EM DEFESA DA PESQUISA (E DOS PESQUISADORES, É CLARO)

O MinC, Ministério da Cultura, voltou a ser SEC do MEC, como era até 1985. Besteira do gov. Temer, mas acho que logo recuperará o status de Ministério. Os programas, ao que parece, estão preservados. Falando em minha dupla condição de agente cultural e pesquisador, preocupa-me mais a situação do extinto Ministério da Ciência e Tecnologia, agora absorvido por aquele das Comunicações.

Pesquisa é decisiva para o desenvolvimento de um país. Duplamente: para o desenvolvimento econômico e humano. Pode gerar novos negócios e avanços na civilização. Principalmente, quando obedece a diretrizes humanistas como as da FAPESP, tão obtusamente criticada pelo governador Alckmin.

Sob esse aspecto, incentivos à C&T já padeciam de viés tecnocrático nos governos Dilma – indício, entre outros, exclusão de Humanidades de um programa como Ciência sem Fronteiras. E essas coisas grotescas: se eu marcar meu novo livro de poesia (ou qualquer outra produção) no Currículo Lattes, vem a pergunta sobre contribuição para o desenvolvimento tecnológico. Ora essa – desenvolvimento da capacidade de leitura é muito mais importante … ! E as pontuações, os periódicos desde A1 até, sei lá, G4 ou algo assim? As avaliações, transformando docentes e pesquisadores em caçadores de pontos no currículo, e não em produtores e transmissores de informação relevante, de conhecimento? Quantos já não desistiram de publicar livro para fatiar a produção em periódicos, que rendem mais pontos, embora tenham menor alcance? Difícil um país avançar desse modo.

Tudo isso já estava desmantelado, foi sendo sucateado nos governos Dilma. Os bolsistas com subvenções atrasadas; os com direito à bolsa à espera da grana sair; os editais suspensos ou desaparecidos. As universidades e instituições à míngua. O horror educacional. Abrirem universidades e criarem programas de subvenção para estudantes é importante, mas não justifica o desastre em programas estratégicos e cruciais – é despir um santo para vestir outro – ou falar em demagogia populista é mais apropriado?

O novo ministro responsável pela área, Gilberto Kassab, não me parece ter envergadura para enfrentar problemas dessa ordem. Que consiga, ao menos, escolher alguém qualificado para a C&T. Importante mesmo seria a comunidade científica e acadêmica mostrar a mesma capacidade de reação, mobilizando e pressionando, que os profissionais da cultura – ultrapassando a mera demanda corporativa e confrontando o visível empenho deste novo governo em mostrar que sempre é possível piorar.

One response to this post.

  1. Posted by Alcivan Giclet on 15/05/2016 at 12:01

    Muitos na esquerda brasileira acreditam que os EUA estão planejando ativamente a instabilidade atual no país com o propósito de se livrar de um partido de esquerda que se apoiou fortemente no comércio com a China, e colocar no lugar dele um governo mais favorável aos EUA que nunca poderia ganhar uma eleição por conta própria.

    Embora não tenha surgido nenhuma evidência que comprove essa teoria, uma viagem aos EUA, pouco divulgada, de um dos principais líderes da oposição brasileira deve provavelmente alimentar essas preocupações. Hoje — o dia seguinte à votação do impeachment — o Sen. Aloysio Nunes do PSDB estará em Washington para participar de três dias de reuniões com várias autoridades norteamericanas, além de lobistas e pessoas influentes próximas a Clinton e outras lideranças políticas.

    O Senador Nunes vai se reunir com o presidente e um membro do Comitê de Relações Internacionais do Senado, Bob Corker (republicano, do estado do Tennessee) e Ben Cardin (democrata, do estado de Maryland), e com o Subsecretário de Estado e ex-Embaixador no Brasil, Thomas Shannon, além de comparecer a um almoço promovido pela empresa lobista de Washington, Albright Stonebridge Group, comandada pela ex-Secretária de Estado de Clinton, Madeleine Albright e pelo ex-Secretário de Comércio de Bush e ex-diretor-executivo da empresa Kellogg, Carlos Gutierrez.

    A Embaixada Brasileira em Washington e o gabinete do Sen. Nunes disseram ao The Intercept que não tinham maiores informações a respeito do almoço de terça-feira. Por email, o Albright Stonebridge Group afirmou que o evento não tem importância midiática, que é voltado “à comunidade política e de negócios de Washington”, e que não revelariam uma lista de presentes ou assuntos discutidos.

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