Luta antimanicomial – uma boa causa, que continua merecedora de apoio.

Presenciei episódios semelhantes, embora não tão violentos, e compareceria se não estivesse viajando nessa data – lembrando, Carrano foi o protagonista da história que resultou no “Bicho de sete cabeças”, além de tudo teve seu livro contando pelo que passou apreedido:
Gato Seco – Nos Telhados da Loucura & Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima
Convidam para a entrega do
VI Prêmio “CARRANO” de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos
A entrega do VI Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos será realizada no dia 14 de maio, quarta-feira, a partir das 19h, no auditório da Biblioteca Publica Alceu Amoroso Lima, em Pinheiros – SP. O evento integra a semana do Dia Nacional da Luta Antimanicomial (18/05). Além dos homenageados que receberão o Prêmio, contaremos com a participação de artistas, músicos e convidados a apresentação fica por conta do palhaço e músico Clerouak. Mais informações abaixo.
Os convidados para receber o prêmio este ano de 2014 são:
1. Adriano Diogo
2. Antônio Lancetti
3. Ariel de Castro Alves
4. Centro Santo Dias de Direitos Humanos
5. Claudia Valéria Ribeiro
6. Daniela Arbex
7. Instituto Vladimir Herzog
8. José Ibrahim
9. Marilia Caponi
10. Operação “Braços Abertos”

(Informações sobre os homenageados abaixo)

Para completar o número 13, (relevante para o coletivo), faremos menção a 4 (quatro) nomes de importância na Luta Antimanicomial e Direitos Humanos entre eles, Antonin Artaud, Nize da Silveira, Carlos Marighela e Frei Tito. No início, às 19h, haverá exibição de um documentário e durante a entrega haverá leituras, performances e apresentações musicais com a participação dos artistas Édria Barbieri, Léo Dumont, Luiz Lucas, Nelson Brolese, Erton Morais acompanhado de músicos da Banda Mokó de Sukata e outros convidados. Haverá pintura de tela ao vivo com o artista plástico Ed Primo. O mestre de cerimônia será o palhaço e músico Clerouak. Estarão disponíveis os dois últimos livros publicados por Carrano em parceria com o selo O Autor na Praça com textos de teatro: “Canto dos Malditos” e “O Sapatão e a Travesti”. Veja mais informações sobre o Prêmio, os convidados e Carrano: http://www.premiocarrano.blogspot.com.br e abaixo.

Serviço:
VI Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos
Dia 14 de maio de 2014, quarta-feira, a partir das 19h – Entrada Franca. Local: Auditório da Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima. Av. Henrique Schaumann, 777 (Esq. Rua Cardeal Arcoverde) – Pinheiros – SP – Tel. 3082 5023. Realização: Coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura. Informações: Edson Lima – 3739 0208 / 95030 5577 / Adriano Mogli – 99632 4748. Apoio: O Autor na Praça, Movimento Trokaoslixo, Mutirão Cultural da Quebrada, Fórum Paulista de Luta Antimanicomial, Movimento Nacional de Luta Antimanicomial, Grupo Tortura Nunca Mais, AEUSP – Associação dos Educadores da USP, CRP-SP – Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, O Cantinho Português, Vitrine Produção, Max Design, Enlace Média, Artver, Tchês Burguer, Prefeitura do Município de São Paulo / Departamento de Bibliotecas, SINTUSP – Sindicato dos Trabalhadores da USP e outras entidades e instituições ligadas ao tema.

SOBRE OS HOMENAGEADOS DE 2014:
Adriano Diogo – É geólogo formado pela USP. Nasceu em 30 de março de 1949, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo. Desempenhou papel importante no movimento estudantil paulista durante a ditadura militar na década de 70. Foi eleito quatro vezes vereador da cidade de São Paulo e, em cada legislatura, deixou as marcas de seu trabalho. Assumiu a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente em 2003, onde realizou uma gestão inovadora, incentivando a participação popular, que foi fundamental para a criação de sete parques e mais de 30 praças, nos locais mais carentes de áreas verdes. Atualmente, Adriano Diogo exerce seu 3º mandato de Deputado Estadual na Assembléia Legislativa. É presidente da Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva” e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Saiba mais: http://www.adrianodiogo.com.br.

