Meu poema “Praia na Ilha”, da série “Impressões de Viagem”

Está em Estranhas Experiências. Foi postado por meu leitor José Frid no Facebook – resolvi reproduzir com ilustração, foto da praia onde o escrevi. Reparem em uma citação no corpo do poema – alguém reconhece, lembra-se? Acrescento link do blog do Frid, com uma seleção alternando poemas meus e traduções que já publiquei – acho que ficou bom, deu continuidade. Examinem.

fl-mole

Praia na ilha

é assim que eu gosto: ninguém por perto

só o acolchoado de areia macia

estendido entre as dunas

onde o esforço de andar

transforma os passos em gestos voltados para baixo

na direção do caldeirão

onde se debate a fumegante cordoalha

labirinto de convulsões

vazio atravessado por espasmos

novelo de tentáculos de espuma, de correnteza polar

e as mãos de gelo

que apertam a garganta e deslizam pelo ventre

– são as labaredas de mar, ganchos fincados nas costas

para nos arrastar ao fundo

– penetrar nesse abismo

é navegar o dorso da morte, transformar a consciência

em pátio de ventanias –

mas, no entanto

não somos daqui

viemos de muito longe

para descobrir a derradeira praia deserta

no costão oceânico da ilha

cercada por muralhas de vento e claridade

onde cobertores de maresia

são estendidos sobre nossos corpos

mansamente reclinados

sobre a pele dourada do Tempo

Praia Mole, Florianópolis, 1981

 

Agora, examinem a seleção willeriana – próprios e traduzidos – no blog do Frid:

http://blogdofrid.blogspot.com.br/search/label/Cl%C3%A1udio%20Willer

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