A propósito do meu livro de poesia A verdadeira história do século 20: artigos, entrevista

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Lançado em Portugal no final de 2015 pela Apenas Livros, na coleção Cadernos Surrealistas Sempre, dirigida por Maria Estela Guedes, ainda não tem distribuição brasileira. Mas, para minha satisfação, vem suscitando matérias substanciosas. Wilson Alves-Bezerra publicou artigo em O Estado de S. Paulo, Caderno 2, sábado, dia 1º de abril. Reproduzo o link e copio o texto. Célia Musilli publicou entrevista e resenha em Germina, a boa revista literária digital.

Wilson Alves-Bezerra leciona literatura hispano-americana na UFSCar e dirige o departamento cultural dessa universidade. Tem livros publicados, ensaios e poesia – o mais recente, Vertigens, pela Iluminuras. Já fizemos algo juntos: afirma que retomou a criação poética depois de participar de oficina literária comigo na UFSCar, em 2010.

Célia Musilli apresenta-se em ‘Desconcertos da Poesia’ na Livraria e Bar Patuscada, Rua Luís Murat, 40, Vila Madalena, São Paulo, na próxima quinta feira, dia 07 de abril, a partir das 19 h, em companhia de Luana Vignon, Márcia Barbieri e Marcelo Montenegro. Um bom elenco de poetas. Iremos.

O link do artigo de Wilson no Estadão: http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,claudio-willer-lanca-a-verdadeira-historia-do-seculo-20,10000024341

Artigo e entrevista de Célia na revista Germina: http://www.germinaliteratura.com.br/2016/livros_impressoes_por_celia_musilli.htm

http://www.germinaliteratura.com.br/2016/pcruzadas_claudiowiller_mar16.htm

A transcrição do artigo de Wilson Alves-Bezerra no Estadão:

Claudio Willer lança ‘A Verdadeira História do Século 20’

Em entrevista no programa Provocações, em 2003, Antônio Abujamra pergunta a Claudio Willer, por que, desde 1981, ele não publicava um livro de poesia. Sarcástico, o poeta responde: “Se você me materializar um editor, eu publico”. Poeta bissexto com trajetória lírica de meio século, os editores de Willer têm sido singulares: o nipo-brasileiro Massao Ohno, o alemão Meyer-Clason e agora a portuguesa Maria Estela Guedes, responsável por seu novo livro, A Verdadeira História do Século 20, pela lisboeta Apenas Livros.

Embora Willer seja responsável pela circulação em grande escala de um cânone radicalíssimo, composto por Ginsberg, Kerouac, Lautréamont e Artaud, a quem ele traduziu, prefaciou e comentou em livros, artigos e cursos por todo o País, paradoxalmente, a sua poesia tem encontrado circulação limitadíssima em livro no Brasil. Cabe nos perguntarmos se o lugar da poesia autoral no País é de fato o das edições artesanais; se sim, o que explicaria então a considerável circulação brasileira das traduções já referidas do próprio Willer? Ou a regra só vale para poetas nacionais?

Falemos do novo livro. O título remete a um tratado, mas, seguindo o que diz Gracq em epígrafe: “Temos menos sede de verdade do que de revelação”, as águas willerianas são visionárias. Os poemas se constituem sob comoção, seja entre poeta e paisagem, mulher, linguagem, ou tudo ao mesmo tempo, pois os recursos de associação explicitam o continuum entre mundo e linguagem: “Você: véu de gaze azulada roçando, suave / furacão: róseo / perfeição: parábola de perfumes”, como se lê no poema que dá título ao livro. O século de Willer é o século das livres associações de Freud, do aleph de Borges, do cinema de Hitchcock e Reichenbach e da escrita automática de Breton.

Sua poética se compõe, ademais, da “anotação”, termo de sua estreia, em 1964: seus poemas anotam visões ou as suscitam no leitor. A poesia é o último recurso e o mais radical: “O poema/ só quando for impossível traduzir um estado interior de outro modo” diz, num dos mais belos momentos do livro, “Os poetas paulistas”, em que rememora sua geração – de Piva, De Franceschi e outros – “agora devo habituar-me a inesperadas proporções e novas simetrias de estarmos juntos, / pois nós nos tornamos a extensão de um texto de frases entrecortadas”. Tal autorreferência lateral transforma o poeta em personagem coadjuvante da própria poesia, de seu próprio século, conferindo centralidade mais às visões do que àquele que as produz: “O vento conduzido pelas nuvens. / Uma nova geração se expressa. / São lacunas (anotar tudo)”.

O livro conclui com dois resgates da fase inicial do grupo paulista: textos que reafirmam o vigor beat-surrealista daqueles primeiros anos e, confrontados à produção atual, mostram que o poeta de hoje é mais solar e sereno, mas de iguais fundamentos. Tarde de Sol reatualiza aqueles tempos: “Os poetas: eles deveriam viver em permanente espanto diante / das civilizações que se desfaziam para renascer da própria sombra”. Que dos escombros se materialize um editor nacional à altura do poeta.

3 responses to this post.

  1. Posted by Alexandre Marino on 04/04/2016 at 18:23

    Caro Claudio,

    Li a matéria no Estadão de sábado e fiquei bastante curioso – até porque de fato conheço muito pouco de sua poesia, talvez pela escassez de livros de que fala a matéria. Talvez eu o conheça mais pelas traduções que pelos trabalhos próprios.

    É difícil, pelas características do mercado literário brasileiro, conhecer a fundo o trabalho de um poeta, incluindo o daqueles que publicam muito. Eu tento superar isso pesquisando e deixando fluir minha curiosidade, e comprando livros via internet. Para meu prazer, minha estante de poesia tem aumentado.

    Sou poeta com seis livros publicados, tenho muitos amigos poetas que leio frequentemente, minha curiosidade e interesse me permite conhecer mais do que é possível em condições normais e até já editei livros de amigos e conhecidos.

    Não vou me alongar contando histórias. Quero muito ler esse seu livro, e por isso lhe escrevo.

    Não se esqueça de me avisar quando estiver disponível.

    Grande abraço

    Alexandre Marino

    Brasília DF

    ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Alexandre Marino (61) 8114-5962 Poesia Nômade :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

    Responder

  2. Viva!! Gratíssima pela divulgação da entrevista, da resenha e tb do recital no próximo dia 7.

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  3. Que um editor nacional se materialize o mais rápido possível! Seu trabalho merece.

    Responder

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