Antônio Lancetti – Psicanalista, militante da luta antimamicomial, participou das redes alternativas de psiquiatria, do grupo de saúde mental do Pt e do plenário de trabalhadores de saúde mental de SP. Analista institucional participou da intervenção no Hospital Anchieta em Santos e foi secretário de ação comunitária na gestão de Davi Capistrano na mesma cidade. Coordenador do projeto “Qualis” em SP, foi fundador das primeiras equipes volantes de saúde mental atuando junto ao Programa Saúde da Família (PSF). Atualmente é consultor do projeto caminhos do cuidado, do ministério da saúde e da operação de braços abertos em São Paulo. Supervisor e consultor dos serviços de atenção para álcool e drogas de São Bernardo do Campo e dos CAPS de Guarulhos. Autor de inúmeras publicações no campo antimanicomial, dentre elas “A Clínica Peripatética”, é coordenador da coleção SAUDELOUCURA, da Editora Hucitec.

Ariel de Castro Alves – advogado desde 2000, com especialização em gestão de políticas públicas de direitos humanos e segurança pública pela PUC-SP. É Coordenador da Comissão da Criança, Adolescente e Assistência Social do Sindicato dos Advogados de São Paulo, membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH, do Núcleo de Trabalhos Comunitário da PUC- SP e do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo. Também é integrante do Condeca (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente). Foi fundador da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. Foi conselheiro do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), secretário geral do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe) e presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo. Foi professor da Faculdade Paulista de Serviço Social, da Faculdade Mauá, do Centro de Formação da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, do Curso de Pós Graduação em de Políticas Públicas para a Infância e Juventude da Universidade Metodista e do Curso de Pós Graduação em Segurança Pública da PUC- SP. Foi assessor da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo e assessor jurídico da Fundação Projeto Travessia. É também um dos fundadores das entidades internacionais Justiça Global e da seção brasileira da Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (ACAT). Saiba mais: https://www.facebook.com/ariel.decastroalves.

Centro Santo Dias de Direitos Humanos – Constituído na Arquidiocese de São Paulo é uma entidade de defesa dos direitos fundamentais do cidadão. Tem como missão a superação da violência e a promoção dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa, solidária e pacífica. Fundado em 1980, tem como presidentes de Honra, Dom Odilo Pedro Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Paulo e Dr. Hélio Bicudo, jurista e sócio fundador do Centro Santo Dias. O CSD nasceu da preocupação com a crescente onda de violência policial que atingia a cidade de São Paulo, sobretudo sua população mais pobre, moradora da periferia da capital paulista e principal vítima dos atos arbitrários cometidos por policiais civis e militares. Desde então, o CSD atua como órgão de defesa da pessoa humana e da coletividade. No período em que a Defensoria Pública não estava constituída no Estado de São Paulo prestou assistência jurídica gratuita para vítimas de violência policial e seus familiares. O trabalho cotidiano de combate à violência policial levou o CSD a atuar no campo das políticas públicas, propondo mudanças na legislação e a criação de instâncias de controle da atividade policial no Estado de São Paulo, como a Ouvidoria de Polícia e o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Saiba mais: http://www.centrosantodias.org.br.

Claudia Valéria Ribeiro – É militante do Movimento de Luta Antimanicomial e tem participado de várias ações, entre elas o Prêmio Arthur Bispo do Rosário.

