Mais sobre Pipol Cronópios

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Nem sabíamos o nome de batismo. Conhecemos o personagem que ele, artista integral, criou para si mesmo. Quando o conheci em Bauru em 1987, já era o Pipol – por alguma razão, queria que fosse pronunciado Pípol, paroxítono, como “people”; e quando me enviou e-mails com uns poemas feitos de brinquedos, assim que me conectei à internet, em 2000. E permanecerá Pipol, para sempre, é claro. Mas achei que, para completar homenagens, merecia um registro mais preciso. O colega de infância e amigo da família André Sávio Craveiro Ribeiro informou:

Conheci o Dizinho [José Waldery Mangieri Pires ou Cronopios Pipol, diretor responsável pelo Cronópios, ambiente multimídia de literatura] em 1974. Ele e seus irmãos, José Carlos e José Francisco. Sempre fui mais próximo do José Carlos por conta de termos idades próximas. Os gostos de todos eram parecidos: aviões, foguetes, espaço, OVNIS, carros, máquinas em geral, séries de televisão, jogar bola na rua… enfim muita coisa. Eram muito criativos. Os carros de rolimã não eram os comuns, “de três rodas”, possuíam quatro, carenagens e freios com cabo de vassoura. José Carlos, lembra-se do “projetor Super 9” e os “filmes” com figurinhas de chiclete que tinham motos e aqueles com figurinhas do Nescau sobre o Projeto Apollo? Pipol jogava futebol e basquete. Não era um craque, mas jogava. Como mais velho acabava trazendo vez por outra novidades. Fez parte do colegial em Marília e ingressou em engenharia mecânica na FEB em Bauru. Gostava muito de conhecer o funcionamento das coisas. Por isso a opção. Mas logo deixou o curso de lado. Era matemática demais. Não que não fosse competente nisso, mas enxergava como “prisão”. Cursou psicologia na Unesp em Bauru. “Era um louco”. Mais ou menos desse ponto em diante surgiu a veia cultural que, amadurecida, desembocou no projeto, elaboração e manutenção do Cronopios e das ações dele derivadas. Antes [década de 80] foi autor dos livros de poesia “Pipoca” e “Espantalho”. Promoveu varais de poesia em Tupã [mas nasceu em Adamantina, ninguém é perfeito!]. São poucas as palavras que posto, mas são derivadas de lembranças de momentos muito bons. É uma perda irreparável para mim, que sou seu amigo e fã de seu trabalho.

André Sávio não tem certeza quanto ao ano de nascimento, se 1962 ou 63. Recebendo essa e outras informações, adicionarei aqui (subsequentemente, verificou que nasceu em 1961).

A seleção de poemas dele, na revista Germina, notavelmente despojados. Postada por Davi Araujo no Facebook: http://www.germinaliteratura.com.br/2013/pipol.htm

Fotos que adicionei: a homenagem por Guto Lacaz; uma, especialmente expressiva e nítida; outra das imagens em meu lançamento a 3 de julho do ano passado: de baixo para cima, no sentido horário, identifico Célia Musilli, Pipol conversando com Leila Guenter, Ricardo Redish, Fernando Naporano e, de costas, Hélio Oliveira e Roberto Bicelli. (No dia seguinte): adicionei mais uma foto, de uma apresentação na Casa das Rosas, originariamente postada por Edson Bueno Camargo, informa Conceição Souza Fernandes.

Agora, mesmo sem superar o choque, é tratar da preservação do colossal trabalho dele.

Em tempo, reproduzo aqui um dos comentários que publiquei no Facebook:

Vamos deixar claro o seguinte: esse falecimento do Pipol, isso não foi apenas perda de amigo, de alguém a quem apreciávamos muito – foi perda cultural, pois o trabalho que ele vinha desenvolvendo é incrível. Disse muitas vezes que era o melhor portal – e ainda é pouco, perto do que ele idealizava e planejava fazer.

Um depoimento de Marcelo Tápia, também postado no Facebook:

José Pires: esse era o nome que, a pedido do Pipol, devíamos dizer ao porteiro do prédio em que morava, para identificação do apartamento aonde costumávamos ir Edson Cruz e eu, a fim de trabalharmos em conjunto. Edson levou a Pipol a proposta de realização do site Cronópios, devido à qualidade e à alta diferenciação de seu trabalho. Criamos e editamos juntos a revista Mnemozine, na qual Pipol apresentou diversos recursos até então inéditos por aqui. A colaboração foi um privilégio para mim. Escrevi hoje que algo tem de se feito pela preservação do Cronópios, um legado de rara importância.

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4 responses to this post.

  1. Posted by waldemir marques.- on 18/04/2015 at 21:31

    … mto bonito, Willer… congrats…

    Resposta

  2. Conversei com ele uma única vez, no sarau organizado pelo Paulo Sposati Ortiz na Casa das Rosas e deu para sacar que ele era muito gente boa, generoso. No mais acompanhava o portal e, é claro, seus trabalhos em vídeos, incluindo o registro da noite beat 2013. Uma perda enorme para a cultura. Que seu trabalho e memória sejam preservados.

    Resposta

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