Algumas viagens ao Litoral Sul de São Paulo

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Amiga muito querida tinha onde ficar em Cananéia em 1964. A luminosidade na travessia da balsa ainda é a mesma? Conhecia o prefeito, também dono de um pioneiro criadouro de ostras. Mandava buscar ostras e palmitos naqueles recortes litorâneos. Quis ir, conhecer. Foi um fim de semana inteiro naquele barquinho? Alimentação, ostras que fritavam sobre a chapa quente do motor. Dormia no convés da barca mesmo. Costeamos a Ilha do Cardoso, seguimos pelos canais, até a entrada da baía de Paranaguá, repentino mar aberto, vista de tirar o fôlego.
Tenho umas fotos inexplicáveis. São de 1960. Não me lembrava delas, achei durante arrumação. Estranho terem resistido por 55 anos. Nem tinha máquina fotográfica, a Pentax só comprei em 1963. Levei a Leica do meu pai? Chegava-se de trem a Peruíbe, seguíamos a pé até o Guaraú pela estradinha – atravessávamos de canoa, em seguida mais três praias e três subidas de morro até um lugar paradisíaco, península com três praias completamente diferentes uma da outra e aquela portentosa Serra dos Itatins ao fundo. Acampei várias vezes. Ia com colegas – Rodolfo Geiser, o paisagista, era um deles. Em 1960, quando conheci Roberto Piva, convidei-o. Demétrio Ribeiro nos acompanhou. Sim, a foto é de Piva lendo Novalis em um costão da Praia Brava, em francês na edição da Séghers, coleção Poètes d’aujourd’hui. Sempre se fazia acompanhar por leituras. Ler poesia de óculos escuros, que idéia. O cobertor, pois em Peruíbe, conforme a época, esfria. Uma frase que se incorporou ao folclore através de Irco e Roberto Bicelli, “acho que há ovivíparos por aqui”, por causa de uns guinchos estranhos à noite saindo de uma árvore, não fui eu quem disse, foi Demétrio. Acho mais provável que fossem morcegos, não serpentes. No dia seguinte, levantamos acampamento.
Uma ocasião anterior, um dia muito ensolarado, peguei emprestada de uns caiçaras que moravam lá a peneira de palha trançada e a vara de pescar. O riachinho na praia do Juqueí formava uma lagoa de água salobra, era pegar os camarões com a peneira, depois pescar robalinhos, um atrás do outro, bastava jogar o anzol e puxar. Almoço foi preparar arroz, limpar os peixes e fritar junto com o que sobrara dos camarões. Água, na bica a 100 metros. Tive uma percepção de como seria o paraíso: um lugar em que não era preciso mais nada para estar bem. Hoje essa região é tombada, felizmente – escapou do destino das praias ao longo da Rio – Santos.
Iguape e Ilha Comprida, muitas vezes. Escaparam de se tornar lugares ‘badalados’. Houve um acampamento louquíssimo, psicodélico, com Décio Bar e Roberto Rugiero, em 1963. Teve até fantasma à noite. Essa foi uma viagem beat, um dia contarei histórias de Iguape. Mostrarei mais das imagens que Pipol Cronópios gentilmente digitalizou. Citarei poemas.
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9 responses to this post.

  1. Boas recordações. Quero mais!

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  2. Posted by maria das graças dos santos on 30/12/2014 at 07:51

    Gostei muito ! Viajei !

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  3. Posted by Roberto bicelli on 30/12/2014 at 13:07

    irco estava lá e relatou. o fato é que no meio da noite willer disse: “irco, há ovivíparos
    passeando no meu peito”…
    quem conhece a peça sabe que o meu relato, via irco, é muito mais willeriano que o do willer de carne e osso.

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    • Posted by Roberto bicelli on 30/12/2014 at 13:09

      e era uma cobra…

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      • Bicelli é a favor do final do filme antológico de John Ford: “Se a lenda for melhor que a realidade”, imprima-se a lenda. Irco nunca esteve lá. Andar 10 km subindo e descendo morros não seria compatível. Mesmo Piva, atleta habituado a levantar pesos, chiou um bocado com aquela caminhada. Vão lá, quero ver quem aguenta.

  4. Posted by Roberto bicelli on 30/12/2014 at 22:03

    adhemar abraçou um cara e disse:”como vai seu pai? “o cara respondeu : “papai morreu”… adhemar de barros retorquiu rsss”morreu pra vc, filho ingrato, mas vive no meu coração “… portanto, irco estava lá…

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    • em 1960, Irco tinha uma compleição física impressionante. Fortíssimo. Bom para nos acompanhar em confusões noturnas e impedir linchamento. Mas o formato dele já era esférico, designavam-no como ‘o gordo’, movia-se muito bem, mas não em subidas, inclinações do solo. Excursões, como a do post anterior, Litoral Norte, sim, porém de automóvel até chegar lá.

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  5. Posted by cmusilli on 03/01/2015 at 19:13

    Que luz maravilhosa e que foto do Roberto Piva. Tem que resgatar todos os slides do período, valiosos, além das histórias sobre cada passagem!!!

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  6. Foto do Piva de cobertor lendo na pedra é épica, bem como seu topete no barco, Willer.

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