Daniela Arbex – é uma das jornalistas do Brasil mais premiadas de sua geração. Repórter especial do jornal Tribuna de Minas há 18 anos, tem no currículo mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, por suas matérias sobre Direitos Humanos, entre eles três prêmios Esso, o mais recente recebido em 2012 com a série “Holocausto brasileiro”, dois prêmios Vladimir Herzog (menção honrosa), o Knight International Journalism Award, entregue nos Estados Unidos (2010), e o prêmio IPYS de Melhor Investigação Jornalística da América Latina e Caribe (Transparência Internacional e Instituto Prensa y Sociedad), recebido por ela em 2009, quando foi a vencedora, e 2012 (menção honrosa). Em 2002, ela foi premiada na Europa com o Natali Prize (menção honrosa).Daniela é autora do livro-reportagem Holocausto brasileiro, lançado em 2013. O livro revela uma das tragédias brasileiras mais silenciosas: a morte de 60 mil pessoas dentro do maior hospício do país, o Hospital Colônia de Barbacena (MG). Trecho da resenha da obra, escrita pelo geógrafo e educador Guilherme Fioravante: “Holocausto brasileiro dá voz a um grito que, no Brasil, só faz-se calar. Analisa o sistema manicomial como o fazem Estação Carandiru e Carcereiros, de Dráuzio Varela, em relação ao sistema prisional, e Rota 66, de Caco Barcellos, à violência policial. Unem-se a tantos outros títulos que desvelam episódios trágicos de nossa história, produtos de um estado de confusão e violência, cujos ruídos se abafam em meio ao volume de nossas ocupações cotidianas.”. Saiba mais sobre o livro: http://geracaoeditorial.com.br/blog/holocausto-brasileiro.
Instituto Vladimir Herzog – O Instituto Vladimir Herzog é uma entidade sem fins lucrativos fundada em Junho de 2009, com sede à Rua Padre Carvalho, 57, Pinheiros, São Paulo-SP. Tendo como missão contribuir para a reflexão e produção de informação que garantam o direito à justiça e o direito à vida, o Instituto desenvolve sua atuação sobre três pilares: preservar, construir e compartilhar (Saiba sobre estas ações mais aqui). Também integra o escopo do Instituto a produção de publicações, como a recém-lançada edição fac-similar do EX-, jornal expoente da chamada mídia alternativa e o livro “As Capas desta História”. Em setembro de 2011 o Instituto Vladimir Herzog recebeu do Ministério da Justiça a certificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Ainda em 2011 o Instituto Vladimir Herzog recebeu o Prêmio Especial de Direitos Humanos da Presidência da República – categoria Memória e Verdade, pela sua contribuição no resgate da história recente do Brasil em cerimônia com a presença da Presidenta Dilma Rousseff. Saiba mais: http://vladimirherzog.org.
José Ibrahim – Líder Sindical, militante contra a Ditadura Militar, foi preso e exilado político. Foi um dos fundadores do Instituto Zequinha Barreto e militante constante dos Direitos Humanos.
Marilia Caponi – Psicóloga é Conselheira do Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região – CRP-SP (gestão 2013-2016), onde coordena o Núcleo Álcool, Drogas e Medicalização, coordena o 7º Prêmio Arthur Bispo do Rosário, criado em 1999, organizado pelo CRP-SP juntamente com entidades vinculadas a área de saúde mental; coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS AD 3 Mauá, trabalhadora do Bar Saci; Presidente da Associação Vida em Ação.

