláudio,
    Aproveitando o elo comum com o Guilherme Ziggy, acabei chegando aqui no seu blog. Atendendo ao seu convite/sugestão, animei-me e cometi a ousadia de traduzir o poema do Ginsberg. Não verifiquei se há outras traduções pela rede, apenas segui o ímpeto.
    Há algumas alterações feitas em relação à sua postagem, você notará, porque usei o manuscrito que encontrei em http://www.allenginsberg.org. Exemplo: Em vez de Hades Gates, usei Hades Necromanteion; noutro lugar, no original de Ginsberg, está escrito “caves of Dunhuang”, que, anteriormente, havia sido transcrito como “cares”. Mas é isso, aí está. Espero que esteja a contento.
    Saudações poéticas.
    Renato Valério Rezende

    Coisas que eu não farei (Nostalgias)
    Allen Ginsberg

    Dando à luz algo realmente bom pra variar: Coisas que não farei (Nostalgias)

    Nunca irei à Bulgária, tinha uma brochura & convite
    O mesmo pra Albânia, convidado ano passado, em particular por golpistas da Loteria ou alcoólatras em recuperação,
    ou poetas iluminados da antiga terra de Hades Necromanteion
    Nem visitarei Lhasa morarei no Hilton ou no lar de Ngawang Gelek & cansado escalarei
    Potala
    Nem jamais retornarei a Kashi “a mais antiga cidade continuamente habitada do mundo”
    me banharei no Ganges & sentarei novamente nos degraus de Manikarnika com Peter,
    visitarei Lorde Jagganath novamente em Puri, nunca voltarei para Bibhum, farei anotações, fábulas de Khaki Baba
    ou ouvirei festivais de música em Madras com Philip
    Ou entrarei para tomar Chai com o velho Sunil & Jovens poetas de cafés,
    Amarrarei minha cabeça em um bloco num antro de ópio de Chinatown, passarei pelo Hotel Moslem, sua cobertura Rua Tinsmith Choudui Chowh Nimtallah Chão em chamas nem fumarei ganja no Hooghly
    Nem os becos de Achmed’s Fez, nunca mais tomarei chá de menta no Soco Chico, visitarei Paul B. em Tanger
    Ou verei a Esfinge no deserto ao Nascer do Sol ou Poente, manhã e crepúsculo no deserto
    Antiga Beirute em escombros, triste e bombardeada Babilônia & Ur, Os mistérios sombrios da Síria todos os Desertos Árabes & Sauditas, o povo animado do Iêmen,
    O velho Afeganistão do ópio tribal, Baluquistão dos templos Tibetanos
    Verei Xangai novamente, nem as cavernas de Dunhuang
    Nem subirei os 3 lances da escadaria da Rua 12 Leste
    Nem irei à literária Argentina, acompanharei Glass a São Paulo & morarei um mês em um apartamento As praias do Rio e os meninos da favela, O extraordinário Carnaval da Bahia
    Nem devaneios de Bali, longínquo festival de Adelaide para conseguir novas batutas
    Nem verei as novas favelas de Jakarta, as misteriosas florestas & homens e mulheres pintados de Bornéu
    Nunca mais Sunset Boulevard, Avenida Melrose, Oz na Ocean Way
    O velho primo Danny Leegant, memórias da Tia Edith em Santa Mônica
    Nunca mais doces verões com amantes, ensinando Blake em Naropa,
    Mind Writing Slogans, nova Poética Americana moderna, Williams Kerouac
    Reznikoff Rakosi Corso Creely Orlovsky
    Quaisquer visitas aos túmulos de Buda em B’nai Israel, Tia Rose, Harry Meltzer e Tia Clara, Pai Louis
    Nem eu mesmo exceto em uma urna com cinzas.
    30 de março de 1997, AM
    Allen Ginsberg

    Resposta

  5. Posted by Renato Valério Rezende on 15/08/2012 at 12:33

    Pensando bem, em vez de batutas, escreveria “claves” que ficaria mais próximo dos instrumentos musicais aborígines (clapsticks). Batuta é muito coisa de orquestra. A ideia aqui é mais primitiva, no bom sentido. Abraço.

    Resposta

  6. Posted by Alexandre on 22/07/2013 at 12:33

    Gostaria muito de entrar em contato com o Prof. Renato, mas para falar sobre literatura Beat….ok? Alexandre cigalle@bol.com.br

    Resposta

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