Ainda o Maranhão

Na postagem anterior, eu me fixei na espantosa nota da assessoria de comunicações local, e em evocações de quando estive lá, além de projetar paradigmas de teoria literária. Se alguém achar que fiz leitura estética, talvez tenha razão. Obviamente, não desconheço outras aspectos da questão:

  1. Em primeiro lugar, que o Maranhão fica no Brasil; e vice-versa, no sentido de coisas como essas ocorrerem em outros lugares. Literalmente, de Norte a Sul – e também  de Leste a Oeste, com episódios semelhantes em Rondônia e a situação do presídio de Porto Alegre. Sistema de controle de presídios por gangues foi      importado de São Paulo e do Rio de Janeiro. Caso particular, portanto, de uma situação nacional, e não só local.
  2. No entanto, no Maranhão as coisas desandaram pela inexistência ou existência apenas formal de Tribunal de Contas, Ministério Público, oposição parlamentar etc. É regime   de oligarquia em estado puro. Deu nisso.
  3. Procede  criticar a política de alianças do governo federal, acolhendo e apoiando essa gente; consequentemente, contemporizando. No entanto, oposições fazem a  mesma coisa; procuram firmar os mesmos pactos; isso, quando não são, por  si só, a mais pura expressão de oligarquias. Futuro preocupa.
  4. Agentes públicos do Maranhão deram declarações reclamando de “terceirização”, da “empresa terceirizada” que estaria cuidando mal dos presídios,  resultando no que vemos. Ora, mas quem governa é o governo, quer seja em regime de terceirização ou administração direta. É a instância que contrata, fiscaliza, planeja, distribui verbas; que tem a  responsabilidade.
  5. A      propósito, verbas para administração prisional, para esses      terceirizados, cresceram . Algo ficou no meio do caminho,  pelo visto. De modo tipicamente brasileiro.
  6. Há outro conflito importante no Maranhão, decorrente da desocupação da reserva dos  índios awá-guajá. Certamente, a líder ruralista Katia Abreu reclama de  expulsarem “famílias” de “pequenos agricultores”. Predadores, isso sim. Garimpeiros e madeireiros clandestinos, além de caçadores e traficantes de espécies nativas. Destroem a última reserva natural desse estado. Incrível, quando estive lá pela primeira vez, na região de Pindaré,  era mato por todo lado. Entrei, dormi em rede, em barracos no meio da      mata. Índios conviviam pacificamente. Ganhei belos arcos e flechas, acho que dos índios gavião.

Motivos adicionais para publicar crônicas.

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