AINDA SOBRE O FECHAMENTO DE UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE NO BANCO SANTANDER EM PORTO ALEGRE

Pelo maior alcance, pela visibilidade, por permanecer, transcrevo aqui meus posts no Facebook, na sequência cronológica:

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Episódio vergonhoso. Parece que MBL e organizações afins resolveram ampliar seu campo de atuação, deixando claro a que vieram, reeditando procedimentos como os dos nazistas contra a “arte degenerada”. E que corporações empresarias fazem questão de mostrar-se covardes. Será que a censura é mesmo algo que vai e que volta?

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Quem, dentre as instituições culturais de São Paulo, teria a coragem de trazer pra cá essa mostra que foi fechada em Porto Alegre, no Santander? A do LGTB? Alô, alô, Pinacoteca, Centro Cultural, Fundação Bienal, MASP (se fosse no tempo do Bardi, ele topava), MAM, MAC-USP, Instituto Tomie Ohtake, Instituto Moreira Salles, Itaú Cultural, Caixa Cultural, CCBB, SESC (Danilo, que tal a idéia?)… Quem mais? Quem terá “i coglioni”, como dizem naquela península? Público, haverá. Fascistas fizeram uma boa propaganda.

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Depois do episódio do Santander em Porto Alegre, que tal ficarmos assim: bancos e corporações afins só terão o direito de abrir centros culturais se mostrarem que a) têm vergonha na cara; b) não têm medo de fascistas; c) respeitam artistas e obras de arte. Convenhamos, não é pedir demais. Ah – claro que õrgãos públicos, também

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Teatro Alfa, aqui em São Paulo, é do Santander, não é? Já não gostava, mausoléu suntuoso cravado em zona de bairros pobres, saguão parece desfile de moda quando tem espetáculo. Não vou mais lá. BOICOTE ÀS CORPORAÇÕES E INSTITUIÇÕES QUE SE CURVAM DIANTE DOS FASCISTAS!

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Sobre o fechamento da mostra de de temática LGBT com 264 obras de artistas consagrados no Santander em Porto Alegre,

Após ser acusada por grupos de extrema direita de ser apenas apologia a pedofilia, zoofilia e anticristã, conforme noticiado aqui, entre outros lugares: https://jornalistaslivres.org/2017/09/fascistas-forcam-encerramento-de-exposicao-de-arte-em-porto-alegre/
Havia publicado no Facebook :
Episódio vergonhoso. Parece que MBL e organizações afins resolveram ampliar seu campo de atuação, deixando claro a que vieram, reeditando procedimentos como os dos nazistas contra a “arte degenerada”. E que corporações empresarias fazem questão de mostrar-se covardes. Será que a censura é mesmo algo que vai e que volta?
Vi algumas canhestras justificativas do fechamento. Por isso, prossigo, observando que:
a) Ninguém foi obrigado a visitá-la, iria quem quisesse, quem não estivesse a fim, que fosse a outro lugar;
b) Por isso, os argumentos – “argumentos”… – dessa gente implicam, necessariamente, a volta da censura, de alguém a resolver o que podemos ver e frequentar no cinema, teatro, que livros podemos ler etc.
c) Como todos sabem, é gigantesca a fila de obras proibidas e que causaram escândalo em um dado momento, porém reabilitadas mais tarde. As flores do mal de Baudelaire, inclusive. Eu vi o documentário sobre a mostra “Entartete kunst”, “arte degenerada”, promovida por Hitler. Os artistas expostos à execração, os dadaístas, cubistas, expressionistas, surrealistas, os Otto DixErich HeckelOskar KokoschkaFranz MarcEmil Nolde, figuram nos compêndios de História da Arte. Os artistas bons, saudáveis, na ótica totalitária, reaparecem eventualmente como exemplo de mau gosto. É bom lembrar que soviéticos fizeram a mesma coisa, ao imporem o “realismo socialista” como norma.
d) De todo modo, é inútil argumentar com essa gente. Determinados conteúdos os excitam. Terapia, quem sabe: trancá-los numa sala e obriga-los a assistir ao documentário sobre as fotografias de Robert Mapplethorpe? A Salò de Pasolini? Os dois volumes de Ninfomaníaca de Lars von Trier? Material educativo, que pode ajudar a esclarecê-los, felizmente não falta, hoje em dia – e isso torna ainda mais dissonante o que ocorreu em Porto Alegre.
Meio digital está aí – façamos que imagens e obras dessa mostra circulem. É a melhor resposta. Mostra inclui obras de Lygia Clark, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Clóvis Graciano, Fabio Del Re, Flávio Cerqueira, Gilberto Perin, Sandro Ka, Yuri Firmesa e Leonilson – entre outros notáveis pervertidos.

