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Rejeitada a censura a Monteiro Lobato: uma vitória da literatura

Lembram-se da polêmica de 2012, sobre racismo na obra de Monteiro Lobato? A propósito de Caçadas de Pedrinho. Tratei dela aqui, em meu blog. Reclamei da judicialização, da transferência de questões literárias e pedagógicas para a esfera jurídica, querendo que magistrados exercessem funções de educadores e críticos literários.
Pois bem: ministro Luiz Fux, do Supremo, acaba de rejeitar a ação, acatando parecer do Procurador Geral. Aqui, a boa notícia:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/12/1566213-stf-rejeita-inclusao-de-nota-em-livro-de-monteiro-lobato.shtml
Meus comentários a respeito haviam resultado em centenas de acessos e dezenas de comentários. Vejam:
https://claudiowiller.wordpress.com/2012/09/11/monteiro-lobato-censura-e-analfabetismo-funcional/
https://claudiowiller.wordpress.com/2012/09/12/ainda-monteiro-lobato/
Havia, também, as retiradas de obras de Dalton Trevisan e a espantosa ação contra palavras em dicionários. Na mesma época, a orientação daquela secretaria social para que o Ministério da Cultura não subvencionasse obras relacionadas á pornografia, drogas, tráfico etc.
Que o desfecho desse caso contribua para jogar a pá de cal ou assentar a pedra tumular sobre as imposições ditatoriais do politicamente correto, tentando restringir a ci9rculação de informações e a liberdade de expressão.

Biografias, artistas e bostas de vaca

Tenho especial predileção por comédias do Gordo e Magro, Laurel & Hardy, pelo corrosivo humor anarquista. Em um dos filmes da dupla, dos mais fracos, quando já estavam decadentes, ambos morrem em um desastre aéreo. Fugiam da cadeia em um teco-teco. Seus espectros olham para o campo onde caiu o avião no qual voavam, e vêem uma vaca pastando. O filme termina com um diálogo (reproduzo de memória). Oliver Hardy, o Gordo, vira-se para Laurel: “Pois é, Stan, veja como são as coisas, você está enterrado neste pasto, o capim vai crescer em cima de você, a vaca vai comer o capim, vai digerir o capim, vai despejar o que digeriu, fazer plof-plof-plof, eu vou olhar para o monte de bosta e dizer, puxa vida, como você mudou…” Stan Laurel, o Magro, responde: “Pois é, Ollie, veja como são as coisas, você está enterrado neste pasto, o capim vai crescer em cima de você, a vaca vai comer o capim, vai digerir o capim, vai despejar o que digeriu, fazer plof-plof-plof, eu vou olhar para o monte de esterco e dizer, puxa vida, como você não mudou nada…”

A cena me ocorre com freqüência. Lembrança suscitada por vários políticos contemporâneos, administradores públicos e também por artistas. Mais recentemente – hoje – por causa do apoio de Caetano, Gil etc à censura prévia a biografias defendida por Roberto Carlos.

Comentário a respeito:

http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2013/10/05/chico-gil-caetano-e-djavan-de-censurados-a-censores/

Aberração brasileira, isso só existe aqui – e dá-lhe aberração pois abrange até gente em domínio público, biografia de Lampião, imagine, e de Noel Rosa…. Já havia tratado desse assunto, em meu artigo “Em defesa das biografias”:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag66willer.htm

Agora, nessa altura dos acontecimentos, não argumento mais. Só ironias, como essa da história do Gordo e o Magro. Eles mudaram muito ou não mudaram nada? Em qualquer caso, plof-plof-plof e outras sonoridades para eles.