Archive for the ‘Notícias, Novidades e Agitações’ Category

GRUPO DE ESTUDOS RIMBAUD

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Em primeiro lugar, agradeço muitíssimo pelo apoio recebido em um momento de dificuldade, uma transição algo complicada nesta fase da minha vida. Mais a respeito nas manifestações de Gledson Souza e Wilson Alves Bezerra no Facebook:

Sobre o GRUPO DE ESTUDOS RIMBAUD, é mais uma iniciativa do ativo Matheus Chiaratti. Em acréscimo ao informe, observo que, como se trata de grupo de estudos, tipo seminário, convém alguma  leitura – podem ser os volumes dele completo pelo Ivo, o Rimbaud por ele mesmo do Marsicano e Fresnot, o Rimbaud no Brasil de Carlos Lima, outras das traduções da poesia e da prosa poética, alguma das traduções de O barco bêbado, alguma das biografias, meu capítulo Rimbaud em Um obscuro encanto, etc.

Informa o organizador: COM CLAUDIO WILLER 6 encontros aos sábados intercalados – a começar no dia 19/01 10h às 12h – Endereço: Galeria Califórnia, r. Barão de Itapetininga, 255, sala 906.República, SP | R$ 210,00 pagos em dinheiro na primeira aula ou depósito para mim – Banco do Brasil, agência 0712-9, conta 1890-2 (meu cpf 516 745 138 – 87) – com envio de comprovante para matheusechiaratti@gmail.com

O grupo de estudos com o poeta Claudio Willer examinará as etapas da produção literária de Arthur Rimbaud (1854-1891): as poesias do seu início, quando ainda era um voraz leitor, adolescente no interior da França; as prosas poéticas de Uma Temporada no Inferno e Iluminações, as experiências catárticas e proféticas de um poeta-vidente; e, por fim, as suas correspondências, dados biográficos e a vida de reclusão na Abissínia, incluindo a negação da literatura. Afirma Claudio Willer: É hora de reler Rimbaud. Reacionários atualizam sua rebelião. Convidam à difusão dos impropérios contra os beatos em “Os pobres na igreja”, os burocratas em “Os assentados” e “Os aduaneiros”; os detentores do poder em “O Mal”; o beletrismo em “O que dizem ao poeta a respeito das flores”; valores estéticos em “Venus Anadiomene”; os bons sentimentos em geral em “O homem justo”. “Espero tornar-me um louco muito mau”: essa frase de “Vidas”, uma das Iluminações, poderia ser sua epígrafe geral. Com sua poética do delírio, do desregramento dos sentidos, atacou o próprio sentido das palavras: a relação de significação, substituído pela liberdade de significar. Em Uma estadia no Inferno, criou o monólogo do exilado
no mundo – “Por ora sou maldito, tenho horror à pátria”. Identificou-se aos marginais e criminosos: é “o forçado intratável contra quem se encerram as grades da prisão”. E especialmente aos negros, metáforas da diferença: “sou um bicho, um negro”. Em A Folie Baudelaire, Roberto Calasso o retrata como “adolescente selvático das Ardenas”, nascido e criado “numa terra renitente a civilizar-se”. Rimbaud, o poeta perverso. Em “Os poetas de sete anos”, encontra-se com uma “pirralha infernal”, que lhe pula às costas: “Ele por baixo então lhe mordiscava as popas, / porquanto ela jamais andava de calcinha.” Observa Calasso: “Até então a literatura vivera ignorando tudo isso. Nenhum escritor, nem mesmo Baudelaire, ousara mencionar cenas desse tipo. ” O poema “O barco ébrio”, que levou a Paris para mostrar a Verlaine, proclama seu ideal de liberdade absoluta. A tripulação do barco é morta, permitindo-lhe vogar à vontade. Para Calasso, “a cerimônia inaugural da literatura que soltou as amarras”. Exerceu especial influência através da fase final de sua obra. Sua poesia e prosa, junto com a “Carta do Vidente”, justificaram ver-se como o novo Prometeu: “O poeta é realmente o ladrão do fogo”. Uma estadia no inferno e Iluminações são literatura do século XX no final do século XIX. Iluminações poderia passar por obra escrita entre 1920 e 1930. Poemas descobertos e publicados mais tarde, como O álbum Zútico e Os stupra, são mais precursores ainda, pela ruptura com a relação de significação e de autoria. Sua retirada e silêncio têm múltiplas razões; entre outras, a derrota política. Sabia que “A verdadeira vida não está aqui”; preferiu não dizer mais nada a ter que expressar o desencantamento diante de um mundo que se fechava à realização da sua utopia, de “saudar o nascimento do trabalho novo, da nova sabedoria, a fuga dos tiranos e demônios, o fim da superstição, para adorar – os primeiros! o Natal na terra”. Sua vertiginosa recepção, como um dos autores de maior impacto no século XX, está na medida de seu inconformismo. E seus poemas e prosas poéticas continuarão a despertar talentos, mostrando possibilidades de expressar-se; manifestando o inconformismo diante do que está aí.

