Três poemas e uma leitura

Corrijo a postagem anterior em que reproduzi poemas meus apresentados na leitura de da sexta-feira dia 25 de janeiro no Centro Cultural, o Menu de Poesia. Três, e não dois, agradaram especialmente, pela qualidade da leitura e originalidade da escolha.

Um deles, havia atribuído a leitura a Máh Luporini; mas foi escolhido e lido por Paulo Sposati Ortiz: é parte de uma série mais longa, “Escritos ontem”, de Estranhas Experiências; uma poética ou declaração de princípios. Máh Luporini apresentou “A chegada do tempo”, outro poema menos evidente, mas que foi valorizado pela leitura. Mantenho, formando um lírico trio, “Persona”, escolhido por Célia Musili da série “Cinemas”, do próximo livro, A verdadeira história do século 20: 100% inédito, nunca apresentado em público.

Haverá mais:

A CHEGADA DO TEMPO

 outono feito de ar 
e suas comemorações invisíveis 
a vida mais leve em abril, soma dos demais meses 
o céu, suave vórtice 
mundo de movimento de nuvens 
modulações da claridade 
mensagens de chuva e vento 
música silenciosa vibrando no corpo 
luz acariciante aos domingos pela manhã 
escrever é matar-se aos poucos 
deixar de ser 
            alegremente 

 

ESCRITOS ONTEM

[…]

3

o Sol será nosso                                                         pois o merecemos
o centro do universo fica aqui
resistimos                                                                             
pelo sagrado direito ao sonho                       
e todos os seus mundos        
resistimos                                                                             
operações mágicas continuarão lícitas
     neste dia de sombras vivas que se confundem com a alma                                     
todos os seus desejos se realizarão
o que você pedir lhe será dado                     
profecias se cumprirão
outros poemas

 

PERSONA

os monólogos,
sempre
os monólogos:
são como sonhos que flutuam, o profundo os atrai,
              eles repetem:
que a condição humana é um modo da indecisão
               ou um pedido de desculpas por estar aí
“o sonho desesperançado de ser”: vertigens
e também aquela extrema elegância das coisas que eram realizadas na década de 1960
            assim como a perfeita linguagem das mãos
           e os rostos com a limpidez das piscinas ao sol
isto é cinema tátil:
                 foi criado para ser percebido pelos sentidos secretos da imaginação
                    a tela produz palavras: fogo negro, insolação ancestral, vertigem
                                                 – eu sou a tela
(agradeço ao diretor por inspirar-me o mais hermético dos meus poemas)

As fotos de Emerson Moino Martins, documentando:

http://www.flickr.com/photos/76292171@N04/sets/72157632633225546/

Transmitem credibilidade.

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One response to this post.

  1. “operações mágicas continuarão lícitas”

    nunca me canso desse verso, amo!!

    Lindas as fotos! Beijosss!!

    Responder

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