AS GEOPOLÍTICAS DE DOIDO E OUTROS TÓPICOS

Ou: aquilo que sectários jamais entenderão.
1. OUTROS TÓPICOS
Estava quieto, sem manifestar-me sobre os acontecimentos de domingo, dia 15. Só observando o volume de mensagens associando os que foram às ruas a fascistas e defensores do golpe militar, em uma evidente confusão das partes (pequenas) com o todo (enorme). Até a hora em que alguém postou seus prognósticos sobre o que aconteceria comigo, com Roberto Piva e com Allen Ginsberg se os tais ‘fascistas’ tomassem o poder. Não resisti. Desencadeei. Reproduzo a série, já com grande quantidade de aprovações e comentários na rede social, pois aqui no blog alcança mais leitores e permanece, acesso é mais fácil:
a. Tem idiotas mencionando a mim e outros poetas contemporâneos indevidamente. Da turma que ainda acha que todo opositor é ‘fascista’, mesmo refletindo a opinião de 62% dos brasileiros. Quem conheceu Roberto Piva ou o leu minimanente pode imaginar o que estaria dizendo nesta altura, o conteúdo dos telefonemas que iria dardejar. E não seria por reacionarismo, porém por senso crítico aguçado.
b. Cada chavão, cada besteira produzida por algum dos novos stalinistas inspira alguma tirada dos Reinaldinhos, Pondé, Diogo e tal. A militância obtusa é, hoje, o nutriente dos reacionários. Crescimento da direita será, infelizmente, na razão direta dos erros insensatos dos petistas.
c. Quem são os “fascistas”? Onde estão os “fascistas”? Eles estão dentro do governo Dilma! A horda evangélica faz parte do governo, tem o pastor George Hilton, ministro dos Esportes, carregador de malas ou caixas de dinheiro. Kátia Abreu, aspirante a genocida de índios. Com aliados e parceiros assim, sobra pouco espaço para opositores à direita…
d. A propósito de “fascistas”, lembram-se de Gilberto Kassab? Foi um prefeito de São Paulo – se não me engano, até 2012. Era frequentemente chamado de “fascista” por opositores – talvez com razão, pelo modo como tentou urbanizar a cracolândia, desalojar sem-teto e camelôs. Não deve ser confundido com o homônimo, o atual ministro das Cidades Gilberto Kassab, que integra este governo tão atacado por “fascistas”. (outra hora, vou propor um comitê pela recuperação de categorias políticas) (talvez dar palestra sobre pensamento único e ‘novilíngua’ em George Orwell)
e. Resumindo meus posts precedentes, e em tom menos irônico: quem apoia um governo integrado por Kátia Abreu, George Hilton, Gilberto Kassab e afins não tem o direito moral de chamar seus opositores de ‘fascistas’. Sequer de ‘reacionários’. Stalinistas faziam muito isso; opositores e desafetos do regime eram “trotskistas” ou “burgueses” ou ambos simultaneamente. Continuam a fazer.
2. AS GEOPOLÍTICAS DE DOIDO. Exemplo, pretenderem que crise atual da Petrobrás é resultado de conspiração, influência ou realização de interesses dos Estados Unidos. Não mais, a partir do momento em que deixaram de depender de importações de combustíveis fósseis, graças ao crescimento da exploração do gás de xisto. Queda do preço do barril de petróleo, de 100 dólares para os atuais 40, é um desastre para a Petrobrás, para os petrodependentes em geral, e ruim para eles, pois encarece proporcionalmente a extração do gás do xisto, tornando-a um investimento menos interessante. A redução dos preços foi decisão da OPEP, por imposição da Arábia Saudita, como estratégia para prejudicar a concorrência representada pelo fraturamento do gás de xisto. Isso resultar na transformação da Venezuela em terra arrasada, ou impossibilitar os planos brasileiros de expansão petrolífera, parece que os dirigentes sauditas não estão nem aí.
A indução desenfreada. Sim, Estados Unidos já intervieram em tudo quanto é lugar, de modo direto, pela via militar, como na Guatemala (duas vezes, uma delas com um vergonhoso envio de tropas brasileiras), Panamá, Iraque etc, ou apoiando e patrocinando golpes, como no Chile, aqui, etc. Mas isso justificou uma cômoda recíproca, a justificativa ou explicação de tudo pela intervenção ou influência dos Estados Unidos, excluindo a reflexão sobre o que ocorre em escala local.

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One response to this post.

  1. Posted by Gledson on 22/03/2015 at 23:16

    Acho que há uma confusão geral na política atual. e não considero o governo Dilma um governo de esquerda, longe disso. Mas as manifestações do dia 15 com certeza tiveram uma tônica direitista, que não se mede nem pela quantidade de pessoas na manifestação, mas pelo que se pedia nas faixas e placas que circulavam pela Paulista. Estamos numa linha muito tênue entre a democracia e o apelo à violência como forma de resolver os problemas do País, e com certeza essa onda conservadora não ajudará em nada. A internet virou o território anônimo onde o ódio viceja…

    Pena que não se pense de modo maior, além da direita retrógrada e da esquerda antiquada, mas pensar em como superar o capitalismo, por exemplo, não é algo antiquado, mas sim uma necessidade face aos desastres do nosso tempo. E aí é preciso estar ao lado de Breton, Foucault, Agamben, Deleuze, Guattari… enfim, desses que, sem renunciar a um pensamento libertário, nem por isso deixaram de fazer críticas à esquerda, mas também não entraram na via conservadora.

    Acho que a possibilidade de intervenção externa é real, o que não exclui a necessidade de análise do que ocorre aqui, incluindo aí os erros desse governo e do PT em particular; mas basta lembrar das recentes revelações que vieram à tona com com o Snowden para não duvidarmos desse tipo de intervenção, que acontece hoje por vias diversas e simultâneas. A leitura correta da realidade exige que não excluamos dela (a realidade) essa possibilidade, porque ela se dá assim nesse turbilhão caótico e contraditório, mas não sem esperanças.

    Não acho que você precise da aprovação de quem quer que seja, o pensar é algo solitário e, quase sempre, contra a corrente. Sei que aqueles que bradam pelo retorno à ditadura não contam com você em suas fileiras. Talvez somente o fato defender as manifestações em que a tônica geral foi da direita tenha trazido uma certa confusão ao que esperam de você uma posição à esquerda. Quer dizer, de uma certa esquerda.

    Claúdio Willer e Ginsberg de mãos dadas com Médici? Nem pensar!

    Pensar a verdade é quase sempre solitário.

    Abs,

    Gledson

    Responder

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