Parque do Xingu: Patrimônio da Humanidade?

Dias atrás, perguntei qual dos neo-conservadores viria a público atacando defensores dos Guarani-Caiová do Mato Grosso do Sul. Apostava em Luiz Felipe Pondé. Não deu outra: em seu artigo na Folha de hoje, 19/11, verbera usuários do Facebook que acrescentaram essa designação a seus próprios nomes. Ignora o problema real, a ameaça aos ocupantes dos dois hectares na fazenda Cambará em Naviraí, MS, capítulo da tragédia enfrentada por esses índios – e que as manifestações na rede social alertaram, precedendo o noticiário na imprensa e contribuindo (provisoriamente, ao menos) para evitar que prosseguisse a violência.

Melhor ficar com o artigo de Washington Novaes, alguém que conhece o assunto, no Estadão de 09/11/2012. É objetivo, didático:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,quem-podera-salvar-os-guarani-caiovas-,957849,0.htm

Nesse artigo, uma informação do maior interesse: a proposta de transformar o Parque Indígena do Xingu em patrimônio ambiental, histórico e cultural da humanidade pela Unesco, apresentada por Novaes com apoio do ex-ministro Gilberto Gil, do artista plástico Siron Franco, do compositor e criador Egberto Gismonti, do ex-presidente da Funai Márcio Santilli, entre outros. Não recebeu apoio do governo brasileiro. Novaes informa: “Mas para que a Unesco receba um pedido como esse é imprescindível – foi-nos dito – que ele tenha o aval de alguma autoridade brasileira. E não conseguimos sequer uma audiência da Funai ou de outro órgão para expor o pleito.”

Entre outras manifestações anteriores desse estudioso, esta:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,as-utopias-do-xingu-nos-seus-50-anos,696996,0.htm

O Parque do Xingu foi o marco inicial do que houve de positivo em matéria de política indigenista no Brasil. Um precedente, contribuindo para a criação de reservas para os Ianomami, e, mais recentemente, a Raposa – Terra do Sol, além da devolução de algumas terras aos Pataxós da Bahia; e, outro dia, a decisão da justiça em favor de Xavantes em Mato Grosso.

O significado da proclamação do Parque do Xingu como Patrimônio da Humanidade é evidente. Consolidará avanços. Contribuirá para que se corrijam barbaridades como essas que atingem os Guarani-Caiová.

Que tal retomarmos? Vamos apoiar e mobilizar?

Em tempo: acrescento ao corpo desta publicação o comentário que acaba de chegar de Rita Alves:

Estou, junto com a família Villas Boas, em processos árduos de estabelecimento do Instituto Orlando Villas Boas. Precisaremos de muitos apoios. Acervo do indigenista com mais de 2 mil peças, ainda sem destino. Arquivos linguísticos, arqueológicos, filmografia, fotografias… material rico para pesquisa de nossas mais profundas raízes… vamos em frente, sem titubear,a tentos a todos os que vão contra também. Beijo grande, Willer! Rita Alves.

Vamos apoiar!

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5 responses to this post.

  1. Posted by Rita Alves on 19/11/2012 at 10:28

    Estou, junto com a família Villas Boas, em processos árduos de estabelecimento do Instituto Orlando Villas Boas. Precisaremos de muitos apoios. Acervo do indigenista com mais de 2 mil peças, ainda sem destino. Arquivos linguísticos, arqueológicos, filmografia, fotografias… material rico para pesquisa de nossas mais profundas raízes… vamos em frente, sem titubear,a tentos a todos os que vão contra também. Beijo grande, Willer! Rita Alves.

    Responder

  2. Estou nessa, Claudio! Vamos nos mobilizar sim. O mundo precisa de perder (ou exterminar) povos e culturas. Qualquer força de vontade política ou intenção contrária à sobrevivência dos povos por parte do governo deve ser visto como eugenia- talvez a pior das catástrofes morais.
    Chico

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  3. O povo tem q aprender a usar a sua vontade com sabedoria, união e aí a sua força…ninguém segura.Proteger os índios é nos proteger com certeza!!

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  4. Nesta questão, mobilização sempre, Willer. Neo-conservadores não faltam. Pondé hj me causou náusea com aquele papo de que entrar na campanha nas redes sociais pela retomada das terras indígenas é entrar na onda indigenista de boutique. De boutique é ele, sempre olhando o próprio umbigo, sem enxergar direito – será a miopia ? – o país em que vive. Nem levo mais a sério sua opinião, me parece coisa de colunista vaidoso que quer mesmo é chamar a atenção com opiniões estapafúrdias. quando chega-se a este ponto, perde-se a credibilidade. Talvez ele não saiba , mas o próprio MP reconheceu a importância das campanhas nas redes sociais para retomada do direito às terras dos Guarani- Kaiowá, foi uma pressão nacional, legítima pelos meios de que dispomos, com imagens e palavras.

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