As manifestações, os debates e a matéria comigo na Folha

Fui dormir especialista em poetas malditos (a palestra de ontem em Diadema) e acordei ícone da contracultura (hoje na Folha de SP). Pode ser. Dinossauro, nem tanto, pois não estou extinto.

Está em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1303571-acao-contra-poder-e-tradicao-anarquista-diz-icone-da-contracultura.shtml

São resumos – matéria de Morris Kachani enfrentou a dificuldade de resumir sessão de duas horas, somando o que expus, mais o que Edson Passetti observou, o debate e o que conversamos depois.

Sessão foi gravada pela TV PUC e pelo NuSoL – teremos disponível na íntegra, acho. Havia anunciado: https://claudiowiller.wordpress.com/2013/06/25/conversacao-com-claudio-willer-beats-anarquistas-e-os-jovens-em-movimento-desta-vez-na-puc/ 

Vou detalhar alguns tópicos neste blog. Assunto não falta.

Alguma coisa, já.

Criaturas que devoram o criador. O paralelo com a Revolução Francesa é precário, evidentemente. Exaurida pela Guerra dos Sete Anos (1756-1763 – contra a Inglaterra, perderam, tiveram que sair do Canadá), a França enfrentava uma crise econômica agravada por problemas climáticos e más colheitas e pela recusa da monarquia a reduzir seus gastos. Luís 16 pagou a conta dos erros e megalomania de Luís 15. Mas a convocação de uma assembléia, os Estados Gerais, em maio de 1789, mostrou-se um tiro pela culatra, ou no pé: foi seguida pela Queda da Bastilha a 14 de julho e pela deposição da monarquia em 1791. Aqui, a resposta governamental, apresentando uma proposta de reforma política, assim como as iniciativas parlamentares, pulverizando instantaneamente a sinistra PEC 37 e classificando corrupção como “crime hediondo”, reduzem, em vez de recuperar a credibilidade. Deixam no ar esta pergunta: onde se encontravam e o que estavam fazendo até agora? Daí os números da pesquisa de opinião publicada hoje na Folha de SP.

Quero ver mais pesquisas: avaliações do Congresso, de governos estaduais e administrações municipais. Provavelmente, darão amanhã. Confirmarão, suponho, o que já vinha observando sobre crise da representação. Vai ser meu tema na próxima postagem, na qual também criticarei o apartidarismo proclamado pelo MPL: se é para haver democracia direta, então tem que ser antipartidarismo mesmo.

Mas, desde já, a questão cultural. Todas as grandes mobilizações de protesto, desde a Revolução Francesa, expressão do Iluminismo e da crítica filosófica do século 18, até a contracultura, tiveram relação com movimentos literários e artísticos, e com a produção de idéias. O que postei aqui sobre Rimbaud e a Comuna não é detalhe, porém exemplo. Nas pró-diretas e nas anti-Collor, políticas culturais públicas foram um tema forte. Desta vez, há o risco de cortarem verbas das secretarias de cultura para melhorar transportes e outros serviços. Mais e melhores bibliotecas, centros culturais em funcionamento, menos desperdício com eventos festivos: temas para agregar à pauta das reivindicações.

Quer dizer que, neste momento, adeptos da Rede de Marina Silva colhem assinaturas na Marcha para Jesus, lado a lado com Marco Feliciano? Bah. Pfui. Quero distância, muita distância de quem chegar perto de Silas Malafaia e demagogos afins. Conheço gente boa, ambientalistas consistentes, ligados à formação desse novo partido. Onde enfiarão a cara?

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4 responses to this post.

  1. Gostei do seu rebatimento a expressão dinossauro, é uma tentativa talvez de jornalismo conservador adotar linguagem mais transgressiva. Mas a expressão me pareceu deslocada no seu caso, já que dá aulas de insurgência a públicos jovens e absolutamente comportados. Sobre os demais tópicos,aquele debate daria, no mínimo, uma página inteira ou muitos toques a mais. Mas sabemos da miudeza da atualidade em que ideias longas são espremidas em espaços curtos. Mas foi ótimo o nosso colega jornalista dar cobertura, mesmo nestes tempos miseráveis de mídia reduzida para o que realmente interessa sob uma perspectiva inovadora de análise. bj, valeu!

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  2. Mestre, sempre bom ler o que você disse ou tentou dizer. Mas quantos comentários estúpidos (na matéria) – baixíssimo nível de leitura, nota-se. Enfim, já estou puta com isso há um tempo – comentários em jornais restritos para assinantes, ao mesmo tempo comentaristas redundantes sem perfil ou nome – eu que já tentei várias vezes voltar a comentar ali, depois de ter acesso negado pra novos cadastros. Mas por que insistir nisso? Um editor de portal me disse por aí que percebeu que os comentários acabam criando uma espécie de “tendência” comentariosa (principalmente em contextos mais complexos); ou seja, os leitores não possuem filtro – completamente influenciáveis pela mensagem anterior. Talvez também nesse ponto, gostei, justo a falta de “fundamento e expressão cultural das manifestações”.

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  3. Posted by Eliane on 02/07/2013 at 00:11

    Eu sempre me declarei apartidária e no meu facebook algumas pessoas confundiram apartidário com antipartidário, tive até que esclarecer. Interessante que os mais conservadores ficaram com um pé atrás comigo achando que eu era contra os partidos. Na verdade sou contra os que estão aí. Mas engraçado mesmo é o horror que muitas pessoas têm da palavra anarquista, é como falar do diabo. Mas eu não sei se uma democracia direta no Brasil seria bem sucedida.
    Abraços.

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