Biografias, artistas e bostas de vaca

Tenho especial predileção por comédias do Gordo e Magro, Laurel & Hardy, pelo corrosivo humor anarquista. Em um dos filmes da dupla, dos mais fracos, quando já estavam decadentes, ambos morrem em um desastre aéreo. Fugiam da cadeia em um teco-teco. Seus espectros olham para o campo onde caiu o avião no qual voavam, e vêem uma vaca pastando. O filme termina com um diálogo (reproduzo de memória). Oliver Hardy, o Gordo, vira-se para Laurel: “Pois é, Stan, veja como são as coisas, você está enterrado neste pasto, o capim vai crescer em cima de você, a vaca vai comer o capim, vai digerir o capim, vai despejar o que digeriu, fazer plof-plof-plof, eu vou olhar para o monte de bosta e dizer, puxa vida, como você mudou…” Stan Laurel, o Magro, responde: “Pois é, Ollie, veja como são as coisas, você está enterrado neste pasto, o capim vai crescer em cima de você, a vaca vai comer o capim, vai digerir o capim, vai despejar o que digeriu, fazer plof-plof-plof, eu vou olhar para o monte de esterco e dizer, puxa vida, como você não mudou nada…”

A cena me ocorre com freqüência. Lembrança suscitada por vários políticos contemporâneos, administradores públicos e também por artistas. Mais recentemente – hoje – por causa do apoio de Caetano, Gil etc à censura prévia a biografias defendida por Roberto Carlos.

Comentário a respeito:

http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2013/10/05/chico-gil-caetano-e-djavan-de-censurados-a-censores/

Aberração brasileira, isso só existe aqui – e dá-lhe aberração pois abrange até gente em domínio público, biografia de Lampião, imagine, e de Noel Rosa…. Já havia tratado desse assunto, em meu artigo “Em defesa das biografias”:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag66willer.htm

Agora, nessa altura dos acontecimentos, não argumento mais. Só ironias, como essa da história do Gordo e o Magro. Eles mudaram muito ou não mudaram nada? Em qualquer caso, plof-plof-plof e outras sonoridades para eles.

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3 responses to this post.

  1. Isso, mestre Willer!… Leis que apenas empobrecem nossa cultura.

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  2. E a propósito do “Gordo e o Magro”: “faziam ironia fina”e me acompanharam em parte das minhas madrugadas de insônia na infância (fim dos 70/início dos 80), quando ligava a única tv (p&b) da casa para assistir esses figuras…

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  3. Confesso que essa atitude deles me surpreendeu, não esperava.

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