Poetas malditos e Piva: ensaio em Eutomia, e mais

Saiu meu ensaio, “Poetas malditos: de Baudelaire e Nerval a Piva” em Eutomia, o periódico on line editado por Sueli Cavendish, da Universidade Federal de Pernambuco. Está em:

http://www.repositorios.ufpe.br/revistas/index.php/EUTOMIA/article/view/244

Reparem que, no pé da página, tem botão para abrir o pdf. E no pdf tem botão para ‘tela cheia’. Portanto, cliquem no link, nos botões, e leiam o ensaio.

Em um evento universitário recente tratando desse tema, de considerável diversidade, um participante declarou que não há mais poetas malditos. Minha intenção, ao escrever o artigo, foi tentar especificar com maior clareza – através de algum deslocamento da sociologia para a literatura comparada – o que vêm a ser poetas malditos. Sustento que o uso dessa categoria é consistente ou apropriado, quando aplicado à linhagem que vem de Baudelaire e Nerval até Piva, passando (evidentemente) por Rimbaud. O ensaio também costura algumas pontas soltas em meu Um obscuro encanto, e prossegue observações em meu artigo sobre Rimbaud na revista Cult.

Evidentemente, o tema sobra. Em cursos sobre poetas malditos – o mais recente, na Casa das Rosas em 2010 – também examinei outros autores. Mas me parece que, desta vez, além de circunscrever a categoria, justificar seu uso e mostrar a raiz remota – xamanismo, mito de Orfeu – e ao mesmo tempo a contemporaneidade, contribuí para esclarecer a relação de Piva com Dante. E suas posições políticas mais recentes, o monarquismo (por décadas, declarou-se marxista), estranho à primeira vista, porém simbolicamente substancioso.

Haverá mais. Após escrever o artigo e dar palestra – esta: https://claudiowiller.wordpress.com/2013/06/24/palestra-em-diadema-poetas-malditos-e-piva/ – enxerguei motivos adicionais para o Inferno ser o best-seller da trilogia de Dante (notem bem, de Dante, e não desse deplorável contemporâneo) e despertar tamanha fascinação em românticos e neo-românticos rebeldes.

Já havia, a convite de Sueli, publicado poemas em Eutomia:

http://www.revistaeutomia.com.br/volumes/Ano4-Volume1/poesias/POEMASCLAUDIOWILLER.pdf

Este fim de semana saiu também artigo meu sobre Buñuel e religião, em Tertúlia, de Renato Alessandro dos Santos:

http://www.tertuliaonline.com.br/postagem/ver/326

Repito meu bordão preferido: haverá mais …! Publicarei uma pequena série sobre surrealismo e cinema.

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5 responses to this post.

  1. Posted by Ruth Sá on 26/08/2013 at 22:00

    Claudio Willer incansável. Que beleza!

