Antonin Artaud: o ensaio e mais

Já me havia referido a esse texto de 1983. Copidesquei, adicionei as principais referências bibliográficas. Preferi colocar à disposição neste simpático Academia.edu:

http://independent.academia.edu/ClaudioWiller

Se fosse para periódico, teria que atualizar mais, rastrear bibliografia, localizar citações. Melhor, oportunamente, fazer algo novo. Confiram se adiciona ou só tem valor documental, da época da preparação da coletânea de Artaud.

Além de Escritos de Antonin Artaud (L&PM, esgotado), tenho mais. Meu preferido, a conversa com Paule Thévenin, amiga, secretária e subseqüente organizadora da sua obra completa. Figura admirável. Foi durante um Evento Artaud no Rio de Janeiro em 1987 (aquele campus com edifícios antigos entre a Urca e Praia Vermelha, é UFRJ ou UERJ?), participávamos, publiquei em seguida no Leia e recuperei em Agulha:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag1willer.htm

Confirma algumas das hipóteses ou intuições no ensaio anterior, esse que recuperei.

Minha participação naquele Evento Artaud: relatei como havia sido a leitura do Van Gogh no ano anterior em São Tomé das Letras – à noite em um galpão sem paredes à beira do abismo, tempestade de relâmpagos, luz interrompida, escuridão total, lanterna na mão, lendo cada vez mais forte á medida que crescia o temporal, legítimo teatro da crueldade, a natureza acompanhando, quem assistiu achou eletrizante. Parece história do Marsicano. Daria crônica, escreverei.

Também em Agulha, um primeiro texto sobre as glossolalias – depois ampliaria o exame do tema:

http://www.revista.agulha.nom.br/agwiller7.htm

É o que li em uma sessão no auditório da Folha de S. P. em 1998, pelos 50 anos da morte dele. Houve manifestações, colaborei, encenação no MASP de A conquista do México por Maura Baiocchi e Wolfgang Pannek e Para acabar com o julgamento de Deus pelo Oficina / Zé Celso.

Um texto de que gosto muito, já aqui, deste blog, sobre a relação de Artaud e André Breton:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/02/03/andre-breton-e-antonin-artaud/

Corrige distorções, acho – equívocos da crítica mal informada sobre a relação dele com surrealismo. É de 2012. Foi aproveitado por Marcelo Marcus Fonseca e seu Teatro do Incêndio, adaptado e incorporado a São Paulo surrealista, 1.

Ir além, francamente, só com subvenção ou cachê substancioso.

A propósito, o esgotadíssimo Escritos de Antonin Artaud após sucessivas reedições – teve aquela confusão com sucessores depois da morte de Paule Thévenin, e a Gallimard afrescalhou, avisou que só negociava direitos de toda a obra completa – pesquisava no Google, apareceu um bom pedaço da edição, inclusive meu prefácio, postado por um tal de Coletivo Sabotagem. Tudo bem, já que não está disponível, mas é um desaforo reproduzirem sem os créditos, não dizerem qual edição, nem que fui eu quem preparou. Roubar direitos autorais, em alguns casos pode ser – mas sonegar informação e desrespeitar trabalho alheio, isso não.

Ainda a propósito daquela edição (que retorne, está viva, vejo pela bibliografia subseqüente, ensaios sobre Artaud que citam), nunca ninguém reclamou de eu traduzir Van Gogh, le suicidé de la societé por Van Gogh, o suicidado pela sociedade. Até elogiaram. Isso, apesar de suicidé, em francês, ser um suicida. Mas também existe suicidaire. Artaud endossa o uso reflexivo em “O suicídio é uma solução?”, de 1925: “E certamente já morri faz tempo, já me suicidei. Me suicidaram, quero dizer”. E, como tradutor, jamais faria “o suicida da” ou “o suicidado da”.

Dedico esta postagem à resistência contra o fechamento da Escola Livre de Teatro de Santo André, bem documentada neste vídeo recente: http://escolalivredeteatro.blogspot.com.br/  

Que todos os administradores públicos que depreciam a cultura sejam sempre achincalhados. Se me levarem (e trouxerem) vou lá e dou palestra, esqueçam o que escrevi sobre cachê – pode ser sobre Artaud.

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5 responses to this post.

  1. Muito bom seu ensaio sobre Artaud, as fotografias dele sempre me impressionaram, aquele homem lindo na juventude, fotografado por Man Ray, até a figura deformada pelo sofrimento. Pudera, ser internado em hospícios modifica mesmo visivelmente as pessoas e sua descrição dos hospitais psiquiátricos apontam para a mesma agonia presente na obra de Maura Lopes Cançado, escritora psicótica, que descreve o hospital com uma angústia de atravessar o tempo e a alma da gente em Hospício é Deus.

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  2. Maravilhosa plancha!

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  3. Posted by Anna Livia on 10/10/2013 at 20:36

    Willer, alguma chance do “Escritos de Antonin Artaud” ser reeditado?!

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