Pontos de cultura: um debate?

Sei que pontos de cultura enfrentam dificuldades, de dois anos para cá: redução de recursos, queda na escala de prioridades. Mas tenho dúvidas se, mesmo antes, estavam acontecendo. Minha intervenção é pelo seguinte: o conceito me parece ótimo: núcleos criativos ou comunidades que irradiem através do meio digital.

Meu contato direto com pontos de cultura resumiu-se ao grupo em Diadema – José Geraldo Neres, Rubens Zárate e outros, também talentosos – que desenvolveram programações e publicaram revistas.  A principal dificuldade que enfrentaram foi com a burocracia municipal local, mediadora dos repasses do Ministério. Jorge Mautner me disse, tempos atrás, que estava envolvido em um ponto de cultura. Soube de encontros, espécie de convenções de representantes desses pontos.

O que estranho é pontos de cultura nunca terem chegado aqui. Não sou o centro do mundo – mas não estou na periferia. Recebo centenas de e-mails por dia, enormidade de contatos via Facebook e meu blog está com 4.500 acessos / mês. De pontos de cultura, nada – estranho, pois era para circularem no meio digital. O que houve? O que faltou?

Impressão que minha página de Facebook, imediações e conexões equivalem a um verdadeiro ponto de cultura. E os grupos, como o Clube Willeriano do Crime de Ruben Zárate e o Jardins da Provocação. Circulam conteúdos – textos, vídeos, imagens, de um modo geral de qualidade, acima do que esperava. Muito melhor daquilo que vi na vez em que pirateei senha e examinei a comunidade Leitores de Claudio Willer no Orkut – nada a ver, nenhuma relação do que rolava, com alguém ser meu leitor. Principalmente, Facebook me apresentou pessoas a quem gostei de conhecer, talentos.

E a censura no Facebook? Como sempre, historicamente, tem o efeito contrário. Aproximou pessoas comprometidas com a liberdade de expressão. Polarizou, consolidou ligações, desde que entramos em campanha contra.

Pontos de Cultura precisariam, penso, de uma plataforma que lhes permitisse tornar público o que fazem e interagir, dialogar de modo permanente. Algo assemelhado a um Facebook sem imbecilidades e às comunidades do Orkut sem as trivialidades. Claro que, sempre, mantendo um projeto, o compromisso com uma programação.

Tema para debate. Só para uma boa idéia não fenecer.

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5 responses to this post.

  1. Cláudio, acho perfeita sua colocação.
    Nem o facebook, tirando os episódios de terrorismo contra a liberdade de expressão, é um lugar propício para esse tipo de conteúdo, reunião, discussão.
    Será que já não está na hora de criarmos uma rede social própria para a cultura? Um lugar onde fosse livre a expressão e com um dinamismo de conteúdo jamais encontrado?
    Tenho projetos para isso, seria maravilhoso ter uma parceria com você nele.

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  2. o século XXI trouxe mais essa diversificação: a cultura em razão da tecnologia. é inegável a importância dessa nova mídia para a divulgação das artes, bem como para o intercâmbio de ideias e conhecimentos.

    Conheci o trabalho de muitos artistas e estudiosos em virtude do facebook e tem sido extraordinário esse contato.

    Que ótimo post, professor! É preciso abrir as cabeças para o NOVO. Muita gente ainda reluta em considerar o meio virtual um espaço de relevãncia cultural. preferem tratar esse assunto com preconceito e alienação.

    Beijos!

    Sucesso em Brasília! Tomara que gravem a palestra. depois divulgue, por favor.

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  3. Blog Claudio Willer como Ponto de Cultra Já!

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  4. Posted by Máh Luporini on 03/10/2012 at 09:04

    Claudio,

    A sensação que tenho destes pontos de cultura é que são fechados, já tentei diversas vezes mostrar alguns projetos a algum deles, nenhuma resposta, nenhum interesse. Como meu pai e poeta Dailor Varela sempre falava ‘somos guerrilheiros culturais’, prova disso é o jornal que faço há 5 anos, O GRITO CULTURAL que abro sem nenhuma censura as cabeças pensantes e ativas deste pais. é preciso provocar.
    Através do clube willeriano do Crime e Jardins da Provocação conheci pessoas que tem um compromisso com a cultura. Gostei!

    Beijos!

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