“Ecocéticos” e obscurantismo

Pretendia escrever mais sobre os argumentos de neo-conservadores, os ‘ecocéticos’, tentando desqualificar a mobilização ambientalista. Alguns, dizendo que não está havendo aquecimento global. Outros, admitindo-o, mas declarando não haver provas de que seja causado pela ação humana.
Basta, porém, transcrever o artigo de José Goldemberg, publicado hoje (20/08) em O Estado de São Paulo.

Começa assim:

“Por incrível que pareça, estamos atravessando, neste início do século 21, uma onda de obscurantismo cultural e científico sem precedentes. Ela tem origem, principalmente, nos Estados Unidos, mas está se propagando pelo restante do mundo.

Goldemberg, ex-reitor da USP, entre outros cargos públicos importantes, dificilmente poderia ser enquadrado como hippie tentando destruir a economia de mercado – um dos argumentos dos ‘ecocéticos’ contra ambientalistas.

A íntegra do artigo em:

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/20/mudancas-climaticas-e-os-ceticos

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2 responses to this post.

  1. Willer, assim como vc, não considero “alarmismo infundado” o que se passa no planeta em termos de danos por poluição e desmatamento, só não vê quem não quer. Gosto de apresentar a “versão brasileira do apocalipse” e espero que os “céticos” considerem o que seus olhos podem ver e não são anjos com trombetas…Este ano as coisas sossegaram no Rio, mas morros se dissolvendo como glacê de bolo, tal como em 2010/2011, não me parece alarmismo, ao contrário, consequência direta de desmatamento desmedido e ocupação insana que se evidencia em regime de fortes chuvas. Em Santa Catarina, onde deputados e fazendeiros pedem um código florestal estadual, o cenário não é diferente, as tragédias no Vale do Itajaí se assemelham a das regiões serranas do Rio, com o agravamento das intenções dos que pedem que se “flexibilize” no estado a legislação do desmatamento, permitindo mais cortes de árvores à beira do rios. Querem deixar 5 metros de mata ciliar, um “cuidado” que beira ao ridículo. 5 metros é que temos entre a rua e o nosso jardim.
    O Brasil tem o que outros países cobiçam: terra, água e mata. Acho que falar em desenvolvimento sustentável é o mínimo que se pode esperar de um país como o nosso, com grandes áreas, madeira, minério, floresta que requerem um desenvolvimento menos atrelado a antigas práticas de devastação. Sou contra Belo Monte pela simples razão de que a energia solar seria um recurso a ser explorado em larga medida num país iluminado 12 meses no ano. Rebatem a ideia da energia solar falando em “custos altos”, mas acredito que para mentes menos imediatistas – como a dos empreiteiras que jogam o concreto com uma mão e com a outra põem o dinheiro no bolso – o custo/benefício se revelaria em pouco tempo e teríamos uma fonte de energia futurista, em vez de desmatar, saquear e enxotar a população em nome de um progresso questionável.
    Conheci Itaipu em seu canteiro de obras e fiz reportagem alguns anos após sua festejada inauguração. Entrevistei trabalhadores da construção que depois de concluir o sonho de “fazer a maior usina do mundo”, me confessaram que não tinham energia elétrica em casa, nem mesmo uma lâmpada.
    Hoje, sinceramente, não sei a quantas andam os royalties que o Paraguai nos pagaria. Mas sou paranaense, estive em Guaíra há uns três anos, região da usina, e me defrontei com um território de ninguém, tomado por traficantes e contrabandistas, sem nenhum sinal de civilização, com usina e tudo. Não acredito em “pacotes de desenvolvimento” que nada acrescentam à qualidade de vida da população.

    Tb conheci o Pará e parte da Amazônia em minhas andanças, a exploração da terra e da população por interesses de toda sorte é brutal. Lembro-me dos madeireiros derrubando mognos de 500 anos para encher os bolsos e só.

    Enfim, há divergências sobre formas de desenvolvimento, da minha parte ainda prefiro a floresta em pé. Me doeu ver feridas insolúveis na Amazônia, pastos abandonados depois de 4 ou 5 anos de exploração e queimadas, rios poluídos por mercúrio. A visão de Serra Pelada foi uma das coisas mais horríveis que já vi , um “cartão-postal” do inferno…E os caras vêm falar em..alarmismo? Se textos e vozes se levantam em favor de um desenvolvimento assim, prefiro os alarmistas que profetizam o apocalipse sem bíblias. Nem precisamos ser videntes para enxergar o futuro… caos.

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  2. Posted by Eiane Boscatto on 21/08/2012 at 00:58

    Já me irritei tanto com um “ecocético” que chama a mobilização ambientalista de bobagem “politicamente correta” que nem vou falar nada.

    Resposta

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