O futuro do petróleo (e do Brasil)

O que já li de José Goldemberg sobre meio ambiente, contrapondo-se energicamente aos ecocéticos, me pareceu lúcido e preciso. Secretário do Meio Ambiente em 1992, apresentou um projeto de reflorestar tudo – pena não haver sido realizado. Seu artigo publicado em O Estado de S. Paulo, ontem, 16/02, merece ser lido. Contrapondo-se às geopolíticas delirantes dos remanescentes do sectarismo, àqueles para quem isso que ocorre com a Petrobrás resulta de conspiração dos Estados Unidos visando a controlar nossa economia, o físico e ex-reitor da USP (em tempos melhores) sustenta que:
a) a queda do preço do petróleo é irreversível, veio para ficar;
b) a tendência é de substituição por combustíveis menos poluentes; e, melhor ainda, pelo abandono de combustíveis fósseis em favor de fontes renováveis.
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-fim-da-era-do-petroleo-imp-,1635091
Se estiver correto em sua análise, o governo brasileiro cometeu um erro estratégico colossal. Não se trata mais, apenas, do desperdício de recursos da Petrobrás através de roubos e de obras mal planejadas; porém do um projeto de desenvolvimento da economia baseado na receita que iria ser gerada pela exploração do pré sal.
Nos países mais avançados, cresce a utilização da energia da biomassa, eólica e solar. Aqui, como estão aquele parques de geração de energia eólica no Ceará? Continuam à espera das linhas de transmissão, enquanto aumenta o risco de apagões?
A sociedade precisa exigir responsabilidade dos governantes – em todos os níveis, é claro, não só federal, mas estadual e municipal, para reduzir o desperdício generalizado. Faz tempo deveria haver incentivos, isenção de impostos e financiamento para a instalação dos painéis e demais equipamentos. Mas não: essas modalidades de geração de energia são descentralizadas, podem ser até mesmo ser domésticas. E os dirigentes preferem as obras monumentais. Entenda-se: os rolos, as negociatas com empreiteiras e outros grandes fornecedores, em vez de olhar com seriedade para o futuro; em vez de acatar a opinião de quem entende do assunto.

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2 responses to this post.

  1. Posted by elizabeth lorenzotti on 17/02/2015 at 13:41

    Willer, nem vou entrar no merito da questao, apenas ao ler o nome Jose Goldenberg lembro de ,quando ele foi reitor da USP ( não, não eram tempos melhores)eu era editora do Jornal da USP, que passava por uma grande transformação, de boletim a jornal.
    Houve entao a polemica da produtividade dos professores, levantada pela Folha. O Jornal da USP reservou , sempre , espaço para todos os envolvidos- professores, reitor, alunos.
    O reitor tinha espaço em todas as edições- semanais- mas quis ter mais ainda, quando havia materia sobre os professores, que ficariam prejudicados. Como editora, perseguia a democracia, principalmente por se tratar de uma universidade (ingenua que fui com essa crença).
    Aconteceu que o Jornal da USP foi censurado- esta edição nao foi distribuida, recolhido pela reitoria.
    Pasma com esse exercicio autotocratico – como se o reitor fosse o imperador da universidade – pedi demissão e chamei a imprensa. Apareceu apenas a Folha, que deu a materia com os dois lados. Do lado do reitor, o assessor de imprensa argumentava que o jornal fora recolhido pra inserção de um boletim, o qual ninguem nunca soube qual era.
    Sorry, foi a menção do nome que provocou esta lembraça que mostra como está entranhada no pais a herança colonial.

    Responder

  2. CW
    Nosso governo PTbras tem cometido vários erros estratégicos e gerenciais, inclusive em relação a PeTrobras, basta olhar para nossa economia fake enjaulada na infraestrutura de bambu, na educação também fake das universidades de barro, na cultura dirigida por clichês, e por ai vai. Não tem novidades, mas têm consequências, uma delas é facilidade de perder o foco ou perspectiva dos problemas, como por exemplo, afirmar que “a) a queda do preço do petróleo é irreversível, veio para ficar” enquanto ainda mascamos goma de parafina…
    A Opep acabou? É somente a mão invisível de Adam Smith que regula os preços do óleo do diabo, ou será que não temos a intercessão divina do Corão para reacender as fornalhas dos combalidos lares americanos e europeus?
    Tenho muitas dúvidas que o espirito humano tenha avançado tanto assim desde 1973, a ponto de abandonarmos a espiral luxuria do consumo de cosméticos, tablets de plásticos, fios poliéster, investindo maciçamente na “b) substituição por combustíveis menos poluentes; e, melhor ainda, pelo abandono de combustíveis fósseis em favor de fontes renováveis” a ponto de atingirmos um equilíbrio “écocoreto” de nossa matriz de insumos.
    Não tenho carro, ando de bicicleta, mas tenho certeza que o frentista do posto logo ali na esquina está a minha espreita armado com a bomba de gasolina e vai me pegar de qualquer jeito.
    Abç

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