34 coisas piores que rolês em shoppings com relação às quais ninguém faz nada

Ia prosseguir sobre a aversão criptonazista à cultura dos defensores da repressão policial a rolês, os que não argumentam mas vociferam ao acusar “intelectuais” e “sociólogos” pela bagunça que os próprios shoppings provocaram. – igual aos ruralistas acusando “antropólogos” por índios querem de volta terras que eles invadiram. Ia propor mais sociologia, antropologia, história, filosofia, crítica literária, semiologia e semiótica, para entender o contraste e a tensão entre a rua e o shopping. Ia qualificar a garotada dos rolês como heréticos da religião do consumo, igual às rebeliões religiosas medievais com relação à igreja institucional. Ia projetar Sartre, “Saint Genêt, comédien et martyr”, para mostrar que estão produzindo ladrões de lojas ao criminalizá-los.
Mas não – é bater em cachorro morto. Secretários de segurança, juízes e outras autoridades já disseram que rolê não é crime. Condenaram-se ao ridículo depois de insanidades como quererem reclamar com Dilma, sem perceberem que presidente não é diretora de escola.
Prefiro fazer uma lista (parcial) do restante. Do que não gera essa comoção toda, pois não traz prejuízos a lojistas de shopping centes:

  1. torcidas organizadas de clubes de futebol
  2. motoristas que fecham o cruzamento, param atravessados e sobre a faixa de pedestres
  3. coletivos que fazem isso, param sobre a faixa e o cruzamento
  4. motoristas que nem aí de você querer atravessar em faixa de pedestres, te abstraem, se você deixar passam por cima
  5. motoristas que transformam postos de combustível nas esquinas de avenidas em pátio de manobras para conversões proibidas à esquerda
  6. motoristas que passam com aquele som alto de tum-tum-tum – prosseguem apesar da proibição
  7. gente mal educada no metrô, garotões robustos que sentam folgadamente nos bancos azuis preferenciais
  8. gente mal  educada no metrô, mães que instalam filho de 5 anos no banco azul em vez de pô-lo no colo
  9. gente mal  educada no metrô: passageiros que acham que o melhor lugar para ficar no vagão cheio é junto da porta e não saem, atrapalhando que entra ou sai
  10. gente mal  educada no metrô, os que forçam entrada no vagão lotado quando você está tentando sair
  11. gente mal  educada no metrô, os que entram por fora daquelas grades, para não ter que esperar a vez
  12. gente mal educada no metrô, os que ficam do outro lado em estações com entrada de um lado e saída do outro, como a da Sé, para não precisarem esperar a vez
  13. gente mal educada no metrô, os que vão na corrida para alcançar as escadas rolantes
  14. as estações  do metrô mal dimensionadas
  15. a infernal passagem entre as estações Paulista e Consolação
  16. gente que ocupa todo o espaço em calçadas, sem deixar você passar
  17. gente apressada que segue em linha reta em calçadas e estações do metrô, supondo que você vai sair da frente,
  18. gente mal educada em restaurantes, falando alto no ligado no viva voz,
  19. gente mal educada em restaurantes, berrando na mesa ao lado ou em outra mesa, dá na mesma, tão alto que você nem consegue pensar, quanto mais conversar (isso realmente é coisa de brasileiro típico)
  20. shopping  centers que sãolabirintos e põem lances de escada rolante em extremos opostos, para te fazer passar em frente de todas as  lojas
  21. operadoras de celuar pré-pago que suprimem seus créditos se você não usá-los – isso é roubo
  22. telemarketing da Vivo, telefonemas agressivos e repetidos de alguém querendo vender “fibra ótica”;
  23. sistema de atendimento da Vivo, por identificação vocal para não terem que contratar seres humanos, não funciona
  24. “check in” de aeroportos, embarques de aeroportos, desembarques em aeroportos, restituição de bagagem em aeroportos
  25. SAC de empresas aéreas, sem chance de conseguir falar com alguém por telefone
  26. propaganda de cerveja na TV (acham que público alvo é composto por débeis mentais)
  27. cervejas  brasileiras (usam arroz em vez de cereais)
  28. grafites redundantes, sempre os mesmos rabiscos – são covardes, picham fachadas de classe média e pequeno comércio, pois as dos ricos são vigiados – nenhum deles tem coragem de fazer um passaralho em templos ou cartazes dizendo “esta cidade é de Cristo”
  29. obras de construções que fazem um barulhão infernal na sua rua
  30. obras de construções que esburacam sua rua
  31. obras de reforma  em outro apê do seu prédio, barulhão infernal o dia todo
  32. obras e edificações irregulares que são abstraídas
  33. todas as cidades menores em que tudo isso ocorre numa escala muito maior do que em São Paulo (a província sempre imita o pior das metròpoles)
  34. Galvão Bueno

Alguma coisa até melhorou nos últimos anos. Alguns tópicos, como truculência policial, não incluí, pois têm tido repercussão e gerado algumas providências. Há muito mais, porém, acho. Podem ir acrescentando nos comentários.

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7 responses to this post.