WILLER, Claudio. Arthur Rimbaud: o rebelde. https://www.academia.edu/7784336/Arthur_Rimbaud_o_rebelde

UMA RIFA

Rifa Viva Willer

As instruções e informações pertinentes estão neste link, a seguir:

VIVA WILLER! 

Sorteio de uma pintura do artista Matheus Chiaratti

Até o dia 31 de janeiro | R$ 30 o bilhete

Link: https://goo.gl/ccZ6t7 

Matheus Chiaratti, artista plástico e escritor, organizou recentemente aquela concorrida sessão sobre acaso objetivo comigo no Tapera Taperá e outra em seu ateliê sobre Rimbaud. Estamos preparando para janeiro um grupo de estudos sobre Rimbaud, entre outras iniciativas.

Da minha parte. só tenho a agradecer pela reativação do Viva Willer! e pelo apoio e solidariedade. O ganhador também receberá exemplar de livro meu autografado.

Boas Festas para todos. Que 2019 traga belas surpresas e notícias animadoras. Um abraço a todos.

 

Mais sobre surrealismo e cinema

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De qual esplêndido filme é esta bela imagem? E qual a sua relação com surrealismo em geral e André Breton em especial?

Quem souber responder ganha livro meu autografado. Duvido que alguém consiga. Essa conexão, acho, é descoberta minha.

Revelarei durante minha palestra sobre surrealismo e cinema, tema do post precedente deste blog. Projetaremos trecho. Este domingo, no SESC Vila Mariana, a partir das 14 h.

RIMBAUD E RESISTÊNCIA / ALQUIMIA DO VERBO: UMA PALESTRA

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Será amanhã, dia 24/10, das 19h30 às 21 h.

Informa Matheus Chiaratti:

Arte_Passagem convida o público para a aula aberta com o poeta Claudio Willer: RIMBAUD e RESISTÊNCIA.
“A Alquimia do Verbo”
Arthur Rimbaud é considerado o primeiro poeta da modernidade, com uma obra incendiária e precoce, questionadora da ordem e da sociedade do final do século XIX. Passados quase cento e cinquenta anos desde “Iluminuras”, a atualidade da sua poesia inspira rebeldia e questionamento em tempos sombrios.
A aula será ministrada no ateliê 906, no edifício galeria Califórnia, e é necessário confirmar a presença através do e-mail arte.passagem@gmail.com; pede-se também, gentilmente, a colaboração de R$15 por pessoa.
Venham todxs. Ele não.

Também está em ‘eventos’ no Facebook: https://www.facebook.com/events/364978190922031

Lembrando, Matheus e Arte-Passagem haviam promovido comigo aquela concorrida sessão sobre acaso objetivo no Tapera Taperá, há duas semas.  Repitamos. Prossigamos.

OFICINA: SURREALISMO, AS PORTAS DO MARAVILHOSO com Claudio Willer

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Informa o organizador:

Dias 01, 08, 15, 22 de outubro de 2018. Segundas das 19h30 às 21h30 Número de Vagas: 30 Público Alvo: Pessoas com interesse em literatura e criação artística em geral. Valor por aula de R$30,00 (pagos no dia de cada aula).

Inscrições através do e-mail ciacorposnomades@gmail.com  – anexar uma carta sucinta de interesse e escrever no assunto Oficina com Claudio Willer. Na sede da Cia. Corpos Nômades – Espaço Cênico O LUGAR Rua Augusta, 325 – São Paulo – SP .

Pretendo adicionar algo com relação a cursos que já dei. O tema do arcaico em sua relação com as inovações, por exemplo. O mundo mítico. Interessará a quem já fez e a quem ainda não fez esse tipo de jornada. Lembrando, a última gerou um grupo de Facebook, ‘Surrealismo solúvel’.

O surrealismo não será abordado exclusivamente como capítulo de literaturas nacionais e da história da literatura, mas como poética e visão de mundo. Como observou Octavio Paz em O Arco e a Lira, se “o surrealismo não é uma poesia, mas uma poética”, é “mais ainda, e, sobretudo, uma visão de mundo”. E, de modo mais enfático: “o surrealismo é um movimento de liberação total, não uma escola poética”. Também Julio Cortázar advertira contra enquadrar surrealismo em uma classificação periódica de escolas e movimentos literários: “Higiene prévia a toda redução classificatória: o surrealismo não é um novo movimento que sucede a tantos outros. Assimilá-lo a uma atitude e filiação literárias (melhor ainda, poéticas) seria cair na armadilha em que malogra boa parte da crítica contemporânea do surrealismo.”

