Palestra: Drogas e literatura – minha sinopse

Desta vez, preferi digitar tópicos da palestra, em vez de anotar no caderno. Como está digitado, resolvi postar. Serve como guia para quem assistiu á palestra; e para quem não pôde vir, também, acho.

Nota postada no dia seguinte: consegui cobrir todos esses tópicos – mas, decididamente, dariam assunto para série de três palestras, no mínimo. Gostei do debate ao final, com os comentários sobre Walter Benjamin, que deveria ter examinado, e sociologia de boa qualidade. E psicologia, a questão de onde pega, em qual esfera: afetiva ou cognitiva? A meu ver, principalmente na linguagem, na esfera simbólica, constitutiva das demais. A idéia da consciência como “palimpsesto” em De Quincey e Baudelaire: como foram precursores.

Para Alberto Marsicano, in memoriam

1)      “Hino à beleza” de Baudelaire: antinomias, ambivalência – a experiência da ‘droga’;

2)      O tema:

  1. inventário, quem tomou o que (por exemplo, a droga e os poetas vitorianos)
  2. a droga presente na criação – p. ex. Kubla Khan de Coleridge
  3. os relatos dos efeitos da droga: De Quincey, Gautier
  4. a droga, constitutiva de uma poética ou uma estética: Baudelaire, Ginsberg, Henri Michaux, Octavio Paz

3)      Pistas beat, 1: Ginsberg, na entrevista da Paris Review – poetas do lago, Lake Poets: William Woordsworth, Robert Southey, Samuel Coleridge, Thomas de Quincey; o espantoso dr. Humphry Davy.

4)      Thomas de Quincey, figura colossal – a notícia sobre ele por Breton – informação biográfica. Confissões: os prazeres do ópio, os sofrimentos do ópio – as alucinações, o malaio etc; Piranesi; possível paralelo com Naked Lunch, Almoço nu, de Burroughs.

5)      Pistas beat, 2: The Beat Hotel de Barry Miles: o Impasse Doyenné, os Jeune France, os bouzingots (vem do inglês booze segundo o Hachette): Gérard de Nerval, Théophile Gautier; Pétrus Borel, Xavier Forneret, Charles Nodier; Charles Asselineau (notícia sobre eles por Breton) – originam o grupo do Hotel Pimodan: entra em cena Baudelaire.

6)      Baudelaire: Os paraísos artificiais: significado do título; a descrição das percepções e estados; “nostalgia do infinito”; comentários e transcrições de De Quincey, um texto solidário; a natureza ambivalente do haxixe, a descrição dos efeitos; principalmente, a percepção das correspondências e harmonias, base de sua poética e da sua estética;

7)      ler o poema “Correspondências”; os trechos de Salão de 1846;

8)      La mystique de Baudelaire de Jean Pommier (de 1924… – a inutilidade de Letras e teoria literária….): estabelece a relação de correspondências com: haxixe; esoterismo; filosofia; literatura romântica (comentar que Paul Valéry não entendeu nada, ou entendeu Baudelaire ao contrário?) – corroborado por biógrafos como Pichois;

9)      Geração seguinte: Rimbaud e os “assassinos”. haxixim; “decadentistas”; absinto – tema da droga torna-se demais, sobra;

10)  Artaud vs Aragon e Breton. Sua defesa do ópio.

11)  Geração beat: o tema sobra. ‘Drogas’ passam a ter um novo sentido: a “nova consciência”. (selecionando): Kerouac em Tristessa, solidário com os drogados; Burroughs e seus inventários em Junky: seu relativismo, o além-drogas e os cut-up.

12)  Ginsberg 1: o desregrado, místico e profeta; a politização do tema, a denúncia da proibição como origem do tráfico e do crime organizado em Allen Verbatim; perseguição à assistência médica a viciados e outras barbaridades; seu combate à hipocrisia;

13)  Ginsberg 2: alucinógenos na gênese da sua poética; os petits riens de Cézanne, paralelo com a imagem poética surrealista; como Ginsberg refez a experiência de Baudelaire em Paraísos artificiais.

14)  Henri Michaux: Miserable mirâcle, L’infini turbulent, Conaissance par les gouffres. Michaux já era assim, escrevia desse modo, antes de tomar mescalina.

15)  Os brilhantes comentários de Octavio Paz sobre mescalina, Michaux e o restante, drogas incomodan às sociedades fundadas na moral do trabalho, paralelos com misticismo etc, em Corriente alterna .

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6 responses to this post.

  1. Posted by Helder Parra on 20/08/2013 at 22:51

    Parabéns pela palestra e de sua tão eficaz divisão em temas. Assunto longo, profundo, com ramificações imprevisíveis e espontâneas. Como, acredito, uma explanação mais profunda quanto a influência estética e comportamental da benzedrina na obra de Kerouac. Precisa de mais tempo. Precisa de curso com alucinada bibliografia. Por favor avise-nos. Obrigado. Abraços.

    Responder

  2. Foi brilhante. Um passeio histórico sobre o tema: de Thomas de Quincey, passando por Baudelaire até Ginsberg. Muita informação para quem pesquisa, uma aula de literatura a partir do tema: uso de drogas e criação. Se for dar um curso extensivo na Escola de Enfermagem, vou fazer. Interessa-me pelo ponto de vista do “delírio” e a criação literária, não pesquiso esta relação com as drogas, mas sob a ótica da loucura, daí meu interesse. Parabéns pela abordagem tão interessante de um tema complexo!

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  3. Posted by Leonardo on 21/08/2013 at 15:42

    Claudio,

    estive na palestra ontem e gostei muito. Você deveria considerar seriamente organizar um curso livre sobre o tema.

    Responder

  4. […] no dia 20 de agosto de 2013. Após os vídeos, confira sinopse da aula publicada por Willer em seu blog  e que sintetiza algumas das inúmeras indicações dadas pelo professor em sua […]

    Responder

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