Whitman e Blake para fanáticos religiosos

(a exemplo de alguns que circulam no Facebook e tentam nos pressionar) (ah, sim – e daqueles que estão em plena campanha eleitoral, a todo vapor…)

Walt Whitman:

Em breve não existirão mais sacerdotes. O trabalho deles está feito. Eles podem esperar um pouco … talvez uma ou duas gerações … sumindo gradualmente. Uma raça superior deverá tomar o seu lugar … as gangues do kosmos e os profetas da massa tomarão seus lugares. Uma nova ordem deve surgir e eles devem ser os sacerdotes do homem e cada homem será seu próprio sacerdote. As igrejas erigidas sob suas sombras devem ser as igrejas dos homens e das mulheres. Através da sua própria divindade o kosmos e a nova raça de poetas devem ser os intérpretes dos homens e das mulheres e de todos os acontecimentos e coisas. (de Folhas de relva, tradução de Rodrigo Garcia Lopes, ed. Iluminuras)

William Blake:

Os poetas da Antigüidade animaram todos os objetos sensíveis com Deuses ou Gênios, nomeando-os e adornando-os com as propriedades dos bosques, lagos. cidades, nações e tudo o que seus dilatados sentidos podiam perceber.

Particularmente, estudaram o Gênio de cada cidade & país, colocando-o sob a égide de sua deidade mental.

Até que se formou um sistema, do qual alguns se aproveitaram e escravizaram o vulgo, interpretando e abstraindo as deidades mentais de seus respectivos objetos. Então surgiu o Clero;

Elegendo formas de culto dos mitos poéticos.

E proclamando, por fim, que assim haviam ordenado os Deuses.

Os homens então esqueceram que Todas as deidades residem em seus corações. (de O casamento do Céu e do Inferno, ed. L&PM, tradução de Alberto Marsicano, )

Houve continuidade de Blake a Whitman? O bardo norte-americano leu o profeta inglês? Sim. E há continuidade das rebeliões religiosas medievais, os “anarquismos míticos” (o termo é de Norman Cohn) a Blake, e, é claro, de Blake e Whitman aos beats.

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7 responses to this post.

  1. “Através da sua própria divindade o kosmos e a nova raça de poetas devem ser os intérpretes dos homens e das mulheres e de todos os acontecimentos e coisas.”

    E há muito tempo repito que a poesia é minha religião! Nela, transcendo.

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  2. Sacerdotisa sou Eu. Minha filha tambem: http://www.djvolvox.com A danca que libera.

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  3. o mais feio de nosso tempo e de quase todos os tempos é a institucionalização de Deus.

    Quando buscamos e encontramos Deus na Natureza e em nós mesmos é divino; mas Deus em religiões é tão humano, e pequeno e previsível e quantitativo…enfim, Deus está em TUDO menos nas religiões.
    O deus das religiões é uma projeção das necessidades humanas e materiais.

    A Poesia, para mim, é outro eufemismo de Deus.

    Beijos, Claudio!

    Tenha um final de semana divino! de amor paz e poesia!

    Lu

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  4. Posted by Ruth on 14/09/2012 at 09:43

    Maravilha!

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  5. Posted by Ivo on 15/01/2013 at 13:51

    é impressionante a crença cristã, pode ser a evangélica ou católica, não importa: farinha do mesmo saco!! eles conseguem amar o fruto e odiar a árvore desse mesmo fruto. são contraditórios!!! e não precisa fazer esforço para refutá-los. seus discursos são vazios de significado; aliás, qualquer significado que colocarem não é forte; são significados que encontram em si, e não em Deus, comodizem. Ilusão, apenas!

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  6. Citação brilhante.

    Abraço!

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