LANÇAMENTO DE UMA NOVA COLEÇÃO DE ENSAIOS E COLETÂNEAS DE POESIA

Quando: dia 15 de setembro, sexta feira, das 19 às 21 h.

Onde: Casa das Rosas: Av. Paulista, 37 – São Paulo – SP

Escrevi sobre três excelentes poetas: Celso de Alencar, Eunice Arruda e Péricles Prade. Complementam os ensaios poemas que escolhi

Iniciativa – mais uma – de Valdir Rocha, o artista plástico e amigo de poetas, artistas e apreciadores da poesia e das artes, criador dos selos editoriais Pantemporâneo e Quaisquer . São dele as capas exibidas aqui.

Abrindo, direi algo. Celso de Alencar, Eunice Arruda e Péricles Prade terão poemas lidos. Eunice nos deixou recentemente. Celso e Péricles estarão presentes.

Será um belo encontro. Venham.

Assim era o rio Taquari

 

Tirei esta fotografia em 1967. No rio Taquari, formador do Pantanal de Mato Grosso, próximo ao Coxim. Pescávamos, eu e um amigo. E havia muito peixe. Uns menores, parecidos com sardinhas, era jogar o anzol e puxar.

Agora acabou, é noticiado. Assoreado, arenoso. E isso compromete todo o Pantanal. Levaram décadas para degradar o rio, desde 1970, com um daqueles planos de colonização. Houve um tempo em que financiamento da Caixa saia desde que o empreendedor ocupasse inteiramente o solo com agricultura. Preservar mata ciliar, não podia. Aquela foi a era da ignorância, da irresponsabilidade completa. Dei nisto, conforme estas notícias a seguir. Debatem, apresentam projetos, tentam resolver. Não conseguirão. Como se não bastasse, há essas tentativas de fazer a mesma coisa ou algo parecido na Amazônia.

https://www.campograndenews.com.br/meio-ambiente/degradacao-do-rio-taquari-custa-rs-2-bilhoes-para-a-economia-de-ms

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,AA1363908-5598,00-EROSAO+E+ASSOREAMENTO+AMEACAM+O+RIO+TAQUARI.html

 

 

A EBCT, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS, UM DE MEUS TEMAS PREFERIDOS NESTE BLOG E NA REDE SOCIAL

 

Mísero envelope com um papelito, um RPA – outro anacronismo, outra perda de tempo com papelada a mais. Mas tem que seguir por SEDEX. A funcionária pesa o envelope e me cobra R$ 38,50. Acho um roubo e faço cara de espanto. “Mas é para outra localidade! Para Petrópolis!”, justifica. E ainda me informa: “Leva dois dias úteis”.

Sou o único cliente na agência da Avenida Pompéia, às 11 da manhã desta manhã gelada. Três atendentes á espera de que apareça mais alguém. Nossos correios – dentre os piores do mundo, os mais caros e mais lentos – estão acabando. Primeiro com os e-mails, depois com as mensagens reproduzidas por scanner e a comunicação por celulares, vão perdendo a função. Dano à cultura, por onerarem e retardarem circulação de livros, disso venho reclamando desde 1982, por aí. Os correios e seus burocratas zelosos – chegavam a examinar o tamanho da dedicatória para então resolver se iriam cobrar a tarifa especial para livro ou aquela das postagens comuns. Um deles me obrigou a refazer um envelope, só porque o endereço do remetente no verso estava invertido com relação àquele do destinatário.

Em 2013 havia publicado algo aqui, perguntando se a privatização ou ao menos a quebra de monopólio não seria uma solução. Este post: https://claudiowiller.wordpress.com/2013/09/12/em-favor-da-privatizacao-dos-correios/ Bastante comentários. Um reclamou: “os correios são umas das poucas coisas que os brasileiros tem”.  Outro diagnosticou que era por falta de funcionários, imaginem só, e que o Brasil tem dimensões continentais. Claro que também foi postada uma reclamação, de entrega que deveria ser rápida e não chegava nunca.

Em 2005, quando estourou o “mensalão”, a então senadora Ideli Salvatti compareceu a um programa da TV para argumentar que as denúncias e investigações eram para quebrar o monopólio dos correios. Nossos defensores da herança do regime militar, especialmente do governo Geisel.

