“Linha M” de Patti Smith

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Quem, dentre meus amigos, presenteou-me com Linha M de Patti Smith? É excelente! De cara, na abertura, um relato de sonho em prosa poética. O restante segue assim, sendo autobiográfico também é onírico, de ponta a ponta. Viagens a lugares impossíveis, cercanias da Ilha do Diabo na Guiana Francesa, pegar umas pedrinhas para enviar a Jean Genet, assim homenageando-o. Ou à Islândia, a um simpósio para saber mais sobre o fim de um personagem impossível, Wegener (aquele da deriva continental). Ao interior do México, por servirem um café de qualidade especial (fissurada em café, dá roteiro de lugares). Ou à esquina de onde mora. Culto da “flânerie”, disponibilidade surrealista, é com ela mesma – e o texto retrata ou expressa isso. A obsessão por seguir passos de outros escritores; no livro anterior, Rimbaud na África, neste, Silvia Plath. Ao encontro de espectros beat em Tanger (deu tempo de entrevistar Paul Bowles, achá-lo ainda vivo). Capaz de encantar-se com Sebald e Murakami (faz tour de escritores japoneses suicidas e seus túmulos) e ao mesmo tempo acompanhar atentamente séries de TV como CSI: Miami – isso é típico de cultura pop.

Só garotos, autobiografia mais linear, mais focada na relação com Robert Mapplethorpe, já me havia agradado. Tenho livro de poesias dela e alguma gravação. Na palestra deste ano sobre poesia e xamanismo, apresentei trechos de sua interpretação da Ghost Dance. Trarei mais na próxima.

Ao ser entrevistado pelo Globonews Literatura sobre o Nobel para Bob Dylan, aprovei, mas declarei que melhor ainda teria sido darem-no para Patti Smith. E nem havia lido ainda Linha M.

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3 responses to this post.

  1. Eu não ganhei, mas um amigo emprestou-me. Excelente livro, de não largar até o fim. E ainda entrar no Google para localizar seu chalé praiano (existe!), entrar no seu site – tem um complemento do livro lá, escrito para a edição de bolso- videos,.etc. Uma boa experiência!

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  2. Posted by Carlao on 04/12/2016 at 22:14

    V. com certeza conhece o episódio dela com o Ginsberg. Ele deixou de encantar-se quando percebeu que ela não era um rapaz.

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  3. Posted by Mauro Jorge Santos on 08/12/2016 at 15:39

    Salvo engano, foi no The Poetry Project at St. Mark’s Church que Patti Smith fez as suas primeiras apresentações com poemas, acredito que de tempos em tempos ainda se apresente.

    Aqui o site:
    https://www.poetryproject.org/

    Responder

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