Shows e malandragem

Nos últimos três meses, estive com três secretários municipais de cultura. Serviu para constatar que secretários municipais de cultura são diferentes uns dos outros, inclusive fisicamente.

Comentei os shows promovidos por municipalidades. Por aquelas que não visito, é claro. Também por estados e órgãos federais, mas é nos municípios que prolifera o baixo populismo. Em lugares à míngua de recursos para outras programações e bons serviços públicos em geral. Pagando uma nota alta, oferecendo espetáculos cuja qualidade, na maioria, não discrepa do que sai do automóvel com o som a todo volume ou da insistente balada clandestina aqui perto.

A malandragem é notória. Cachês artísticos não são subordinados à lei das licitações. Alguns pagam alto e recebem o troco. Do tipo contratar por R$ 120.000,00, pagar R$ 40.000,00 e ficar com R$ 60.000,00. Sei de casos, de boas fontes. Todo mundo sabe. Está na cara. Uma vez ou outra dá escândalo, como o caso de Ivete Sangalo em Sobral, os R$ 600.000,00 que ela garante nunca ter recebido. Mas são exceções. Parâmetro dessas contratações seria o “valor de mercado”. Ora, mas se o mercado está inflacionado por esses rolos, então o resultado do levantamento de preços também virá inflacionado.

Bom exemplo foi dado, este ano, por São Paulo, nos espetáculos da virada do ano. Não gastaram nada com cachês. Claro – se junta público, interessa a patrocinadores; esses se incumbem.

A disparidade dos cachês, nesta matéria de hoje (03/01) na Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/146163-quanto-vale-o-show.shtml

Como sempre, estouro de valores foi cearense, em Fortaleza. Quem é “Gusttavo Lima”, que vale R$ 600.000,00?

Proibir shows com dinheiro público? Nem precisa. Bastava algum TCU ou CGU pedir prestação de contas igual àquelas de Lei Rouanet, PROAC etc. Quem for receber, produtor ou empresário, que abra conta bancária separada e mostre os recibos de cada item das despesas. Não implantam porque não querem. Outras saídas de dinheiro público são sujeitas a burocracias espantosas, redundantes, já comentei aqui. Mas nessa modalidade ninguém mexe.

Faz tempo que eu estava para comentar isso.

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One response to this post.

  1. Em cidades pequenas, a coisa é mais descarada, porque não dá repercussão, conheço muitas historietas assim. É bom alertar para essa vergonha.

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