A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA MULHER DE OLYMPE DE GOUGES

olympe_de_gouges_2Olympe de Gouges (1748-1793)
Achei o texto apresentado em 1791, disponível no meio digital:
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-dos-direitos-da-mulher-e-da-cidada-1791.html
Girondina, crítica de Robespierre, Olympe foi guilhotinada como de praxe, em 1793. Sua contribuição não se limitou a esse manifesto pioneiro. Resumo biográfico dessa lúcida precursora:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Olympe_de_Gouges
Direito da mulher ao voto, após muitas mobilizações, só foi alcançado na década de 1930, aqui e nos Estados Unidos. Resultado de uma luta que durou séculos. Até mesmo na década de 1980 cheguei a ouvir reclamações contra as mudanças do Código Civil que se preparavam, argumentando que família tinha que ter um chefe. Da mesma época, a percepção na esfera jurídica de que ciumentos e cornos inconformados não podiam mais matar mulheres alegando “defesa da honra”.
Reconhecer direitos da mulher é indício de civilização. Assim como proibir de estudar, de dirigir carros, de sair sozinha, de assistir a competições esportivas, exercer profissões etc, é índice de atraso.
Fujamos das polaridades simplificadoras. Lugares da barbárie mudaram ao longo da história. Por muito tempo, o mundo islâmico foi mais aberto que o ocidental e cristão. No período correspondente à nossa Idade Média, eram mais avançados em matemática, ciência e tecnologia, medicina, filosofia.
Em meu livro sobre gnosticismo e poesia, “Um obscuro encanto”, reproduzi as recomendações e preceitos do apóstolo Paulo, exigindo precedência do homem e subordinação da mulher. Em Coríntios 11, “a cabeça de todo homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça de Cristo é Deus”, daí resultando homens orarem com a cabeça descoberta, e mulheres cobertas por um véu. Em Colossenses 3, determinou: “Vós, mulheres, submetei-vos aos maridos como convém ao Senhor.” E, na Primeira Epístola aos Timóteos 2: “Eu não permito que a mulher ensine ou domine o homem. Que ela conserve, pois, o silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido, mas a mulher que, seduzida, caiu em transgressão. Entretanto, ela será salva pela sua maternidade, desde que, com modéstia, permaneça na fé, no amor e na santidade.”
Alguns estudiosos argumentam que essas epístolas são apócrifas, que Paulo não escreveu isso. Tanto faz, pois incorporaram-se à doutrina. Reação, creio, à liberalidade dos gnósticos, que respeitavam e apreciavam mulheres, permitindo que fossem sacerdotisas e líderes de comunidades.
Mas, se ontem foram Hipácia (e tantas outras) e Olympe, hoje é Malala Yousafzay. E, seja onde e quando for, não podemos transigir com isso.

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One response to this post.

  1. Posted by cmusilli on 25/01/2015 at 23:19

    Gostei muito de vc trazer para o contemporâneo lembrando Malala Yousafzay.

    Resposta

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