Livros digitais no Brasil e o preço dos livros no Brasil

Livros brasileiros são, notoriamente, caros. O dobro do livro equivalente nos Estados Unidos, Inglaterra, França e outros países. É círculo vicioso: livro aqui é caro porque vende pouco (salvo as exceções notórias); mas vende pouco por ser caro. Esperava-se que entrada em cena do livro em suporte digital, o e-book, mudasse esse quadro. Mas não. O acordo da Amazon com editoras brasileiras, para que essas autorizassem venda de seus títulos no meio digital, usando o kindle, sem se considerarem prejudicadas, foi manter o preço; comercializá-los pelo mesmo preço de capa do livro de papel:

http://olhardigital.uol.com.br/negocios/digital_news/noticias/amazon-preco-dos-livros-digitais-no-brasil-depende-das-editoras

Ninguém deu escândalo. Miopia do jornalismo de cadernos de cultura,  variedades e tal. O acordo foi fechado com a Companhia das Letras, a Globo Livros, a Ediouro e a DFD (responsável pela digitalização dos livros da Objetiva, Record, Rocco, Planeta, Sextante, L&PM e Novo Conceito) e outras.

Mais em:http://www.tecmundo.com.br/amazon/33487-estreia-da-amazon-no-brasil-esta-cada-vez-mais-proxima.htm#ixzz2ExZ2C2z1

Soluções:

a – todo mundo aprender inglês; dominar perfeitamente essa língua (algo bom, conveniente, de qualquer modo) e comprar livros disponíveis na Amazon.com por uma fração do preço brasileiro – claro que, se muita gente fizer isso, autores brasileiros se desvanecerão mais ainda do mapa – até, por sua vez, serem traduzidos para o inglês…

b – esperar, até que alguém fure o esquema, atravesse o cartel, provocando os protestos de sempre e mais uma crise no mercado editorial brasileiro, por exclusiva responsabilidade, (mais uma vez) de editores (outra hora escrevo mais sobre o preço artificialmente alto dos livros no Brasil – ah, sim: livreiros também gostam).

EM TEMPO: a propósito do comentário de Roberto Bicelli,a seguir – sim, aqui tudo está caro demais – restaurante a preços acima de Nova York – mas é porque agora estão tendo que pagar impostos, antes não, nota vinha num papelito e qualquer coisa que declarassem era aceita – livros não, tem isenções, preço alto é mesmo estratégia de comercialização.

Anúncios

6 responses to this post.

  1. Posted by roberto bicelli on 13/12/2012 at 18:19

    todos os preços são absurdamente inflados no nosso brasil brasileiro.
    herança maldita dos colonizadores que aqui vinham “fazer o brasil”…
    o único herói que tentou criar uma montadora nacional foi ridicularizado pela imprensa e perseguido pelo governo. ele estava chegando a um resultado muito interessante e avançado: o supermini e o motomachine da GURGEL poderia ser comprado, até mesmo desmontado, em postos de gasolina, supermercados, etc. era parecido com o smart.
    http://www.flashbackers.com.br/v2/index.php?option=com_content&view=article&id=160:gurgel&catid=42:curiosidades&Itemid=56
    entonces, meu caro, tudo é caro demais no brasil: TUDO! livros tb…
    roupas, restaurantes (ladrões!), imóveis, carros, tudo.
    tb, como não tivemos guerras, calculamos o valor das coisas pelo número: por exemplo, se te pedirem 10 centavos ou um real por um botão, vc paga pq um real é numero baixo… o mesmo para automóveis: 26 mil reais parece pouco, não interessa se o mesmo carro custa 15 mil reais no méxico.
    um prato de “pasta” por 35 reais a gente sabe que é roubo, pq é!
    chega! que já estou com os olhos injetados e vermelhos de ódio…

    Responder

  2. Posted by Vince on 13/12/2012 at 23:32

    Realmente. Sem contar que agora em pesquisas no site da Liv. Cultura por exemplo, os e-books sempre aparecem na frente. Eu não gosto de e-book e acho que é uma vergonha ele terem o mesmo valor de um livro impresso. Livros precisam ficar mais baratos, urgente.

    Responder

  3. Posted by roberto bicelli on 14/12/2012 at 01:17

    os livros são caros, mas dão barato…

    Responder

  4. Nos EUA, o mercado de ebooks esta facilitando a explosao de editoras pequenas e autores que publicam suas proprias obras. Depois de escrever o texto, vc pode comprar tudo o resto: editoracao, producao, distribuicao, marketing e vendas. Tenho colegas autores americanos que vendem ate 500,000 livros tanto de papel qto eletronicos so pela Amazon. Vendem por precos de 1 real ate 50 reais.

    A oportunidade neste momento e vc ser um autor/ empresario, dono do seu proprio conteudo e a sua divulgacao. Assim vc tb controla o preco dos seus livros tanto em papel qto eletronicos.

    Senao, qualquer autor e um brand e a grande editora e seu investidor. Prova que sabe criar conteudo interessante e promover sua propria obra e ai da para negociar melhor o preco do livro com sua editora. O mundo dos livros esta se transformando rapidamente. Qual e o futuro que desejamos? Faca isso na sua imagem!

    Responder

  5. Sou favorável a uma política de leitura que leve em conta livros em papel em edições mais baratas. No Brasil, até lançam, às vezes, uma edição sofisticada e outra mais simples, caso da biografia de Clarice Lispector, escrita por Benjamin Moser, com tradução de José Geraldo Couto,que comprei em formato pocket e muito bem cuidado. O e-book é interessante, mas só leio em último caso, como agora em que me passaram o link de O Arco e Lira ,de Octavio Paz, digitalizado. Vou lê-lo, assim, no computador em vez de pagar R$ 89,00, mesmo achando que vale, mas se for comprar todos os livros que desejo capaz de falir em seis meses…rs. Então, me adapto às versões digitais, apesar de um dia de download no Scribd custar 9 dólares, o que tb não é barato. Um livro de cerca de 300 páginas consome cerca de uma hora de download, baixei o do Paz ontem mesmo e não aproveitei o dia e a taxa para baixar mais livros porque iria viajar. Enfim, fazer download de livros exige um pouquinho de tempo e paciência, mas é viável sim, sobretudo para livros que são muito mais caros em papel. No entanto, para meu gosto prefiro as versões impressas, livro é tb objeto de afeto e curto guardá-los e tê-los comigo pra levar pra lá e pra cá, enfim. Daí um política de livros mais em conta seria ótima e tb divulgação maior de bons livros que não sejam os best-sellers porque estes vendem que nem água , talvez porque têm atrás deles e dos autores um marketing poderoso. Incrível, toda esta leva de escritores britânicos que viraram best-sellers, na linha de E.L.James do famigerado 50 Ton de Cinza, são “vendidos” como “autores que nunca escreveram antes.” tenho observado isso. Acho que faz parte do marketing como se cada leitor contribuísse com o amadorismo de um estreante que se torna produtivo, vendável e famoso. Sei lá o que se passa no imaginário destes leitores, mas adoram a falta de experiência – e de texto – destes “novos autores”. Talvez prefiram a facilidade em vez de alguma complexidade para se sentirem, enfim, leitores. Va savoir!!! Então, sou favorável a livros de bolso e a uma boa política de marketing e distribuição para bons autores e não apenas para o “fast-food” editorial vendido até em supermercados. Livro tem que circular para vender.

    Responder

  6. Caro Willer, diante da voracidade dos negociantes da cultura, talvez a ideia de aprender inglês seja a mais plausível, como saída para os leitores. De todo modo, o teu relato é ótimo por chamar a atenção para o fato. Abraços!

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: