Archive for the ‘Notícias’ Category

BILHETE PARA O BIVAR, de Roberto Piva

©twjonas

Soube há pouco que Antonio Bivar se foi. COVID. Poema do Piva para ele, de Estranhos sinais de Saturno, desgraçadamente atual. Foto de tw jonas, abril do ano passado, após mesa sobre contracultura e lançamento de Dias ácidos, noites lisérgicas.

BILHETE PARA O BIVAR

hoje é o dia que os
anjos descem nas
catacumbas de cimento
sem o aviso das
máquinas de empacotar
sem saltar sobre
caramanchões de poluição
disseminando comportamento
de Lacaio
é o momento do
último homem
o que dura mais
tempo
é o tempo do crime
& sua prova
a caveira que ri
na noite vermelha
a explosão demográfica
& a fome a galope
é o Sol mudo a
Lua paralítica
Drácula janta na
Esquina

E para que ser poeta
em tempos de penúria? Exclama
Hölderlin adoidado
assassinos travestidos em folhagens
hordas de psicopatas
atirados nas praças
enquanto os últimos
poetas
perambulam na noite
acolchoada

DUAS VEZES NOVALIS

florazul_hinos_capas

A reimpressão / reedição de A flor azul, lançado ano passado, pela editora de Rafael Copetti. (quem disse que livro bom não vende?)

O lançamento de Hinos à noite, pela Clepsidra.

Ambos prefaciados por mim.

A flor azul vem com capa e ilustrações do extraordinário artista plástico e poeta Rodrigo de Haro – meu amigo há décadas. Tem apresentação e tradução de Maria Aparecida Barbosa. Faz parte do inacabado Heirich von Ofterdingen, uma saga romântica. A flor azul é um símbolo forte, impregnado de mistério.

Hinos à noite é elegantemente ilustrado por colagens de Filipe Florence Rios. Tradução e posfácio de Felipe Vale da Silva. É obra precursora do poema em prosa ou prosa poética (e que prosa poética!), importante a partir de Baudelaire, Rimbaud e simbolistas.

Duas palavras sobre Maria Aparecida Barbosa e Felipe Vale da Silva, a quem não conhecia: são gente que sabe das coisas. Ensaios impecáveis. O modo como Felipe examina a categoria “romantizar”, por exemplo. As traduções, nota 10 – enfim, um prazer participar.

A meu favor: não me repito nesses dois prefácios (mas reaproveito algo do capítulo “Novalis e a gnose de Jena” de meu Um obscuro encanto.

Minha sugestão, ambiciosa: uma edição completa dos Fragmentos de Novalis, vertiginosos. Temos a edição de Polem pela Iluminuras, preparada, claro que com competência, pelo poeta e filósofo Rubens Rodrigues Torres: mas abrange sua produção mais propriamente filosófica. Quero mais do místico e visionário. Geistliche Lieder, cantos espirituais, também pode ser. Como ele fez tudo isso antes de morrer aos 29 amos, mistério.

Novalis foi um holista, em busca da síntese dos saberes. A poesia como instância máxima do conhecimento. Bom para ser retomado em períodos de ameaça de obscurantismos.

 

 

 

Surrealismo prossegue

Corpos Nomades 08 10 18-WA0013

Este post, só para ficar registrada a bela foto de minha palestra de surrealismo de segunda feira passada, dia 8, na Cia. Corpos Nômades. Valoriza / destaca as obras que comentei. Feita por João Andreazzi – como podem ver, talentoso fotógrafo e não só encenador / criador teatral.

Segunda feira próxima tem mais (outras infos nos posts precedentes aqui).

Falando sobre surrealismo

Corpos Nômades 01 10 18

Ontem à noite – segunda feira, 01/10 – fotografado por João Andreazzi nos Corpos Nômades. Meu tema, origens do surrealismo. Ao fundo, o “douanier” (aduaneiro) Rousseau. Conforme Roger Shattuck em The Banquet Years (é o texto que está na minha mão, na edição francesa, Les Primitifs d’Avant-Garde) Rousseau nunca foi aduaneiro, trabalhou como guarda da alfândega, “gabelou”, passando em seguida a viver de tocar violino nas ruas para recolher uns trocados e da venda de seus quadros a preços irrisórios (ninguém o levava a sério, até ser descoberto por Alfred Jarry e divulgado por Apollinaire). Examinei também  “Art Brut” e artistas loucos – Adolf Wölfly, que não conheciam, impressionou.

Na próxima sessão, tratarei de surrealismo e antropologia (e mitos, evidentemente). Meu ponto de partida,  esta observação de Jacqueline Chénieux-Gendron em “Il y aura une fois”: “Uma das formas de surrealismo é a etnografia”.  Falarei sobre mitos. E sobre surrealismo e conhecimento. Pierre Mabille estará presente. VENHAM.

Mais no post precedente neste blog.

 

A matéria na revista Literatura e alguns tópicos relacionados

1 Revista Literatura julho 2018_n

Fiquei muito satisfeito com as páginas dedicadas a mim, entrevistado pelo poeta Luis Perdiz, nessa revista, Conhecimento Prático Literatura. A publicação toda é de qualidade. Crônicas, resenhas, artigos sobre tradução, erotismo, Camus, clássicos, leitura. É animadora a existência de mais uma revista literária, com distribuição ampla, vendida em bancas. Precisamos. Que estimule e forme leitores.

Perdiz finaliza sua matéria com uma pergunta, que transcrevo, junto com minha resposta:

Recentemente, amigos e leitores se mobilizaram por conta da falta de oportunidade remuneradas para você poder seguir com seus trabalhos. Teria algo a dizer acerca das dificuldades de um artista e de um entusiasta da literatura no Brasil atual?

Porra. Retrocessos brasileiros. É evidente que eu deveria ter direito a uma bolsa para prosseguir, por exemplo, sobre poesia e xamanismo – tenho algumas novidades, percepções originais do tema. Currículo para isso eu tenho. Ou então, poderia ser chamado para dar cursos, oficinas e tal regularmente, sem levar vida de frila. Apoio à produção de conhecimento, em geral, retroagiu no Brasil. Há, inclusive, fuga de cérebros, gente que se mudou para outro lugar.

O que vem por aí?

Dias ácidos, noites lisérgicas, crônicas. Vocês gostarão. Escrevi em três meses. Algo – mas só com subvenção, bolsa – sobre poesia e xamanismo.

Meus motivos para reclamação – e pedidos de ajuda que receberam apoio e solidariedade – estão detalhados neste post, na página do Instituto Hilda Hilst, preparado por meu amigo Gutemberg Medeiros, repercutindo o que foi publicado na rede social por meu amigo Oswaldo Pepe:

https://www.facebook.com/InstitutoHildaHilst/posts/vamos-ajudar-o-poeta-cl%C3%81udio/1546539658772091/

Subsistem. Quarto à poesia e xamanismo, estou preparando algo para apresentar no Colóquio de Estética Indígena, em Goiânia, na próxima semana. Será tema de meu próximo post. Também pretendo publicar algo sobre poetas / intelectuais em dificuldades – alguns precursores notáveis, inclusive em tempos nos quais não havia esse apoio de redes sociais e do meio digital.

 

COLAR GUILHERME DE ALMEIDA

Colar Guilherme de Almeida

Na próxima sexta feira receberei o Prêmio Colar Guilherme de Almeida na Câmara Municipal de São Paulo. Agradeço aos amigos que comparecerem. A indicação deve ter provindo de Marcelo Tápia, que dirige a Casa de Guilherme de Almeida, instituição ativa.

O CONVITE:

O Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Vereador Milton Leite, tem a honra de convidar para a Sessão Solene de entrega do Prêmio

Colar Guilherme de Almeida

Instituído pela resolução n° 05/2015, destinado a pessoas físicas e jurídicas que tenham prestado valiosa colaboração à literatura, ao cinema, ao teatro, à música, às artes plásticas e a outras formas artístico-culturais da cidade de São Paulo.

