Um novo concurso de leitura de poesia

Consiste em responder o seguinte:
a. quem escreveu o poema a seguir?
b. quem o traduziu?

Vale tentar adivinhar. Possibilitará observações sobre dicções poéticas, estilo etc. Ganhador receberá exemplar autografado de livro meu.

sol se pondo

ninguém está triste por eu ir embora,
nem mesmo eu;
mas deveria haver um menestrel
ou ao menos um copo de vinho.

isso incomoda mais aos jovens, eu acho:
uma morte lenta sem violência.
ainda assim isso faz qualquer homem sonhar;
você deseja um velho veleiro,
a vela branca incrustada de sal
e o mar embalando sugestões de imortalidade.

mar no nariz
mar nos cabelos
mar na medula, nos olhos
e sim, no peito.
sentiremos falta
do amor de uma mulher ou música ou comida
ou o corcovear do grande cavalo louco e
musculoso,
pisoteando torrões de terra e destinos
para o alto e para bem longe
em um só momento de sol poente?

mas agora é a minha vez
e não há majestade nisso
pois não houve majestade
antes disso
e cada um de nós, como vermes mordidos
nas maçãs,
não merece moratória.

a morte penetra em minha boca
e rasteja ao longo dos meus dentes
e eu me pergunto se estou com medo deste
morrer sem voz e sem lamentos que é
igual ao murchar de uma rosa?

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8 responses to this post.

  1. Posted by Elvio Fernandes on 20/02/2014 at 20:25

    O autor com certeza é o Bukowski… o tradutor, vou chutar que é o Jorge Wanderley.

    🙂

    Responder

  2. Quem escreveu foi Charles Bukowski e o tradutor Claudio Willer…

    Responder

  3. Ah… queria ganhar o livro.
    Bukowski e tradutor Cláudio Willer, será?

    Responder

  4. Se não for Willer, é Piva (vale mais de uma tentativa?

    Responder

  5. Posted by Elvio Fernandes on 20/02/2014 at 23:49

    Vince, acho que tu ganhou!

    Responder

  6. Posted by Fernanda on 20/02/2014 at 23:57

    Bukowski e tradução do Sérgio Cohn?

    Responder

  7. O poema é do Bukowski, mas o vocabulário e a estética não são dos mais típicos dele; parece mais sofisticado. O andamento (ou ritmo; não a palavra certa) tampouco é muito característico dele, exceto talvez aqui:

    mar no nariz
    mar nos cabelos
    mar na medula, nos olhos
    e sim, no peito.

    Eu chutaria Fernando Koproski como o tradutor…

    É um belo poema, sem muito da coloquialidade dele

    Responder

  8. […] Ivan Pinheiro Machado. Já havia publicado algo desse livro aqui, o belo poema de despedida, em https://claudiowiller.wordpress.com/2014/02/20/um-novo-concurso-de-leitura-de-poesia/ A seguir, dois poemas evocativos e um, muito típico, afirmando a superioridade moral dos animais […]

    Responder

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