Brasil em Frankfurt: alguma repercussão

O motivo da postagem é que, dessa vez, prognósticos pessimistas de outra publicação, do começo deste ano, não se confirmaram:

https://claudiowiller.wordpress.com/2013/02/07/brasil-tema-da-feira-do-livro-de-frankfurt-de-2013/

Felizmente, não engrossamos a lista de trapalhadas que havia relatado aqui, nesta postagem:

https://claudiowiller.wordpress.com/2013/02/10/ainda-a-proposito-do-brasil-em-frankfurt-no-resto-do-mundo-e-aqui-mesmo/

Tanto melhor. Não faço questão de ser profeta do desastre.

Ainda com base em notícias, antes de ouvir quem esteve lá, gostei da transformação da Frankfurter Messe em tribuna para ampliar protestos contra o cerceamento de biografias no Brasil (o que deu neles? como assim, Gilberto Gil, defensor do creative commons, ele que defendeu a liberação geral no meio digital – quer dizer que pode, desde que não mexam com ele?).

Detalhe patético, Ziraldo e outros reclamarem da fala de Luiz Ruffato. Nélida, entendendo aquela série de informações consabidas como “falar mal”. Gente, ufanismo teve sua época, passou. Sim, Brasil tem lindas praias – algo prejudicadas, ultimamente, pela falta de saneamento, especulação imobiliária, desmatamentos e aterros de mangues. E sim, a diversidade cultural é extraordinária – comprometida pelas ameaças à sobrevivência de alguns povos indígenas.

Outra hora, examino hipertrofia da representação do eixo Rio – São Paulo. Ou já: mandem aquele governador do Ceará parar de desviar recursos para shows superfaturados (um dos muitos exemplos estaduais e municipais, e acho que faltou o Ruffato bater nessa tecla também) e investir mais na formação de leitores e divulgação de bons autores locais – aí, cresce a chance de ultrapassarem fronteiras.

Listas, representações de escritores: já houve piores. Poesia sempre continuará à margem, exceto nos festivais dedicados ao gênero. Se fosse comigo, seria mais propositivo: incluiria entre os homenageados um Campos de Carvalho, por exemplo – lá fora, entenderiam do que se trata, isso ajudaria a difundi-lo aqui. Método para corrigir distorções: comparecer mais. Haverá novo teste ano que vem: Paris 2014, seremos tema no Salon du Livre (inform,ado em tempo, corrijo: será em 2015).

Mas que tal discutirmos também as representações de escritores aqui, em nossas mostras e feiras? Começando por nossos dois eventos mais importantes, as bienais de São Paulo e do Rio. Órgão culturais públicos e organizadores não poderiam preparar mais ciclos de apresentações de autores brasileiros no Brasil? Voltar a promover sessões de avaliação da criação contemporânea? Ambas, especialmente a Bienal de São Paulo, já tiveram dias melhores, com séries de palestras e debates menos aleatórias. Quem sabe, uma simbiose com iniciativas bem sucedidas, a exemplo da Balada Literária.

Afinal, se é para apontar branqueamento, ausência de minorias, gêneros, regiões, então o exemplo deveria partir daqui. Ótimo difundir literatura brasileira no exterior: mas que seja acompanhada por avanços na formação de leitores brasileiros.

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5 responses to this post.

  1. Posted by Raul Fiker on 14/10/2013 at 18:20

    Entre a troupe de cantores censores, me lembro do Gilberto Gil, num show na época da ditadura, dizendo que o Geisel era “simpático”. A troupe deveria ir cantar em outra freguesia. Já encheram o saco.

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  2. Posted by maria das graças dos santos on 15/10/2013 at 14:21

    Com este MinC que pouco investiu na Feira ( aliás em todas nacionais e internacionais) tudo a criticar… Uma politica cultural centrada na visão da BN…e baixa particpação de nossos escritores quanto ao formato deste evento literario mundial. Mas, sinceramente, “lavei minha alma” de mineira com o barulho colossal que meu conterrãneo Luiz Ruffato aprontou la… Nota Dez para ele… e olhe que ele também não faz por menos quando escreve sobre esta cidade ( que eu adoro).

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  3. Posted by Diego Tardivo on 16/10/2013 at 19:03

    Você acerta em cheio quando diz que ufanismo passou, Willer. Lembrando que os surrealistas eram declaradamente antipatriotas. Se não leu, leia Viagem ao Fim da Noite, de Céline. Uma aula de antipatriotismo. Mas o caso do Ruffato é o seguinte: a um primeiro vislumbre nos parece que ele teve um gesto nobre, mas depois percebe-se que ele não foi nem corajoso nem covarde, apenas ingênuo. De que adianta falar de mazelas sociais num evento literário? Vai mudar alguma coisa?

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