Raymond Roussel no Brasil

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Chega a nós o espantoso excêntrico; o “maior magnetizador dos tempos modernos” no dizer de André Breton. Suas encenações provocavam acessos de fúria no público. Seus livros eram execrados pela crítica. Hoje está claro que foi um iniciador da contemporaneidade, que estava adiantado com relação a seu tempo. Sua biografia também provoca estupefação, suas invenções, como a “roulotte”, despertam admiração.

Vem pela editora Cultura e Barbárie de Florianópolis, SC. Havia sido lançado em 2013 Locus Solus, a perturbadora narrativa em prosa, muito bem traduzida e apresentada por Fernando Scheibe – imaginem, traduzir alguém cujo critério para preferir vocábulos era terem mais de um sentido -, prefaciada por Raul Antelo, posfaciada por Pierre Bazantay, com dossiê de apreciações e testemunhos, de Éluard, Duchamp, Valéry, Foucault etc. Uma bela edição

Agora, acabam de sair pelo selo Armazém da Cultura e Barbárie – http://www.armazem.org/Como escrevi alguns dos meus livros, a obra em que Roussel expõe alguns de seus “procedimentos”tradução de Fabiano Barboza Viana, prefácio de Joca Reiners Terron e posfácio de Claudio Willer (ou seja, meu) e Piparote – (Chiquenaude), tradução de Fedra Rodríguez e cianotipia de Marina Moros.

Vejam, ainda, este copioso dossiê sobre Roussel, com uma miríade de artigos, alguns historicamente muito relevantes, como o depoimento do editor jean-Jacques Pauvert e o diagnóstico do psiquiatra Pierre Janet, que tratou de Roussel:  http://culturaebarbarie.org/sopro/n98.html#.VdHaU5c00nA

A mesma editora anuncia a pré-venda de” Tradutores, funâmbulos e outros nefelibatas de Dominique Nédellec (traduzido por Fernando Scheibe em colaboração com o autor, e em breve uma série de cartas, entre as quais as duas do vidente, de Artaud e Breton (trad. Marcelo Jacques de Moraes); aquela ao Cazalis citada por Blanchot; uma de Flaubert, em que ele fala do estilo como maneira absoluta de ver as coisas; a “Carta aos reitores das universidades européias” atribuída a Artaud; e outras

Meu posfácio de Como escrevi … começa assim:

É de Vladimir Maiakovski a frase famosa sobre Velimir Khlébikov, que teve pouquíssimos leitores em vida e configurou a vanguarda russa, distinguindo os que escrevem para leitores daqueles que escrevem para produtores. A essa família pertence Raymond Roussel. Hoje, intensamente estudado – mas seus livros não encontravam leitores, como registra no depoimento aqui publicado, nesta edição tão inspiradora. E suas peças originavam escândalos, assim prosseguindo uma tradição cujo marco inicial é a Batalha de Hernani de Victor Hugo, lançando o romantismo francês, e da qual um momento culminante foi a estreia de Ubu Rei de Alfred Jarry.

No depoimento disponível on line, relato como ler suas obras me provocava febre.

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One response to this post.

  1. Muito bom Willer! É um autor que não conheço. Lerei!

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