Operação Braços Abertos – Destinado a dependentes de crack e moradores de rua da região da Luz, no centro da cidade de São Paulo, o programa da Prefeitura de São Paulo iniciado em Janeiro de 2014 oferece vagas em oito hotéis da região central, três refeições diárias, participação em uma frente de trabalho, duas horas de capacitação e renda de R$ 15 por dia. Aos finais de semana, todos os beneficiários têm ainda a oportunidade de participar de oficinas de arte, música e cultura, além de aulas de esporte. Segundo o levantamento, foram 887 atendimentos médicos, 465 atendimentos pela equipe de saúde, 505 encaminhamentos para serviços de saúde, 3.902 abordagens realizadas nos hotéis pelos agentes de saúde e 2.760 abordagens na tenda da Prefeitura. Também foram realizadas 1.710 abordagens no local de uso de drogas, 36 tratamentos odontológicos e outros 50 ações coletivas de odontologia e mais 240 encaminhamentos para serviços de saúde por agentes comunitários. Além desses atendimentos, 122 estão em tratamento voluntário nos CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) da região. Segundo o levantamento, foram 887 atendimentos médicos, 465 atendimentos pela equipe de saúde, 505 encaminhamentos para serviços de saúde, 3.902 abordagens realizadas nos hotéis pelos agentes de saúde e 2.760 abordagens na tenda da Prefeitura. Também foram realizadas 1.710 abordagens no local de uso de drogas, 36 tratamentos odontológicos e outros 50 ações coletivas de odontologia e mais 240 encaminhamentos para serviços de saúde por agentes comunitários. Além desses atendimentos, 122 estão em tratamento voluntário nos CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) da região. Até o fim de abril, 16 beneficiários do programa retornaram para suas famílias, mas continuam em atendimento no POT (Programa Operação Trabalho). E outras 31 pessoas deixaram as atividades do programa. O levantamento mostra ainda que 12 crianças foram matriculadas em creches; 138 pessoas conseguiram tirar novos documentos e 18 foram levadas para atendimento na Defensoria Pública do Estado. Dados das equipes de saúde divulgados no acompanhamento de dois meses indicam a redução de 50% a 70% no consumo de médio de crack, como consequência, entre outros fatores, do resgate social e de atividades que organizam a rotina diária.

Já receberam o Prêmio Carrano em anos anteriores: Agência Popular Solano Trindade; Allan da Rosa; Ana Elisa Siqueira; Associação Capão Cidadão; Associação Quintal Cultural; Cacá Pinheiro; Carlos Costa (Carlão da Banda Redonda); Carlos Eduardo Ferreira (Maicon); Carlos Giannazi; Casa do Saci; Clara Charf; Centro de Convivência é de Lei; Cia de Artes Balú; CRP-SP; Comitê contra o Genocídio da Juventude Pobre, negra e periférica; Daniela Skromov; Dom Paulo Evaristo Arns (representado por Paulo Pedrini); Dom Pedro Cassaldáliga; Gegê (MTST); Geraldo Peixoto; Givanildo Manoel da Silva “Giva”; Grife Dasdoida; Grupo Tortura Nunca Mais (Representado por Rose Nogueira); Ilú Oba de Min; José Roberto Aguilar; Laís Bodanzky; Leci Brandão; Luciano Santos; Mães de Maio; Magrão (Amigo de Carrano); Marcos Abranches; Marcos Garcia; Maria Amélia Teles “Amélinha”; Maria Rita Khel; Multirão Cultural da Quebrada; Paulo Amarante; Paulo César Sampaio; Raquel Trindade; Rede Social de Justiça e Direitos Humanos; Reinaldo Luz; Revista Ocas; Sebastião Nicomedes; Senador Eduardo Suplicy; Sonia Rainho; Tia Dag (Casa do Zezinho); Tico (Escritor); Toninho Rodrigues; Xico Sá e Z’África Brasil.

Histórico do Prêmio – 18 de maio é o dia Nacional da Luta Antimanicomial e no dia 27 de maio completam-se cinco anos que um dos maiores militantes desta Luta nos deixou: Austregésilo Carrano Bueno, dramaturgo e escritor, que se empenhou até o fim de sua vida pelo fim dos manicômios no Brasil. Carrano – como Nise de Silveira – se destacou na Luta Antimanicomial. Eleito representante dos usuários em congresso na cidade de Xerém-RJ, atuou muitos anos na Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica do Ministério da Saúde, chegando a receber, em 2003, uma homenagem das mãos do presidente da república Luís Inácio Lula da Silva, por seu total envolvimento na Reforma Psiquiátrica. Além das torturas e sessões de eletrochoques sofridas nos tempos em que foi isolado do convívio social e confinado “em chiqueiros psiquiátricos”, como dizia, Carrano sofreu vários processos judiciais por sua militância, principalmente por parte dos familiares dos médicos responsáveis pelos “tratamentos” recebidos nas passagens pelos manicômios onde esteve internado, por quase três anos. Após o confinamento escreveu o seu drama no livro “Canto dos Malditos” que originou o filme “Bicho de sete cabeças”, de 2001, primeiro longa-metragem dirigido por Lais Bodanzky, que revelou o jovem ator Rodrigo Santoro e se tornou o filme mais premiado do cinema brasileiro. A repercussão da obra no cinema e o livro intensificaram uma revolucionária mudança na Reforma Psiquiátrica no Brasil. Carrano nunca desistiu de seus ideais e sonhos por uma sociedade mais humana que trata a todos sem diferenças, continuou militando até seus últimos dias no Movimento da Luta antimanicomial, mesmo com a saúde debilitada e condições financeiras precárias – morreu condenado a pagar 60 mil reais para os médicos do qual foi “cobaia humana”, recebendo 21 eletrochoques e outras violências – sobre isso ele falava: “Estou condenado a indenizar as famílias dos torturadores dos quais fui vítima”, mesmo nessas condições, no dia 18 de maio de 2008, participou do Dia Nacional de Luta Antimanicomial, Belo Horizonte, vindo a falecer nove dias depois.