Acho que perderam a chance de livrar-se do bagulho. E que nossos correios terão o mesmo destino do Loide Brasileiro – lembram-se? A empresa assentada na premissa, aparentemente lógica, de que navegação entre portos brasileiros deveria ser feita, exclusivamente por uma empresa nacional. O prejuízo foi tamanho que não deu nem mesmo para vender, passar pra frente. Restou apenas pagar as contas e tapar o enorme buraco, para fechá-la.

Sei muito bem que a questão não é essa. Oligarcas corruptos administrarão mal e provocarão prejuízos, seja em regime de estatização ou de privatização. Continuam aí. O que presenciamos na EBCT vale como triste sintoma.

 

“Em que creio eu”: a diversidade das crenças e descrenças

 

O livro é este: Em que creio eu, São Paulo: edições Terceira Via, Fonte editorial, 2017.

Trata-se de uma coletânea de depoimentos e crônicas organizada por Faustino Teixeira, especialista em misticismo, e Carlos Rodrigues Brandão, antropólogo. Reuniram 60 autores para tratar da questão. O gênero literário predominante é a crônica, mesclada de breves ensaios. Alguns – Alberto Pucheu, Frei Betto, Marco Lucchesi – preferiram contribuir com poemas. Só para exemplificar a diversidade, minha contribuição é precedida por textos de Carolina Ribeiro, psicóloga e estudiosa de ciências da religião, e Chico Pinheiro, apresentador na TV; e é seguida por aquelas de Clodomir Andrade, outro professor de ciências da religião, e Cristina Pereira, atriz. Talvez eu tenha entrado por conta do que escrevi sobre gnosticismos e anarquismos místicos, e suas relações com a poesia.

Livro prismático, caleidoscópico, adequado para circular nesses tempos de reaparecimento de sectarismos, pró ou contra. Fundamentalistas de umas ou outras espécies não apreciarão. Outros leitores encontrarão material para reflexão e – por que não? – fruição, entretenimento agradável.

De Faustino Teixeira também tenho a coletânea de ensaios No Limiar do Mistério: Mística e Religião, Paulinas: São Paulo, 2004 – recomendo.

EU RECOMENDO PARANÓIA DE ROBERTO PIVA ENCENADO POR MARCELO DRUMMOND

Ler poesia é uma coisa. O próprio Piva foi um excelente leitor, gravou bastante – inclusive uma leitura de Paranóia completo, com trilha de jazz escolhida por ele, preparada por Toninho Mendes. Será apresentada dia 32 de setembro, em mais uma evocação relativa aos 80 anos que comemoriaria. Mas interpretar poemas teatralmente é outra. Dificílimo. Um desafio. Embora Piva também tenha sido bem tratado nessa modalidade, com destaque para São Paulo Surrealista II, por Marcelo Marcus Fonseca e Teatro do Incêndio.

Motivo adicional para elogiar este novo Paranóia, pelo ator Marcelo Drummond, um piviano convicto. A destacar as variações inteligentes na dicção / elocução dos poemas e o equilíbrio do tratamento cênico, música e interpretação.

Seguem as informações sobre o espetáculo, enviadas por Álvaro Machado:

PARANOIA, de Marcelo Drummond, maravilhosa performance do grupo Oficina Usyna Uzona na Biblioteca Mário de Andrade (silhueta de Máriio na foto). Tem mais três segundas-feiras, ingressos grátis. Ficou tudo lindo demais! A montagem fílmica do Igor Marotti Dumont, Ciça e companheiros do Oficina é genial, deslumbrante, embriagante. Viva ROBERTO PIVA, 80 anos, COMEMORADO À ALTURA. Sonia Ushiyama Souto(diretora de arte e figurinos) em performance inicial, no saguão do edifício. Com Claudio Willer

14, 21 e 28 de agosto, segundas-feiras, 19h: Peça “Paranoia”, de Marcelo Drummond, sobre poemas de Roberto Piva Direção e interpretação de Marcelo Drummond, com intervenções ao vivo de Igor Marotti (vídeo) e Zé Pi (música) Monólogo com poemas e textos do poeta paulistano Roberto Piva (1937-2010), em maioria de seu famoso livro “Paranoia” (ed. Massao Ohno, 1968, com fotos de Wesley Duke Lee, reeditado por Instituto Moreira Salles, 2000), sobre o cotidiano do centro da cidade de São Paulo nos anos 1960, em lugares como a Avenida São Luiz e a Praça da República. Mário de Andrade, Antonin Artaud e Federico García Lorca também são rememorados na barafunda do viver na metrópole paulista em ebulição.