    Responder

  2. Maravillosa plancha! E sublime ensaio! Remeter os poetas malditos á sua origem xamâmica é algo que imediatamente me faz lembrar o ensaio da crítica argentina Graciela Maturo, amiga de Cortázar, que traduzi fragmentária e porcamente para postar no meu blog ”O POEMA COMO VIA DE ACESSO AO SAGRADO”, do qual cito (ou colo) uns pedaços ainda mais fragmentados: ”(… A abertura da consciência aos dados imediatos da natureza, constitui o primeiro passo de um processo cognitivo que põe em marcha a faculdade SIMBOLIZANTE, o poder de dar sentido ás imagens inicialmente caóticas que vê………………….O poeta pratica um modo de contemplação próprio das disciplinas mistéricas: é um irregular, dizia Claudel, que põe em ato espontâneamente os passos de um místico contemplativo, um yogui ou um iniciado em mistérios antigos…………………Contemplar leva em si a raiz de templum, e com efeito, designa o ingresso em uma atmosfera irracional, que amplia o campo do conhecimento e faz possível a apropriação de um novo nível de realidade……………….Uma antiga tradição, vertebrante na cultura ocidental, afirma o valor INICIÁTICO da poesia e das artes em geral, que os gregos agruparam no âmbito sagrado da ”MOUSIKÉ”. Simbolizada na legendária figura de Orfeu, a tradição órfica foi – mais que uma filosofia – o fruto de uma religião mistérica ligada ao cultivo da terra e á iniciação espiritual (Eliade, 1960; Álvarez de Miranda, 1961)………………………. E se continuou assim uma noção encantatória da linguagem poética que é afirmada desde o Livro dos Mortos egípicio até certas obras de estudiosos modernos da poesia (Ghyka, 1938, 1949; L. S. Z. Galtier, 1965; Azcuy, 1966). …………………………… A mirada poética abre a realidade do mundo e promove a emergência do subconsciente transcendental, señalado como meta por Federico von Hardenberg, conocido como Novalis: A TAREFA SUPREMA DE TODA E QUALQUER CULTURA CONSISTE EM APODERAR-SE DO SUBCONSCIENTE TRANSCENDENTAL, CONVERTENDO-O EM TERRITÓRIO VISITÁVEL Á TODOS (Novalis, 1948, p.51)………………….A escola órfico-pitagórica atribuía esta necessidade á essencia musical da alma, que ao sintonizar os ritmos cosmicos das zonas avançadas do subconsciente tomava consciencia de sua origem divina………………………Em tais instâncias de reconhecimento intelectual de seu próprio ofício, a menudo aparece no poeta um redescobrimento do MITO. è prório do poeta e absolutamente natural que ele se instale e sinta-se á vontade dentro do PENSAMENTO MÍTICO, confundindo-se e reconhecendo-se em seus personagens, como o fizeram com Orfeu os poetas Jean Cocteau y Rosamel del Valle, o con Narciso, Paul Valéry y José Lezama Lima……………………..Dentro de esa circularidad, el lenguaje se afirma como función inexcusable. En otros términos lo anticipaba el maestro Swedenborg: La palabra es el puente entre la tierra y el cielo.
    Não sei se chega a ser inconveniente seguir posteando comentarios tan largos aqui en su blog…
    Nesse video de uma palestra de Terrence Mckenna, outra dualidade digna de nota, cara tanto á poetas malditos quanto á budas biotecnológicos, ocultistas cyberpunks, anarquistas ontológicos e xamãs de tribos indígenas: entre XAMANISMO e ESQUIZOFRENIA

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  3. Posted by Diego Tardivo on 28/08/2013 at 17:48

    Adoro os poemas de Piva e o conjunto de sua obra. Faz bem em divulgar, Willer. Ponto a seu favor.

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  4. Simpatía y respeto por el Diablo.

    La Piedad ha de perfeccionar al Conocimiento. El conocimiento del Diablo es imprescindible, allende y aquende todos los subterfugios pseudometafísicos, racionalistas y psicologistas. Conocerlo sin simpatía no conduciría a la comprensión que es la partera del AMOR que vence a la muerte. En esto último, parafraseamos a los dos más grandes florentinos y verdaderos romanos: DANTE y PAPINI.

    “También por el negro portal del pecado se puede entrar en el Reino de Dios” ( Giovanni Papini)

    No intentamos atribuirle este consejo ni denotar ni connotar que Papini ratificara esta tesis; es más la rectifica y refuta bastante a lo largo de su obra. No obstante, dicha tesis, bien interpretada, es decir mentada sólo a partir de lo analógico y sopesada en el meritorio territorio de las realizaciones anagógicas, está en los campos semánticos y pneumáticos de PLOTINO ( No se trata de ser bueno sino de ser Dios), de MAHOMA y LUTERO ( El Diablo no sólo tiene sus derechos sino que merece respeto), de Meister Eckhardt ( Cometería 80.000 pecados mortales si ello me llevara a Dios), de BLAKE / El camino del exceso conduce al palacio de la Sabiduría), de IBN ARABI ( Que el faquir peque en todo , menos en la orientación hacia el centro), etc.

    El que más sabe de religión es el Diablo (proverbio musulmán).
    La religión es el Diablo ( tesis del tassawwuf o esoterismo islámico). El Diablo porta el collar de la maldicón y está desacreditado porque es el único que conoce el secreto que esta a la vista en la apariencia de Adán (Atar) El Diablo, el Principe de este Mundo y el Demiurgo son una y la misma cosa:nuestro alucinar una creación y distinguir entre el Bien y el Mal (Guenón y un proverbio hindú:”El Mal es distinguir entre el Bien y el Mal; el Bien, superar a ambos”)

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