Sexo e cultura digital

Esse episódio da moça que faz programas, sexo pago, gosta e os registra em seu blog merece comentários.

Está em:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/04/1270940-bruna-surfistinha-de-sao-carlos-sp-relata-programas-em-blog.shtml

Os comentários:

1. Sexo sem culpa.

2. É típico da cultura digital ou era idem. Registrou / comentou seus programas no blog. Foi acessada. Um jornal noticiou. Do jornal foi para a respectiva página de internet. Isso resultará, com certeza, em mais acessos ao blog. Uma espécie de tabela ou bate bola entre mídias ou suportes, interagindo.

3. Nada a ver com as previsões de como seria a cultura através do meio digital, tal como formuladas nos manifestos da poesia concreta e documentos afins. Para eles, nesta altura, estaríamos nos comunicando ou expressando através de ideogramas, de coisas verbivocovisuais, e não desse modo tão candidamente direto. É que vida sexual nunca fez parte das categorias relevantes para eles – faz tempo que venho dizendo isso.

4. Fazer um bom curso de Letras, no caso o da UFSCar, contribuiu para ela saber expressar-se, pelo visto. Não tem as (sub) literatices do tempo de Cassandra Rios e afins. Aliás, a surfistinha também, uma vez folheei num aeroporto, abri no trecho em que conta como é com dois homens ao mesmo tempo – achei fluente, limpo. (mas parece que alguém a assessorou)

5. Típico de sociedade aberta. Ou é contribuição para sociedade abrir-se mais? Ou ambos?

6. Tenho pouca relação com as profissionais do sexo – as vezes em que tive, foi por esteticismo ou aventura. Mas combato a hipocrisia.

7. Será que essa esteve na palestra que dei em São Carlos ano passado, na qual examinei algo de Lori Lamby de Hilda Hilst?

8. Tem projeto de regularização de profissionais do sexo, parado na comissão do Marco Feliciano. Se aprovado, protegeria de exploração. Melhor –a  propósito de hipocrisia – que fingirem que não existem, por viverem supostamente em pecado. É preciso que se organizem, mobilizem, para que possamos colaborar.

 Feriados são para escrever crônicas e refletir sobre costumes e cultura digital.

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14 responses to this post.

  1. Sexo pago tb é fetiche, masculino e feminino. Coisa cultural, “antiga” de certa forma e sempre atual. Tive uma amiga que adorava que o parceiro fingisse lhe dar notas de dólares depois da transa. Se a moça consegue viver assim e tem lá o seu affair , inclusive com a grana, ponto! Sexo exige glamour ou transgressões que, às vezes, o viés “normal” ou cotidiano não dá. Metade do prazer é…fantasia. Esta moça aí tem prazer em se enfeitar toda pra dar e os homens adoram receber. E pagam por isso. Tem gente que vende o corpo, tem gente que vende a mãe, enfim…E tem um affair amoroso de fato que plana sobre tudo isso, este não tem preço mas é raríssimo, cada vez mais..Em todo caso, salve a fantasia!!! Quero dizer, SALVEM A FANTASIA!

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  2. Cláudio, excelente post.

    Aproveito para retomar o seu comentário 5 – “Típico de sociedade aberta. Ou é contribuição para sociedade abrir-se mais? Ou ambos?”. Trago dois exemplos recentes da região de S. Carlos.
    Inicialmente manifestações que me parecem exemplares, incorporadas no blog da moça em questão:

    http://lolabenvenutti.blogspot.com.br/2013/04/opinioes.html?zx=8ef3b42e80415ffc

    Afora isso, envio um caso do jornalismo da tal era digital. Trata-se de um portal de Araraquara, que publicou nesta semana uma não notícia, com um caráter pretensamente moralizante. Veja o nível da “Nota da redação” ao inteligente comentário de Inez:

    http://www.portalk3.com.br/Artigo/policia/mulher-de-68-anos-faz-sexo-com-tres-rapazes-em-via-publica

    Acredito que o blog da aluna de Letras, o poema da professora e a notícia e a postura do portal apresentam um panorama amplo em torno ao tema da “abertura” a que se refere o seu ponto 5.

    Grande abraço e bom feriado!

    Wilson

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  3. Bruna surfistinha deve ter uma assessoria de imprensa do caramba, pois esses relatos são anacrônicos. Ela já teve os seus quinze minutinhos e até virou filme protagonizado por Deborah Secco. agora passou, mas a imprensa insiste em mostrar o que passou.QUE COISA!!

