Manoel de Barros – 1916-2014

Manoel de BarrosManoel de Barros foi, declaradamente, surrealista, conforme suas poucas entrevistas. A meu ver, um grande surrealista brasileiro. Em meu artigo e na palestra que dei sobre ele em Campo Grande, ano passado, procurei mostrar como em sua poesia se encontram o regional e o universal. Um poeta do Pantanal, interlocutor de índios e caboclos, e um leitor de Baudelaire, Rimbaud e o que se seguiu. Por isso, as comparações com Octavio Paz, Herberto Helder e Radovan Ivsic. Este artigo:
https://www.academia.edu/4676460/Manoel_de_Barros_novo
Quantidade de acessos à página no Academia.edu– 455 até a divulgação da sua morte, agora são mais, pois reproduzi o link no Facebook – mostra, evidentemente, interesse por sua poesia; e também que a bibliografia sobre ele ainda é pequena: por isso, leitores que fazem pesquisa pelo Google acabam deparando-se com meu texto.
Um episódio engraçado: de volta de Campo Grande, no dia seguinte, fui, conferencista convidado, a uma celebração do Dia do Livro na Câmara Municipal de uma localidade próxima. Precedeu-me um orador da Sociedade Bíblica, que recitou o “No princípio era o verbo” do apóstolo evangelista. Imediatamente, repiquei com o “No descomeço era o delírio” de Manoel de Barros – este poema, que a seguir li na Casa das Rosas:
https://claudiowiller.wordpress.com/2013/10/03/manoel-de-barros/
Ótimo haver a edição da poesia completa dele pela Leya. Contudo, sinto falta de uma edição crítica, com notas, inclusive dando variantes e circunstâncias dos poemas, um bom resumo biográfico, apoio crítico. Beneficiará pesquisadores e o número crescente de leitores.
Ainda quero dizer e escrever algo sobre “Gramática expositiva do chão” – para mim, aula de pensamento analógico e um ponto alto da poesia em prosa no Brasil. Aqui, uma espécie de ‘suite’ do meu artigo, alguns tópicos ainda a serem desenvolvidos.
https://claudiowiller.wordpress.com/2013/10/04/manoel-de-barros-mais/
Naqueles encontros de poesia de 1996-97 da Secretaria Municipal de Cultura, trouxemos Manoel de Barros. Sessão foi na biblioteca de Vila Mariana. Conferencistas foram Berta Waldman e José Geraldo Couto. Graça Berman fez leitura de poemas. Manoel não falava em público, como sabem. Apenas assistiu, impassível. Mas, encerrada a sessão, ficou conversando animadamente com o público, formou-se uma rodinha a seu redor e a sessão se estendeu por mais 40 minutos. Sorte de quem foi. Um perpétuo lamento por, naquela época, não dispormos da tecnologia atual, da facilidade para gravar e divulgar essas ocasiões.
Em tempo: link da entrevista dele a José Geraldo Couto na Folha de São Paulo, em 1993, na qual se declara surrealista: http://acervo.folha.com.br/fsp/1993/11/14/72/4849640

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4 responses to this post.

  1. Posted by Eliane on 13/11/2014 at 18:20

    Que triste, gosto demais dele.

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  2. Lembro que na sua oficina sobre Poetas da Natureza (ou foi na de Surrealismo?) no Museu da Língua Portuguesa, ele foi mencionado. Eu percebia um crescimento de leitores (pelo menos citadores) da obra dele nas plataformas digitais, recorrência de seus poemas curtos, e agora, acho que isso aumentará, talvez seja o lado bom da morte, para os poetas, a poesia ganha fôlego porque permanece.

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  3. Posted by maria das graças dos santos on 13/11/2014 at 20:12

    Willer, eu li seu artigo sobre o Manoel no ano passado e gostei muito… Trabalho de um palestrante compenetrado, dedicado ao extremo e que mostra ao seu leitor as muitas nuances do real em foco. ( isto é proprio de sua generosidade ). Seu modo de escrever denso não confunde nem dificulta a compreensão.Ao contrário, abre novos modos de ver. Vou indicar pra muitos amigos. Grata.

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  4. Posted by cmusilli on 13/11/2014 at 21:17

    Esta sua análise surrealista da obra dele é da maior importância. Para mim era um poeta que fazia um zoom para aproximar imagens dos leitores em detalhes.

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