Archive for the ‘Notícias, Novidades e Agitações’ Category

“Em que creio eu”: a diversidade das crenças e descrenças

 

O livro é este: Em que creio eu, São Paulo: edições Terceira Via, Fonte editorial, 2017.

Trata-se de uma coletânea de depoimentos e crônicas organizada por Faustino Teixeira, especialista em misticismo, e Carlos Rodrigues Brandão, antropólogo. Reuniram 60 autores para tratar da questão. O gênero literário predominante é a crônica, mesclada de breves ensaios. Alguns – Alberto Pucheu, Frei Betto, Marco Lucchesi – preferiram contribuir com poemas. Só para exemplificar a diversidade, minha contribuição é precedida por textos de Carolina Ribeiro, psicóloga e estudiosa de ciências da religião, e Chico Pinheiro, apresentador na TV; e é seguida por aquelas de Clodomir Andrade, outro professor de ciências da religião, e Cristina Pereira, atriz. Talvez eu tenha entrado por conta do que escrevi sobre gnosticismos e anarquismos místicos, e suas relações com a poesia.

Livro prismático, caleidoscópico, adequado para circular nesses tempos de reaparecimento de sectarismos, pró ou contra. Fundamentalistas de umas ou outras espécies não apreciarão. Outros leitores encontrarão material para reflexão e – por que não? – fruição, entretenimento agradável.

De Faustino Teixeira também tenho a coletânea de ensaios No Limiar do Mistério: Mística e Religião, Paulinas: São Paulo, 2004 – recomendo.

EU RECOMENDO PARANÓIA DE ROBERTO PIVA ENCENADO POR MARCELO DRUMMOND

Ler poesia é uma coisa. O próprio Piva foi um excelente leitor, gravou bastante – inclusive uma leitura de Paranóia completo, com trilha de jazz escolhida por ele, preparada por Toninho Mendes. Será apresentada dia 32 de setembro, em mais uma evocação relativa aos 80 anos que comemoriaria. Mas interpretar poemas teatralmente é outra. Dificílimo. Um desafio. Embora Piva também tenha sido bem tratado nessa modalidade, com destaque para São Paulo Surrealista II, por Marcelo Marcus Fonseca e Teatro do Incêndio.

Motivo adicional para elogiar este novo Paranóia, pelo ator Marcelo Drummond, um piviano convicto. A destacar as variações inteligentes na dicção / elocução dos poemas e o equilíbrio do tratamento cênico, música e interpretação.

Seguem as informações sobre o espetáculo, enviadas por Álvaro Machado:

PARANOIA, de Marcelo Drummond, maravilhosa performance do grupo Oficina Usyna Uzona na Biblioteca Mário de Andrade (silhueta de Máriio na foto). Tem mais três segundas-feiras, ingressos grátis. Ficou tudo lindo demais! A montagem fílmica do Igor Marotti Dumont, Ciça e companheiros do Oficina é genial, deslumbrante, embriagante. Viva ROBERTO PIVA, 80 anos, COMEMORADO À ALTURA. Sonia Ushiyama Souto(diretora de arte e figurinos) em performance inicial, no saguão do edifício. Com Claudio Willer

14, 21 e 28 de agosto, segundas-feiras, 19h: Peça “Paranoia”, de Marcelo Drummond, sobre poemas de Roberto Piva Direção e interpretação de Marcelo Drummond, com intervenções ao vivo de Igor Marotti (vídeo) e Zé Pi (música) Monólogo com poemas e textos do poeta paulistano Roberto Piva (1937-2010), em maioria de seu famoso livro “Paranoia” (ed. Massao Ohno, 1968, com fotos de Wesley Duke Lee, reeditado por Instituto Moreira Salles, 2000), sobre o cotidiano do centro da cidade de São Paulo nos anos 1960, em lugares como a Avenida São Luiz e a Praça da República. Mário de Andrade, Antonin Artaud e Federico García Lorca também são rememorados na barafunda do viver na metrópole paulista em ebulição.

NOVA PALESTRA: A GERAÇÃO BEAT – REBELIÃO, VALOR LITERÁRIO E TRADUÇÕES

Onde: Centro de Pesquisa e Formação do SESC em São Paulo. Rua Dr. Plínio Barreto 285, 4º andar, Bela Vista

Quando: dia 07 de agosto, 2ª feira, de 15h00 a 17h00

O que será: Projetarei originais de poemas, de Allen Ginsberg e Jack Kerouac, lerei e comentarei minhas traduções. Comentarei a contribuição literária dos beats. Minha sinopse: Libertação do corpo e da sexualidade; anti-autoritarismo; ampliação da consciência: são temas tão disseminados que nem nos lembramos que entraram em circulação, como objeto de interesse mais amplo, há poucas décadas, através do impacto provocado por Allen Ginsberg, Jack Kerouac, William Burroughs, Gregory Corso, Michael McClure e outros autores ligados à Geração Beat. Contudo, essa contribuição política, impregnada de uma mística do excesso e da transgressão, não deve fazer que se perca de vista o valor literário, a consciência de que tiveram tamanha influência por terem sido extraordinários escritores. Isso será mostrado exibindo e comentando textos, especialmente de Ginsberg e Kerouac, confrontando originais e traduções.

VENHAM

Ontem dia 25/07, a “Homenagem a Claudio Willer” no bar-livraria Patuscada

Para meu gosto, minha preferência estética, a melhor imagem da sessão – algo de simbolista / decadentista, ou expressionista, ou beat, ou alguma outro confim da boemia.

Ainda postarei algo sobre palestra no Rio de Janeiro e aqui, no SESC, antes de viajar.