O Prêmio é uma ação para que a sua voz não se cale e seu nome continue vivo não só no Movimento de Luta Antimanicomial, como nos direitos da humanidade em geral, criado em 2009, o Prêmio CARRANO de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos tem como objetivo dar continuidade a sua luta por uma mudança nas condições de tratamento de pessoas em sofrimento mental, fazendo valer a Lei nº 10.216/2001 da reforma Psiquiátrica no Brasil, da qual Carrano foi um dos maiores defensores e crítico. O troféu é entregue anualmente a 13 pessoas e instituições, que com sua arte e atitudes contribuem com os dois temas, denunciando, atuando com sua arte e manifestando sua indignação contra quaisquer violações dos Direitos Humanos, especialmente no que se refere às pessoas nas condições de sofrimento mental. Em 2009 foi criado o coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura, que tem o papel da organização do Prêmio. O coletivo é formado por Edson Lima, coordenador do projeto O Autor na Praça, Erton Moraes escritor, compositor e músico do Movimento TrokaosLixo, Lobão, poeta, escritor, integrante do Movimento 1daSul e Sarau do Cooperifa, grande amigo de Carrano, a produtora cultural Nádila Paiva, o educador e coordenador da AEUSP, Adriano “Mogli” Vieira, a escritora e produtora Paloma Kliss do projeto Literatura Nômade, a psicóloga e militante do Movimento Nacional de Luta Antimanicomial Patrícia Villas-Bôas Valero, a poeta Tula Pilar, o músico e compositor Léo Dumont e outros amigos de Carrano. Trata-se de um grupo aberto a pessoas e instituições interessadas em participar e colaborar com esta iniciativa.

Veja um depoimento no plenário do Senado, pelo Senador Eduardo Suplicy no ano em que recebeu o prêmio: http://www.youtube.com/watch?v=XafXh0_Idlg.

Pequena biografia de AUSTREGÉSILO CARRANO BUENO – Curitibano, escritor, ator, dramaturgo. Autor de dois livros editados: “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de Sete Cabeças” (veja aqui o trailler) e “Textos – Teatro – Seis peças para Teatro”. O texto para teatro de sua autoria “SOS Mãe natureza”, premiado na ECO-92, foi adaptado para livro infanto-juvenil, com titulo provisório: “SOS… Os Senhores Mesquinhos estão devorando a Mãe Natureza” que não foi publicado ainda, embora Carrano tenha batido a portas de algumas editoras. Em parceria com o selo O Autor na Praça, publicou em 2007, dois livros de textos para Teatro: Canto dos Malditos e O Sapatão e a Travesti, com a renda da venda desses livros esperava publicar de forma independente uma nova edição de “Cantos dos Malditos” e seu novo romance “Filhas da Noite”, ainda não publicado. Durante quase 3 anos de internações Carrano sobreviveu a 21 aplicações de Eletroconvulsoterapia; choques numa voltagem de 180 a 460 volts aplicados nas temporas.