29 de junho de 2018, às 19 horas Salão Nobre Presidente João Brasil Vita

R.S.V.P. Tel: 3396-4239 Email:  eventos@camara.sp.gov.br

Palácio Anchieta Viaduto Jacareí, 100 – 8º andar. Bela Vista – São Paulo – SP

HOMENAGEADOS:

Cel PM Antonio Carlos Mendes – Veterano de 32

Dr. Celso Lafer – Jurista

Claudio Willer – Escritor e Poeta

Demônios da Garoa – Grupo Musical

Dra. Ana Maria de Almeida Camargo – Historiadora

Fernanda Bianchini – Bailarina e Fisioterapeuta

João Carlos Martins – Pianista e Maestro

Laura Cardoso – Atriz

Prof.ª Dra. Nelly Martins Ferreira – Socióloga

CLAUDIO WILLER ESTÁ DE MUDANÇA

Na foto, o local.  É no prédio.

Pela burocracia brasileira de telecomunicações, talvez seja mais difícil achar-me – mas abrirei internet. E atenderei celular.

Quem quiser / precisar saber do meu novo endereço, gostaria que se comunicasse comigo por e-mail ou no “inbox” do Facebook – transmitirei com satisfação.

Mudança de local inclui a artista plástica Maninha Cavalcante.

Logo darei mais boas notícias.

Obrigado.

Choveu: alagou, desabou, levou, soterrou

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Claro que todos sabem a causa desses horrores como os que acabaram de acontecer em Mairiporã (foto), Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras e outros municípios da Grande São Paulo, com vítimas e muita destruição – em Mairiporã, conforme a notícia, um bairro acabou, foi varrido pela enchente. E com a inundação do antigo hospício do Juqueri, em Franco da Rocha, com internos arrastados pela enxurrada – deve ter sido uma cena espantosa, merecedora de ser filmada.

A recíproca de faltar água, dos reservatórios da região secarem. Faces da mesma moeda. Principal causa, os desmatamentos em encostas de montanhas – no caso, da Serra da Cantareira. Abrindo espaços para os loteamentos clandestinos. Máfias dos loteamentos se beneficiam. Prefeitos, principalmente, e políticos locais ajudam a promover, em troca dos votos desses ocupantes que vão se instalando. Com a omissão cúmplice de órgãos e autoridades municipais e federais. Ao final, os mais pobres levam a pior, vítimas sempiternas. Assim foi e tem sido também em Teresópolis, Petrópolis (onde sumiram com a grana de auxílio às vítimas), Angra dos Reis e tantos outros lugares.

E continuará sendo.

Alguma notícia:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/03/1748860-em-mairipora-familias-buscam-soterrados-em-cenario-de-destruicao.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/03/1748753-chuva-causa-deslizamentos-de-terra-e-morte-na-grande-sao-paulo.shtml

(acho que meus posts sobre temas ambientais deveriam ganhar maior atenção e circulação)

EM TEMPO: Tem um idiota que mandou uns 5 posts me acusando de apoiar “a evangélica”. Foram para a lixeira, pois não admito pseudônimo com e-mails falsos, quem tiver algo a dizer que mostre a cara. Na verdade, nesse caso específico, dos estragos em municípios adjacentes à Serra da Cantareira, reclamação seria dirigida, em primeira instância, aos governos estaduais de São Paulo. Administrações municipais também colaboraram.

RETIFICANDO, EU HAVIA POSTADO INICIALMENTE COMO SE FOSSE NO SÁBADO DIA 29 MAS SERÁ NO SÁBADO SEGUINTE DIA 05 DE SETEMBRO

Lançamento de Vertigens, novo livro de poesias de Wilson Alves-Bezerra –

ONDE: Biblioteca Mário de Andrade, R. da Consolação, 94, São Paulo – SP, 01302-000, fone 11 – 37775-0002

QUANDO: Dia 05 de setembro, sábado, a partir das 15 h.

Venham. Escrevi o prefácio do livro. Farei uma “présentation” ao modo europeu, ou seja, direi algumas palavras. Haverá outros acontecimentos.

Wilson Alves-Bezerra, professor de Letras na UFSCar, em São Carlos, é um intelectual ativo e autor produtivo. Recentemente, lançou as prosas de Histórias Zoófilas e outras atrocidades (ed. UFSCar) . Também publicou os ensaios Reverberações da fronteira em Horacio Quiroga (Humanitas/FAPESP, 2008) e Da clínica do desejo a sua escrita (Mercado de Letras/FAPESP, 2012). Informa que voltou a escrever poesia após participar de oficina literária comigo em São Carlos, em 2010. Já aconteceu com outros autores, também. Vertigens é publicado pela Iluminuras.

