Ler Paulo Mendes Campos

Boa notícia, reedições de Paulo Mendes Campos pela Companhia das Letras. Saiu nestas matérias do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, por Raquel Cozer:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/96345-acerto-de-contas.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/96346-autor-levou-verve-poetica-para-a-cronica.shtml

Espero que publiquem logo Domingo azul do mar, sua principal coletânea de poemas. Considero Paulo Mendes Campos um poeta de especial qualidade, capaz de sonetos que se equiparam aos de Vinícius e prosa poética de imagens livres, surreal. Principalmente, um poeta da poesia: no que escreveu, sempre, a presença do que leu, como intertexto e homenagem aos poetas que o inspiraram. Tempos atrás, publiquei ensaio sobre ele na Revista da Civilização Brasileira; atualizei-o, para o Jornal do Brasil, a propósito do lançamento de seus Melhores poemas pela Global; e acabei revendo-o e publicando na revista Agulha:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag20campos.htm

Retomarei. Colocar on line o “Poema das aproximações” e sua homenagem a García Lorca. Acho absurdo um poeta como ele ser pouco estudado e ter uma ensaística rala – quase nada sobre sua poesia, além do que escreveram (bem) seus conterrâneos Guilhermino César e Fábio Lucas. É o Brasil que não se lê (como já havia observado aqui a propósito de Campos de Carvalho, e certamente voltarei a comentar). Jornalisticamente ou biograficamente também haveria mais – como foi, ele e Clarice?

Saiu um belo caderno dedicado à crônica no Suplemento Literário de Minas Gerais, organizado por Humberto Werneck – tudo é bom nessa coletânea, mas ao chegar-se àquela de Paulo Mendes Campos percebe-se, intuitivamente, que é algo diferente. Texto de poeta. As colaborações para a revista Manchete eram diversificadas e híbridas, confundia ou identificava crônica e poema.

Bom, também, saber que será reeditado o original Diário da tarde, de 1981 – de Massao Ohno e Roswitha Kempf em parceria com a Civilização Brasileira. Tenho. Também é, entre outros temas, sobre leitura. Havendo exemplares disponíveis, usarei em rodas de leitura e oficinas literárias: serão prazerosas.

Em tempo (adicionado no dia seguinte, domingo): Adivinhem quem me chamou a atenção para a qualidade de Domingo azul do mar. Sim: Roberto Piva. Em 1960. Havia acabado de sair por aquela editora de Fernando Sabino & friends, Editora do Autor, ou Sabiá, não lembro. Piva, 50 anos ou mais à frente da crítica – também costumava dizer de memória poemas de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima.

(Dei um tempo no exame do que tresanda do Vaticano – mas retomarei, a produção de bobagens por cardeais torna esse assunto irresistível)

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One response to this post.

  1. Queria ler poemas de Domingo Azul do Mar, livro varia nos sebos de 19,00 até 160,00 reais, mas o mais barato é para livro sem capas, muito manuseado. Quando li seu post logo me lembrei tb de Clarice, Paulo M. Campos foi o amor dela, não por acaso um poeta. Escreva sobre biografia, será interessante.

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