Pretende-se não apenas ampliar o conhecimento da literatura propriamente surrealista, ou com vínculos como esse movimento, porém estimular a reflexão, a capacidade de leitura e interpretação de obras. E avançar na discussão das relações entre poesia, mito, magia, misticismo e hermetismo, mostrando como o surrealismo, sendo inovador, ao mesmo tempo retoma e até recupera uma tradição e modos arcaicos de pensar e ver o mundo.

Colagem Jorge de LimaCruzeiro Seixas 75_b

NOVAS PALESTRAS SOBRE POESIA E XAMANISMO

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Onde: CASA DAS ROSAS, ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA, +55 (11) 3285.6986 | 3288.9447 • contato@casadasrosas.org.br  Av. Paulista, 37 • Bela Vista • CEP 01311-902 • São Paulo • Brasil

Quando: Terças-feiras, 9, 16, 23 e 30 de outubro de 2018, das 19h às 21h

Informam os organizadores (reparem no link para inscrições): O ciclo de palestras mostrará como alguns poetas podem ser identificados a xamãs, e certos aspectos do xamanismo podem ser encontrados em autores como Dante Alighieri, William Blake e Rimbaud, bem como em modernos e contemporâneos como Jorge de Lima, Antonin Artaud, Herberto Helder e Roberto Piva.

Faça sua inscrição online ou presencialmente, na recepção da Casa das Rosas, a partir de 15/9/2018, até o preenchimento das vagas.

É necessário confirmar a inscrição frequentando a primeira aula de cada curso. Faltar na primeira aula implica o desligamento automático do aluno.

Claudio Willer é poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde, ao surrealismo e geração beat. Livros recentes: A verdadeira história do século 20 (Córrego, 2016, Apenas Livros, Lisboa, 2015); Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico, ensaio (L&PM, 2014); Manifestos, 1964-2010, (Azougue, 2013), Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (Civilização Brasileira, 2010); [etc]

Reparem na ilustração que escolhi, desta vez. Um “joker”, coringa, figura de baralhos e do tarô inspirado no “triskster” por sua vez associado a xamanismos. Acho que conseguirei adicionar algo ao que tenho dito sobre Antonin Artaud e xamanismo (falei na semana retrasada em Brasília), insistir na minha interpretação de Jorge de Lima como poeta xamânico, e examinar questões perturbadoras, como essa do mesmo xamanismo ocorrer no âmbito de diferentes cosmogonias e teogonias.

LIVROS MEUS ESTARÃO À VENDA

Na Livraria Tapera Taperá. Por ocasião da minha palestra sobre acaso objetivo e poesia e vida, na próxima quinta feira, conforme anunciado no post precedente.

Autografarei, é claro.

A verdadeira história do século 20 será vendido a R$ 20,00 o exemplar.

Estranhas experiências será vendido a R$ 30,00 o exemplar.

Ofereço aqui um poema de cada um dos livros:

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Meio-dia

a Terra respira

formigas transitam por suas nervuras

arabescos de pássaros

pontuam o pausado discurso das nuvens

só existe o espaço

a paisagem lacustre

que agora cobre uma cidade submersa

e sem saber por que vim parar aqui

o que me trouxe a esta fronteira de lugares e sensações

entro n’água

a claridade me leva à deriva

flutuo no amplo

embebido no dia mais que morno

sei-me hóspede de quem tenho sido

(a superfície do lago

se desmancha no movimento dos círculos concêntricos)

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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SÉCULO 20

contemplação: estrela no fundo do mar

você: véu de gaze azulada roçando, suave apelo

furacão: róseo

perfeição: parábola de perfumes

lâmina: a mente alucinada

gruta: você e os arcanos da natureza

matemática do sonho: esta nuvem

gelo: explosão de relâmpagos

essa solidez, essa presença: capim ao vento

rápidos, passando à frente: lavanda

e também sombra de árvore

montanha: inteiramente nossa

intimidade sorridente: no calor da tarde

Íris: o nome da flor, o seio ao sol

– quanta coisa você fez que eu visse

o acaso nos transportava e poderíamos ir a qualquer lugar

o mundo tinha janelas abertas

e tudo era primeira vez

 

gnose do redemoinho, foi o que soubemos