  1. ‘Galvão Bueno’ fechou com chave de ouro! Sobre passagens de metrô, a integração entre estação de trens da luz e linha amarela/azul do metrô é uma verdadeira experiência bovina ao alcance de quem tiver o azar de estar ali no horário de pico (que é cada vez mais extenso, e olha que a linha amarela ficou pronta faz pouco tempo, e não dá para acreditar que os responsáveis pela passagem dela com o trem e a linha azul não tenha imaginado a quantidade de pessoas que passam por ali) é triste, e o pior é que as pessoas já se acostumaram a percorrer um trajeto de 100 metros em 20 minutos ali, amarrotados sob olhar das caras-feias dos seguranças e prensados por grades típicas de abatedouro. Nas primeira semanas, ainda presenciei reclamações, gente gravando com celular … mas agora, rotina incorporada. Parabéns pela sua lista, apropriada, mas aposto que ela vai aumentar conforme os comentários… tem muita coisa pior que ‘rolê’ mesmo e ninguém tá nem aí.

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  2. Posted by elizabeth lorenzotti on 22/01/2014 at 21:21

    ahahahahahahah, galvao bueno é de rolar.
    eu especialmente tenho surtos de ira com o bate estaca dos carros-o som alto e você sabe que aqui em Poços tem muito.
    tambem aqui tem algo que em SP nao noto: moro num bairro novo e cheio de casas em construção. os pedreiros ouvem som alto, geralmente sertanejo universitario e secundarista… dia desses acordei sem poder me conter, aos berros com esses tipos;
    aqui ainda tem algo que na cidade grande proibiram, que é anuncio em alto falante de carro.
    Céus!
    a lista ficará interminavel

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  3. Posted by Ruth on 23/01/2014 at 09:45

    De fato, o último item deu um tom humorístico próprio de um sagitariano, rs. Mas, acho que no item 16 faltou uma palavrinha, não?
    O que você constata muito bem é que falta EDUCAÇÃO para se viver em grupo. Para isso, É PRECISO regras de convívio, não tem outro jeito. E, parece, essas regras estão totalmente esquecidas e/ou desvalorizadas. O que conta sou EU, o grupo que se dane.
    Na minha opinião, temos ainda um longo caminho a percorrer nessa e em outras tantas áreas.

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  4. Posted by Carla Oliveira on 23/01/2014 at 10:27

    Muito bom!

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  5. Posted by Fernando on 25/01/2014 at 12:05

    Estes problemas que vc citou são apenas problemas da classe-média-que-sofre e não tem nem tem sombra do Racismo que os jovens da periferia sofreram nos shoppings. Posso dar outros exemplos de racismo cotidiano tão ruins quanto barrar os rolezinhos, mas que são situações vexatórias invísíveis ou até mesmo naturais para quem não as sofre cotidianamente
    1- Tomar geral na volta pra casa
    2- Ser abordado pela polícia em espaços públicos, forçado a se deitar no chão e ter todas as coisas que se carrega em uma bolsa jogadas no chão.
    3- Ser seguido por vigilantes de shopping ou de mercado por ser um potencial ladrão
    4- Ser coagido a entrar pelo elevador de serviços.
    5- Ser relacionadodo automáticamente a posições subalternas e aos subempregos pela aparencia
    6- Não passar no quisito “boa aparência”
    7- Ser coagido pelo chefe a alisar o cabelo para se aproximar do quesito “boa aparencia”
    8- Perceber que as pessoas mundam de calçada, ou apertam o passo,ou escondem a bolsa por medo de você.
    9- Sentir desconfiança do garçom do restaurante de que vair levar calote.
    10- Ouvir o garçom perguntar indiscretamente pelo pagamento antes de anotar o pedido.
    11- Perceber que os vendedores da loja não querem te atender
    12- Ser olhado com desconfiança quando está conduzindo um carro bom
    13- Ser morto “por engano” pela polícia, ou por grupos de extermínio.

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    • Não. Não é classe média só – e a sua observação é populista e demagógica. Motoristas irresponsáveis e gente sem educação no metrô afetam a todos. Roubo por operadoras de celular afeta mais o bolso dos pobres. Poluição sonora é pior em bairros pobres. Apartheid social, eu sei, e postei sobre isso. Mas racismo e demofobia, discrimanação, agora tem leis sobre isso e órgãos públicos encarregados, Volta e meia algum boçal é enquadrado e noticiado. Melhorou nos últimos anos.

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  6. Posted by fernando on 29/01/2014 at 00:54

    Posso afirmar que seus 34 pontos, são desgraças “democráticas” porque atingem qualquer pessoa que viva o caos cotidiano das grandes cidades, mas infelizmente o racismo não pode ser posto na mesma categoria que estes problemas que vc elencou, por que ele seleciona, diferencia e estigmatiza grupos de pessoas causando-lhes, para além das desgraças democráticas desgraças específicas, e por isto constitui um dos maiores impeditivos à consolidação das relações democráticas, e mesmo assim, por vezes, o racismo é considerado um mal menor por quem passa ao largo da estigmatização. Dizer, por exemplo, que “volta e meia um boçal é denunciado” é reconhecer que punição para estes caos hediondos é uma exceção e expõe o modo leviano como você tratou este problema quando pretendeu reduzi-lo a mero populismo e demagogia da minha parte.

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