Carrano foi Ativista do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, Membro da Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Representante dos Usuários no Conselho Nacional de Reforma Psiquiátrica (Eleito no Encontro Nacional dos Usuários e Familiares em Xerém, RJ), Defensor Ferrenho das Indenizações as Vítimas do Holocausto Psiquiátrico Brasileiro, foi homenageado pelo Ministério da Saúde em 2003. O trabalho de Carrano foi reconhecido nacional e internacionalmente, envolvendo a questão da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Como ele exigia e defendia: “Temos que ter uma nova visão e maneira de tratarmos, sem preconceitos, respeitando seus direitos de cidadão, e aceitando o diferente que se encontra em sofrimento mental. Um basta definitivo no confinamento, sedação e experiências com cobaias humanas. Confinar não é tratar, é Torturar, portanto, são crimes psiquiátricos que devem ser cobrado responsabilidades e serem pagas indenizações as Vítimas”.

“(…) Ainda espero ser indenizado pelas torturas psiquiátricas sofridas, pela minha condenação aos preconceitos sociais, danos físicos, emocionais, morais, danos na minha formação profissional, danos financeiros, destruição de minha adolescência. E esses meus direitos de cidadão serão cobrado até o fim dos meus dias. Se não conseguir em vida, algum dos meus filhos ficará com essa incumbência. Justiça plena e total é o que exijo, e mesmo depois de morto continuarei a exigir. Não só para mim, exijo essas indenizações para todas as vítimas do holocausto da psiquiatria brasileira, não desistirei por nada nem que leve o resto da minha vida” (Texto de Carrano no posfácio da última edição do livro Canto dos Malditos).

Vejam depoimentos do Carrano: http://www.youtube.com/watch?v=bElqEmQhpBU
Neste depoimento Carrano faz a leitura de seu poema “Sequelas… e… Sequelas” de abertura do livro “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de sete cabeças” (o texto do poema está ao final deste release).

SINOPSE do livro Canto dos Malditos – História real do período que o autor passou confinado por três anos e meio em instituições psiquiátricas do Paraná e Rio de Janeiro, dos 17 até 21 anos. Sofrendo torturas, e as mazelas de um sistema manicomial brasileiro arcaico, confinador, estigmatizante, e que chamam de “tratamento psiquiátrico”. O livro foi escrito não com a intenção de denegrir a imagem de médico psiquiatra algum, e sim é um relato fiel a que são submetidos os pacientes psiquiátricos dentro dos manicômios. O livro “Canto dos Malditos” deu origem ao filme mais premiado da história da cinematografia brasileira: “Bicho de Sete Cabeças”, dirigido por Laís Bodanzky, recebeu 45 prêmios nacionais e 08 prêmios internacionais, ao todo são 53 prêmios conquistados.

Homenageado pelo Presidente da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 28 de maio de 2003, pelo seu empenho na Reforma Psiquiátrica, que está sendo construída em todo o Brasil; Porém, todo esse empenho e reconhecimento, têm-lhe cobrado um grande preço, na sua terra natal. Em Curitiba, um Lobby de Psiquiatras, contrários às ideologias de Carrano, e do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, são eles, opositores ferrenhos a Reforma Psiquiátrica no Brasil. Esses Empresários da Loucura, donos e associados dos hospitais psiquiátricos, fizeram perseguições indecentes, constantes e aviltantes, lançou a 1ª edição do livro em 1990, pela Scientia et Labor, Editora da Universidade Federal do Paraná. Dias após o lançamento, o livro foi retirado das livrarias a mando desse Lobby de Psiquiatras. Só voltando a ser publicado em 1991, pela Editora Lemos, de São Paulo, Carrano comprava a edição e a vendia em seminários, palestras, feiras culturais, entre elas uma em um Shopping da cidade, por onde chegou as mãos da diretora do filme Laís Bodanszky. Chegou a publicar e bancar sete edições do livro sem ser vendido em livrarias.