NO FESTIVAL DE INVERSO DO SESC-RIO: OFICINA DE POESIA E XAMANISMO COM CLÁUDIO WILLER

ONDE: Em Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo.

QUANDO: de 29 de julho a 06 de agosto de 2017

Será o curso, com adaptações e atualizações, que ofereci recentemente aqui, na Cia. Corpos Nômades. Reproduzo a sinopse, copiada da divulgação do SESC-Quitandinha, de Petrópolis (mas será a mesma nas três localidades).

http://www.festivalsescdeinverno.com.br/programacao/petropolis/oficina-de-poesia-e-xamanismo-com-cl-udio-willer-3661/

A SINOPSE: O que é um xamã? A que modalidades de magos, feiticeiros e sacerdotes se aplica o termo? Até que ponto alguns poetas podem ser identificados a xamãs? O que em suas obras justifica essa associação? Por que uma declaração como “O Eu é um outro” de Rimbaud resume algo típico do xamanismo? Qual a contribuição de Herberto Helder à compreensão das afinidades de poesia e xamanismo? Um poema como “o índio interior” de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima pode ser lido como xamânico? O soneto “Versos dourados” de Gérard de Nerval é poesia xamânica? Cabem as associações de Antonin Artaud ao xamanismo? O termo xamã, originariamente aplicado a sacerdotes ou feiticeiros siberianos e uralo-altaicos, deve sua extensão, consideravelmente, a Mircea Eliade, autor de O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase, livro de 1951. O historiador das religiões examinou iniciações com viagens aos céus e ao centro da terra, subidas e descidas ao longo de um eixo do mundo; experiências de morte e renascimento, destruição e reconstituição do corpo; utilização de substâncias psicoativas; o travestimento ou transexualidade; as provas de aquisição de poderes como profetizar, curar, deslocar-se. E a expressão através de outra linguagem –origem da poesia – possibilitando a comunicação com espíritos, animais, a natureza. Serão utilizados estudos e depoimentos mais recentes, a exemplo de A queda do céu de Davi Kopenawa e do que Viveiros de Castro escreveu sobre xamanismo na Amazônia, e dos estudos, por exemplo, de Piers Vitebski e Jerome Rothenberg. Enriquecem esse exame e tornam mais preciso o uso do termo. Será mostrado de que modo temas e traços do xamanismo podem ser encontradas em uma diversidade de autores, desde Dante Alighieri, passando por William Blake, Gérard de Nerval e Rimbaud, até modernos e contemporâneos como Jorge de Lima, Antonin Artaud, Vicente Huidobro, Herberto Helder, Michael McClure, Gary Snyder, Jerome Rothemberg e Roberto Piva. O objetivo é enriquecer a leitura da poesia, possibilitando enxergar mais sentidos.

A PROGRAMAÇÃO: OFICINA LITERÁRIA | POESIA E XAMANISMO | CLÁUDIO WILLER

Unidade: Sesc Quitandinha. Local: Biblioteca. Data: 29 e 30 de julho. Horário: 10h-13h. Classificação etária: livre

Unidade: Sesc Teresópolis. Local: Biblioteca. Data: 03 e 04 de agosto. Horário: 10h-13h. Classificação etária: livre

Unidade: Sesc Nova Friburgo. Local: Biblioteca. Data: 05 e 06 de agosto. Horário: 10h-13h. Classificação etária: livre

LINKS: . Petrópolis: http://www.festivalsescdeinverno.com.br/programacao/petropolis/oficina-de-poesia-e-xamanismo-com-cl-udio-willer-3661/

Nova Friburgo:  http://www.festivalsescdeinverno.com.br/programacao/nova-friburgo/oficina-liter-ria-poesia-e-xamanismo-cl-udio-willer-93692/

(Teresópolis em construção)

Meus livros na “Homenagem a Claudio Willer”

Lembrando: nesta generosa homenagem que Rubens Jardim preparou na livraria e bar Patuá com a participação ativa de leitores meus – nesta terça feira, dia 25, à Rua Luis Murat, 40- V.Madalena, a partir das 19h30 – estarão á disposição exemplares de A verdadeira história do século 20 (Córrego, 2016) e Estranhas experiências (Lamparina, 2004) em oferta promocional a R$ 25,00 o exemplar. E, ainda, os últimos exemplares disponíveis de Lautréamont: Os cantos de Maldoror, Poesias, Cartas (Iluminuras, nova edição de 2015) na venda também promocional a R$ 50,00 cada.

Motivo adicional para prestigiarem, acredito.

A ‘Homenagem a Claudio Willer’

Transcrevo a divulgação preparada pelo organizador, o poeta Rubens Jardim. Lerei poema – escolherei com carinho – e direi algo. Convidados lerão. Haverá livros meus à disposição do público, em oferta promocional. O Patuscada-Livraria & Café tornou-se um ponto de encontro importante de poetas e apreciadores de poesia.

INFORMA RUBENS JADIM, O RUBÃO: Um belo poema de Claudio Willer (Anotações de Viagem), poeta que será homenageado pelo Sarau Gente de Palavra Paulistano, dia 25 de julho, terça feira, a partir das 19h30, no Patuscada-Livraria & Café, Rua Luis Murat, 40- V.Madalena.

MEIO DIA

a Terra respira

formigas transitam por suas nervuras

arabescos de pássaros

pontuam o pausado discurso das nuvens

só existe o espaço

a paisagem lacustre

que agora cobre uma cidade submersa

e sem saber por que vim parar aqui

o que me trouxe a essa fronteira de lugares e sensações

entro n’água

a claridade me leva à deriva

flutuo no amplo

embebido no dia mais que morno

sei-me hóspede de quem tenho sido

(a superfície do lago

se desmancha no movimento dos círculos concêntricos)