Mais informações, incluindo entrevista com o autor, em http://livreopiniao.com/2015/07/22/em-entrevista-wilson-alves-bezerra-comenta-sobre-seu-novo-livro-vertigens/

Imagens: capa do livro e foto inédita, recente, com Wilson, Antonio Fernando de Franceschi e comigo, depois de almoçarmos. Em breve, dia 09 de setembro, Antonio Fernando de Franceschi e eu nos apresentaremos em São Carlos. Focalizarei a poesia dele (de Antônio Fernando). Noticiarei.

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Curso Surrealismo: uma poética do delírio em Londrina

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ONDE: Campus da UEL, Universidade de Londrina, PR, Sala 101 do CLCH –

QUANDO: Dias 21 e 22 de agosto, sexta feira e sábado. HORÁRIOS: 21-08, sexta-feira, das 19h às 23h; 22-08, sábado, das 8h às 12h e das 14h às 18h, sala 101.

INSCRIÇÕES de 10 a 19 de agosto 2015, pelo site da UEL (Proex, Divisão de Eventos). Valor: R$ 10,00. PÚBLICO ALVO: alunos de graduação e pós-graduação em Letras, Artes, História, Filosofia, Sociologia, Educação e Áreas afins; demais interessados. Haverá emissão de certificados para comparecimento integral. PROMOÇÃO: Programa de Pós-Graduação em Letras.

Iniciativa da professora Marta Dantas, autora de um belo ensaio sobre Nadja de André Breton e um substancioso livro sobre Arthur Bispo do Rosário, entre outras contribuições relevantes. Já dei minicurso sobre Geração Beat na UEL em 2009, também convidado por ela. Desta vez, será aproveitando a viagem para ser banca da tese sobre Kerouac de Gabriel Pinezi – pelo que tenho visto, inclusive na ocasião anterior em que fui banca, da tese de Ricardo Mendes Mattos sobre Piva no IP da USP, entre outras, a inteligência brasileira vêm se expressando através de trabalhos acadêmicos substanciosos e originais.

Ilustrei o post com uma das máscaras dos índios Hopi que fascinavam Breton. Do mesmo modo como no curso recente que dei na Cia. Corpos Nômades, eu me apoiarei em imagens, tratando de poesia e da relação de surrealismo e cidade, objetos surrealistas, outras culturas e o mundo mítico. Agradeço retransmissão e outros modos de divulgação.

Preparei uma ementa:

O tema “poética do delírio” será abordado através de dois ensaios de André Breton, “Le méssage automatique” e “Situação surrealista do objeto”, além do que está em meu ensaio “Surrealismo e filosofia”: os três, tratando do confronto de subjetividade e objetividade. Serão examinados os modos de confusão das duas instâncias, subjetividade e objetividade, na criação poética, e também nas artes visuais, cinema, arquitetura. E na própria vida, através da errância ou disponibilidade; do sonho; das aproximações a outras culturas e sociedades; dos encontros e da categoria criada por Breton, o acaso objetivo. Os tópicos serão ilustrados através da exibição de material audiovisual, além das leituras de textos. Conseqüentemente, o curso poderá interessar a estudantes, pesquisadores e outros interessados não só da área de literatura, porém de artes visuais, cinema, filosofia e antropologia.

Vou me apoiar bastante em dois livros maravilhosos: Le Surrealisme et le Rêve de Sarane Alexandrian (livro dele sobre surrealismo e artes visuais também é ótimo), e Le Miroir du Merveilleux de Pierre Mabille. Textos sugeridos para leitura prévia, da minha página no Academia.edu, https://independent.academia.edu/ClaudioWiller :

https://www.academia.edu/…/A_PROP%C3%93SITO_DO_SURREALISMO_…

https://www.academia.edu/…/MAGIA_POESIA_E_REALIDADE_O_ACASO…

https://www.academia.edu/6542…/Sobre_surrealismo_e_filosofia

E do meu blog: https://claudiowiller.wordpress.com/2012/02/09/andre-breton-pierre-mabille-haiti-vodu/

Em breve haverá mais, inclusive um curso como este, mas com oito sessões, na Unicamp.  Agradeço divulgarem, propagarem, difundirem, fazerem circular a informação