    ABÇ!

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  4. agora que vi que é outra ‘Bruna surfistinha’!! hehe…ah, esse mundo da mass media! usam nomes antigos pra falarem de novas pessoas que fazem o que as antigas faziam, que nó!

    mas, achei muito interessante o sexo profissional por esteticismo, hehe… é como arrancar cravos do nariz e da face…que imagem peculiar!

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    • Posted by Franklin de Araújo Cordeiro on 01/05/2013 at 21:40

      Lou Albergaria: o sentido de esteticismo é outro, mizifia! Bem que o professor Willer poderia escrever um post sobre como as palavras “estético” e “esteticismo” saíram do âmbito da filosofia da arte e são compreendidas pelo “pupulacho” como sinônimo de “pedicure” e “manicure”.

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  5. Claudio,

    Eu não comento em quem posta sobre este assunto, mas por se tratar de coisas aqui de São Carlos, e do teu blog, te digo: sim, ela esteve na estreia do nosso Clube de Leitura, sobre Lori Lamby. Isso é bem legal, né? Mas eu ainda acho o caminho literário mais fodido do que a própria foda, então, por não trazer nada de novo ao campo em que ela mesma se afirma para garantir-se o direito de seu prostituta (o da inteligência), fico assistindo o show sãocarlense do mais do mesmo. Os hipócritas, os intolerantes, os fofoqueiros e os puxa-sacos. Nada de novo sob o sol. Até ela mesma, defende mais o dela ($) do que a categoria: uma vez que o assunto é inteligência, vejo a faca amolada para cortar o pescoço de todas as prostitutas burras. Acho perigoso e pouco inteligente.

    Abraços!

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  6. Posted by Vince on 01/05/2013 at 20:13

    Sempre vou preferir prostitutas aos poetas concretistas (inclusive na literatura).

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  7. ironia da semana – ótimo

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  8. Comentários precisos e pertinentes, como sempre!

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  9. Posted by Ana Lívia Castro on 01/05/2013 at 22:26

    Gostei da proposta para “expiação”, querido Willer.
    E as nuances colocadas pela Mariana merecem atenção.
    Acontece que qualquer reportagem destes sites me chega com desgosto. Exemplo também, a reportagem colocada pelo Wilson.O sensacionalismo e o “mais do mesmo” conservador disfarçado de obsceno desgastam meu bom humor: o jornalismo moralista com necessidade de falar em suruba e jornalistas open mind de vitrine comentando o trabalho “descolado” da garota. O blog é válido sim, merece comentários, estamos ai! E o circuito autorreferenciável do tópico 5 fez seu papel: Ficamos sabendo! Sinto nojo e gratidão pelos jornalistas da região. E se quisermos melhor aproveitar esse assunto, sugiro-o presencialmente, com Willer, um ótimo vinho e literatura. O clima de São Carlos está propício ao vinho e à especulação sexual tão cara a quem é humano. O convite está lançado!

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  10. Posted by elizabeth lorenzotti on 02/05/2013 at 13:07

    Primeiro, por que o politicamente correto “garota de programa” foi oficilametne adotado para substituir prostituta? Talvez porque a profissão agora pode ser escolhida por mocinhas classe média, que de acordo com os tempos, fazem seus diarios online e exibem suas vidas ao estimado publico. Também me ocorre que isso se dá enquanto o fundamentalismo volta a vicejar: qual a relação?
    Mocinhas classe media podem escolher a profissão. Será que escolhendo clientes, também se livram da violencia? Dos cafetões? Do circulo do negror que ronda a profissão, das agressões, facadas, tiros, praticas violentas em geral? Será que, em poucos anos, poderão largar a profissão e casar-se regularmente e religiosamente, ao contrario das suas colegas de profissão, que não têm tantas opções?

    Nesse quadro, nem tudo se resume a apenas “gostar de sexo”

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  11. Posted by Diego Tardivo on 03/05/2013 at 16:40

    Por que será que os textos de Cassandra Rios são chamados de “subliteratices” e Lori Lamby, um lixo mal-escrito – e até Leo Gilson Ribeiro viu isso – é digno até de palestra? Intelectuais brasileiros são piores do que assassinos. E não tenho medo de nenhum. Podem vir, babacas.

    Responder

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