Mais um concurso de leitura de poesia

Gostei do resultado do concurso de leitura de poesia que inventei em uma postagem anterior, aquele usando meu poema relatando um sonho. Muitos acessos e ótimos comentários. Resolvi fazer outro.

A seguir, outro poema de A verdadeira história do século 20, da série “Cinemas”.  As perguntas:

  1. a quais filmes de Hitchcock eu me refiro ou faço alusão?
  2. quais são as mentiras que conto nesse poema, as inverdades ou incorreções factuais?
  3. qual o sentido das inverdades, sob o ponto de vista da poética ou da teiora literária ou da crítica?

Não valem respostas de quem já tiver lido o prefácio dos originais desse livro. Mesma regra: vencedor ganhará exemplar de livro meu, autografado.

ANOTAÇÕES PARA MINHA BIOGRAFIA NO CENTENÁRIO DE ALFRED HITCHCOCK

                sempre amei as imagens
mas eu queria mesmo era ser um narrador
modo de assemelhar-me ao cineasta da vertigem
e foi assim que passei a sentir vontade de escrever
sobre o mistério do rosto daquela mulher
que segue ao encontro do aventureiro
que a cada dia tem que reiniciar
a dolorosa caminhada
rumo à torre, à esquina, à margem, ao centro
à fatal reconquista da felicidade a dois
quando tão pouco importa o abismo
pois a vida passa depressa demais
e só queríamos um momento, um único instante nosso
– e agora sou eu
aquele que mergulha
no frio oceano da paixão
– agora sou eu
aquele que caminha
cego e surdo
através do estrondo, da revelação, do clarão, da imensidão
para sempre prisioneiro dessa história
da vida como risco permanente de um passo em falso

e agora sou eu
para quem as fachadas de San Francisco se fecham em círculo
cuidado
olhe bem
o efêmero está aí
é preciso desvendar
desvencilhar-se
para saber
quem fui
o que sou
cuidado

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3 responses to this post.

  1. Posted by maria das graças dos santos on 31/01/2014 at 07:57

    Que beleza de poema… Nãio sei as respostas… mas adoro a ideia de particpação cultural que este projeto seu propicia… faça sempre… de minha parte, prometo estudar e ficar mais atenta … enquanto isot, vou curindo a maravilha dos textos seus ! Parabéns sempre, Willer… Voc~e esta otimo!

    Responder

  2. Posted by Natan Schäfer on 06/02/2014 at 11:01

    Olá Claudio!

    Segue minha tentativa de solução para o desafio proposto.

    1.a quais filmes de Hitchcock eu me refiro ou faço alusão?

    “cineasta da vertigem” – Vertigo

    “sobre o mistério do rosto daquela mulher” – Psicose

    “que a cada dia tem que reiniciar
    a dolorosa caminhada” – Spellbound

    “rumo à torre, à esquina, à margem, ao centro
    à fatal reconquista da felicidade a dois
    quando tão pouco importa o abismo
    pois a vida passa depressa demais
    e só queríamos um momento, um único instante nosso – “Vertigo”

    “aquele que caminha
    cego e surdo”- o cego de “Sabouteur”

    2. quais são as mentiras que conto nesse poema, as inverdades ou incorreções factuais?

    a) agora sou eu
    aquele que caminha
    cego e surdo – inverdade factual

    b) e agora sou eu
    para quem as fachadas de San Francisco se fecham em círculo – inverdade

    3. qual o sentido das inverdades, sob o ponto de vista da poética ou da teiora literária ou da crítica?

    a) Até onde se sabe, o poeta Claudio Willer não padece de privações do sentido da visão ou audição. Logo, estes versos assumem um caráter metafórico, do poeta em transe diante “do estrondo, da revelação, do clarão, da imensidão” (Gnose? Biblioteca de Alexandria? São Paulo?).

    b) Sabemos que Willer esteve em São Francisco em 1963 – não em 2013, provável data da composição dos versos e em que se fecham sobre ele as fachadas. Daí que este “fechamento” se trata de uma inverdade factual que gera uma bela imagem poética, criando relações com o já citado Vertigo, cujo o cartaz nos remete ao círculo do verso em questão e que por sinal foi rodado em San Francisco – sem contar, obviamente, as inúmeras simbologias místicas desse círculo que se fecha.

    Atencioso,

    Natan Schäfer

    Responder

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