Que as manifestações em curso incluam em sua pauta a defesa do ambiente e dos povos indígenas

Provocaram um abalo, fazendo que parlamentares e dirigentes públicos se pusessem a trabalhar. Seria ótimo o efeito reproduzir-se em temas vitais (sei que classificar a questão ambiental como vital é um pleonasmo). Principalmente, em face do modo como, cinicamente, ao mesmo tempo em que atendem ou encenam atender a reclamações populares, parlamentares vão rifando nossos índios, dando andamento a projetos que impossibilitarão novas demarcações. É o que se vê através deste informe recente:

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/447312-AGRICULTURA-APROVA-REGULAMENTACAO-DE-DEMARCACAO-DE-TERRAS-INDIGENAS.html

É golpe. Passariam a ser de relevante interesse público “os atos de ocupação, domínio e posse de áreas ocupadas por não-indígenas até 5 de outubro de 1988, desde que realizados de maneira pacífica, ou resultados de alienação ou concessão de direito de uso feita pelo Poder Público”. Portanto, invasões como as das terras aos pataxós do Sul da Bahia, em 1979, ou dos xavantes de Mato Grosso, igualmente naquela década, seriam sancionadas, e não mais corrigidas (nos dois casos –e  em outros – invasores ganharam títulos de propriedade).

Continua vivo, também, o projeto que submete novas demarcações de territórios indígenas ao Congresso, apesar de obviamente inconstitucional. E o executivo não desistiu de submeter reintegrações de índios à Embrapa.

Na pauta ambiental, o artigo a seguir mostra que é possível melhorar. Retrata o quanto estamos atrasados:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,na-area-de-energia-mudancas-animadoras-,1052642,0.htm

Uso da biomassa, energia eólica e solar, outras fontes renováveis vêm aí. São irreversíveis. E o Brasil está atrasado. É interessante o aproveitamento da biomassa, dos dejetos – como se realizasse um ideal da alquimia, conversão do “nigredo” em luz, energia.

Nossos governantes raciocinam como petroleiros: exemplo, a observação da dirigente da Petrobrás, Graça Foster, de que congestionamentos beneficiam o faturamento da empresa.  E como empreiteiros: atender a demandas de energia é tocar grandes obras, e o vertiginoso crescimento do desmatamento, da ordem de 400%, concentrado no entorno de Belo Monte, seria um mal necessário. Nenhuma atenção ao desperdício de 40% da energia, desde a fonte produtora até o usuário. Preferem gastar em obras a investir em programas de economia.

Possíveis conseqüências impressionam. Se matriz energética for mudando– a exemplo do que já fazem os Estados Unidos, adotando o metano –, cairá o valor do petróleo. Haverá um abalo geopolítico. Projeto do pré-sal, grande aposta governamental, perderia viabilidade. O que está ocorrendo com as empresas de Eike Batista, o bilionário oportunista da vez (apoiado por verbas públicas, como sempre), pode ser apenas o começo.

Allen Ginsberg já anunciava / denunciava isso, na década de 1970.

Voltarei a escrever sobre as manifestações –e as recentes tentativas de desqualificá-las, acompanhadas pelo fracasso em instrumentalizá-las.

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8 responses to this post.

  1. […] « Que as manifestações em curso incluam em sua pauta a defesa do ambiente e dos povos indígena… […]

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    • Claudio, é impressionante como a “invasao” do Congresso Nacional pelos indígenas inspirou os movimentos de rua, assim como aqui no Rio o ataque dos meus amigos índios da Aldeia Maracana por balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio antecedeu os manifestacoes de rua!
      Dinah Guimaraens, mae de Auigusto de Guimaraens Cavalcanti, irma de Afonso Henriques Neto e prima de Lucas Guimaraens

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  2. “A wall, a wall, a Mesa Wall, There´s desert
    flat mountains shadows
    miles along the pale pink floor:
    – Indio in space.

    The breath of spring, the breath of fear
    Mexican border…
    The LSD cube –
    silence.”

    (Allen Ginberg, HIWAY POESY LA-ALBUQUERQUE-TEXAS-WICHITA- The Fall of America-poems of thses states-1965-1971)

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  3. Willer, voce é uma inspiracao Beat!

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  4. Vou lhe enviar meu livro Museu de Arte e Origens (nome em homenagem a Mário Pedrosa e seu Museu das Origens), projeto de pós-doutorado que fiz na New Mexico University com professores Navajo e Pueblo Indians e que implantei na década de 1990 no Museu de Belas Artes-IPHAN do qual fui Vice-Diretora, qual seu endereco?

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