La Paz, Paulo Coelho, Claudio Willer: capítulo 2

Conferi, a noite passada.

Certifiquei-me.

Em O oculto de Colin Wilson, livro excelente, que não é proselitismo crédulo nem cientificismo estreito – recomendo para quem quiser saber mais a respeito. A história de Arthur Guirdham, que escreveu sobre os cátaros provençais e relatou “seu estranho envolvimento com um paciente cujas memórias de uma existência anterior constituem um dos casos mais autênticos de reencarnação que já encontrei.” Uma mulher que se lembrava de haver estado entre os cátaros massacrados em Montségur no século 13; e que reconhecia Guirdham como alguém que também estivera lá (pgs. 24 do volume 1 e 186-190 do volume 2 da edição brasileira de O oculto, da Francisco Alves).

A mesma história que também é o enredo central de Brida.

Miséria da crítica. A ignorância geral. Dos adeptos e dos que o criticaram. Não só no Brasil, mas no mundo todo. Não ocorreu a ninguém questionar o transplante de um livro para outro, de O oculto de Wilson para Brida de Coelho. Digitei Paulo Coelho Colin Wilson no Google, apareceu declaração de Coelho dizendo que conheceu Wilson e o admira. E só.

Quando terminar este relato em série, pretendo transcrever aqui, neste blog, algumas frases de O oculto de Wilson.

Lago Titicaca: é onde fica o santuário de Nossa Senhora de Copacabana – a verdadeira. Por alguma razão, o nome da praia carioca é copiado da localidade boliviana. Copacabana está para a Bolívia assim como Aparecida para o Brasil: milagres, graças, devoção popular e grandes romarias. Foi construída sobre um templo dos incas (tipicamente católico isso, fazer igrejas sobre templos pagãos), por sua vez erigido sobre as ruínas de Tiahuanaco, uma civilização mais antiga. Portanto, lugar triplamente sagrado – nos tempos pré-colombianos também havia sacrifícios humanos, consta. Até hoje, o culto à Pachamama, deusa da fertilidade e prosperidade. No lago, duas ilhas, Isla del Sol e Isla de La Luna, também sagradas, pontos devocionais.

Fui lá, naveguei no Titicaca, visitei as ilhas, pastavam lhamas e vicunhas, índios falavam em língua Aimara e espanhol com sotaque – mas no último dia da minha estada boliviana. Dos lugares mais bonitos que já vi. Nível do lago está baixando, poluição cresce, a criação de peixes para comércio, truta e peixe-rei, dizimou fauna aquática local. Acho que não tem jeito, bolivianos e peruanos põem a culpa uns nos outros e não conseguirão desenvolver um programa para recuperar o imenso lago.

A notícia da ida de Coelho e comitiva a Titicaca no dia do seu aniversário me fez entender sua presença na Feira do Livro de La Paz Gostei de estar lá, o passeio no lago foi inesquecível, passar perto do Illimani, a montanha pontuda, também, além de La Paz, seu centro histórico, a enorme feira de índios vendendo toda sorte de artesanato, mais a visão impressionante da pobreza encarapitada nos morros ao redor da cidade – mas a Feira do Livro, com seu público atento e cordial, não é evento importante. Coelho poderia, se quisesse, estar autografando muito mais em Kyoto ou Vancouver. Planejou aquela visita para celebrar aniversário em solo sagrado. Pelo roteiro por terra, saindo de Lima e passando por Cuzco e Machu Picchu, cruzando um trecho dos Andes, deu-lhe características de peregrinação. Uma vez Compostela, outra, algum templo japonês, talvez já tenha ido a Angkor Wat.

Mago. Não é verdade, como noticiado na TV, que mudou a data de seu aniversário – continua o mesmo 24 de agosto. Não o vi mais por lá: após baixar obrigações ou meditar à beira do lago, mandou-se – cruzaria com ele no ano seguinte, nos corredores do Salon du Livre de Paris.

Na próxima postagem, comentarei algo de sua obra; da crítica a ele e seus equívocos.

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5 responses to this post.

  1. Posted by srta T. on 14/02/2013 at 17:01

    que maravilha a magia hospitaleira de Santa Copacabana!
    🙂

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  2. professor Claudio Willer, você literalmente ‘mata a cobra e mostra o pau’, ou melhor: mata o mago e mostra a cobra. amei!!

    Beijos!

    Responder

  3. Posted by Ruth on 14/02/2013 at 17:54

    Tô gostando!

    Responder

  4. Aguardando os próximos capítulos… Muito bom lembrar de “O Oculto” do Colin Wilson… Abraço!

    Responder

  5. Informações preciosas sobre o Lago Titicaca, seu passado, e o presente de empobrecimento e exploração a olhos vistos. E fiquei curiosa, o que será que significa Titicaca? Vou buscar. bjss!

    Responder

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