Em 13 de maio de 1998, Carrano entrou com a “1ª Ação Indenizatória” por erro, tortura e crime psiquiátrico no histórico forense brasileiro. Até sua morte em maio 2008, uma de suas rotinas foi responder a processos jurídicos de todos os tipos, até um processo que exige que ele se calasse, proibindo-o de falar de sua experiência dentro dos chiqueiros psiquiátricos que foi torturado. As Perseguições judiciais que recebia, eram repudiadas pela sociedade brasileira, causando indignação em ongs nacionais e internacionais de Direitos Humanos. O livro “Canto dos Malditos” foi cassado, retirado novamente das livrarias e proibido em todo o território nacional, em abril de 2002. Da primeira Ação Indenizatória por erro, tortura e crime psiquiátrico no Brasil, de vítima virou réu, em maio de 1999 foi condenado a pagar R$ 60.000.00 aos donos dos “Chiqueiros Psiquiátricos” do qual foi vítima. Entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Em novembro de 2003 foi condenado novamente a pagar mais R$ 12.000.00 em vinte e quatro horas, por citar os nomes dos hospícios e dos médicos na imprensa, por estas citações chegou a receber ameaças de morte. Na sentença desse processo seu direito de livre expressão foi cassado, foi proibido de falar o nome de seus torturadores em público, com uma multa de R$ 50.000.00 a cada desobediência jurídica. Julgado pelo Judiciário Paranaense, de Vítima da Tortura Psiquiátrica se tornou Réu por denunciar, exigir mudanças radicais, indenizações, cobrança de responsabilidades dos profissionais dessa falsa psiquiatria que confina, droga e mata pessoas em suas casas de extermínios, os “chiqueiros psiquiátricos” brasileiros. Pagou o preço por enfrentar essa Máfia do Inconsciente, donos exclusivos e ditadores do “Saber Psiquiátrico!”.

Tentaram o calar a todo custo. Foi sem dúvidas um artista, revolucionário, guerreiro da Luta Antimanicomial e dos Direitos Humanos e um dos mais batalhadores por estas causa no Brasil. Conseguiu, bancando sozinho o trabalho de seu advogado na liberação do seu livro “Canto dos Malditos”, depois de dois anos e meio cassado e retirado de todas as livrarias brasileiras, não contou com nenhum apoio da editora da época. “Canto dos Malditos” foi dos poucos livros proibidos depois do fim da Ditadura Militar. Voltou às livrarias em setembro de 2004, com um posfácio mais picante, denunciando os crimes psiquiátricos e também as fortunas psiquiátricas ilícitas. Cobrando, exigindo “Indenizações” imediatas às Vítimas do Holocausto Psiquiátrico Brasileiro… “A Luta pelos Direitos Sociais de nós ‘Vítimas Psiquiátricas’, está apenas começando, agora que a cobra vai fumar!” dizia Carrano.

Sequelas… e … Sequelas

Seqüelas não acabam com o tempo. Amenizam. Quando passam em minha mente as horas de espera, sinceramente, tenho dó de mim. Nó na garganta, choro estagnado, revolta acompanhada de longo suspiro.

Ainda hoje, anos depois, a espera é por demais agonizantes. Horas, minutos, segundos são eternidade martirizantes. Não começam hoje, adormeceram há muito tempo, a muito custo… comigo. Esta espera, Oh Deus! É como nunca pagar o pecado original. É ser condenado a morte várias vezes.

Quem disse que só se morre uma vez?

Sentidos se misturam, batidas cardíacas invadem a audição. Aspirada à respiração não é… É introchada. Os nervos já não tremem… dão solavancos. A espera está acabando. Ouço barulho de rodinhas. A todo custo, quero entrar na parede. Esconder-me, fazer parte do cimento do quarto. Olhos na abertura da porta… rodam a fechadura. Já não sei quem e o que sou. Acuado, tento fuga alucinante. Agarrado, imobilizado… Escuto parte de meu gemido.

Quem disse que só se morre uma vez?

(Austregésilo Carrano Bueno – Poema das quatro horas de espera para ser eletrocutado – aplicação da eletroconvulsoterapia). Veja o poema na voz de Carrano:

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