Posts Tagged ‘censura’

Um substancioso debate sobre Liberdade de Expressão

1 liberdade de expressãoFACEBOOK
No próximo dia 19 de março, quinta feira, às 14 h.
Local: Auditório do Centro Cultural do IEL na Unicamp (lembrando, o campus fica em BarãoGeraldo, imediações de Campinas)
Expositores, Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia na UNICAMP, e eu, compondo mesa coordenada por Márcio Seligmann-Silva, professor de teoria Literária na mesma universidade. Evento organizado por Paulo Sérgio de Vasconcellos, que dirige o Centro Cultural do IEL.
Gostarei de participar. O que já li de Roberto Romano e Márcio Seligmann-Silva, apreciei.
Pretendo falar durante 38 minutos, inclusive recorrendo a alguma coisa já publicada sobre o tema neste blog, desde tentativas locais de reintroduzir censura até os terríveis acontecimentos recentes em escala mundial. Pretendo chegar a alguma reflexão sobre o sentido da História, sobre paradigmas para interpretá-la.
A propósito dessas espantosas recorrências de atrocidades, talvez mencione Hipácia de Alexandria em 400 d.C. (por alguns séculos, sob os Ptolomeus, Alexandria parecia uma utopia iluminista antecipada, com sua biblioteca e intensa produção cultural) e Giordano Bruno em 1600 (a historiadora Frances A. Yates observa que, naquele tempo, assistir a queimas de bruxas era passatempo familiar, em Paris havia umas 100 por ano). É como se tivessem trocado os lados do campo ou as camisas dos times? Com todo esse progresso evidente em outros campos, inclusive científico, tecnológico, econômico? (basta comparar expectativa de vida naqueles tempos e hoje)
Assunto não faltará. Venham. Divulguem.

Anúncios

Censura através de gráficas, atingindo Moebius e Jodorowky

Podia apenas ter postado no Facebook o link com a matéria denunciando. De Jotabê Medeiros, no Caderno 2 do Estadão de hoje, 21/12 . No entanto, neste blog ganha maior alcance, chega a mais gente, e permite agregar informações adicionais.
É um novo estágio da censura: a gráfica que se recusa a imprimir uma obra, por achá-la “pornográfica”. No caso, Garras de Anjo, com desenhos de Moebius (Jean Giraud) sobre um texto de Alejandro Jodorowsky. Artistas importantíssimos, mundialmente reconhecidos.
A matéria:
http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,quadrinhos-eroticos-vivem-uma-especie-de-redescobrimento,1610281
Sobre Moebius / Jean Giraud, entre outras páginas, selecionei estas:
http://www.moebius.fr/Accueil-actuaites-moebius
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Giraud
https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=Moebius+images
Sobre Jodorowkiy, que já teve peças encenadas, filmes exibidos e obras expostas no Brasil (verbete da Wikipédia está incompleto):
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Jodorowsky
Como bem observa Jotabê, qual seria a reação do gráfico obscurantista diante de algo como a adaptação de História de O, obra atribuída a Pauline Réage, por Guido Crepax? (aqui publicada pela L&PM, assim como outras obras de Crepax)
Será uma extensão da recente celeuma a propósito do Manual de boas maneiras para meninas, de Pierre Louÿs? Esta:
https://claudiowiller.wordpress.com/2014/03/31/obscurantismo-histeria-e-principalmente-analfabetismo-funcional/
Poderia ser tomada como manifestação individual, nesse caso mais recente da gráfica, ou de uma periferia lunática, como no caso das manifestações contra Pierre Louÿs. No entanto, tem uma dimensão institucional. Censura já chegou a ser praticada, recentemente, como política de governo, como havia denunciado aqui:
https://claudiowiller.wordpress.com/2012/09/17/caso-gravissimo-censura-em-edital-da-funarte-e-biblioteca-nacional/

Uma seleta de passagens edificantes e instrutivas do “Manual de boas maneiras para meninas” de Pierre Louÿs

Pierre Louÿs downloadDa Azougue editorial, 2006, coleção Devassa, tradução de Bernardo Esteves, Tiago Esteves e Paulo Wernek. No original francês, “Manuel de civilité pour les petites filles à l’usage des maisons d’éducation”, publicado em 1926. A data deve ser levada em conta: um livro anacrônico, pois hoje a educação das mocinhas é menos rígida, não são obrigadas a ir semanalmente à missa e a comungar, nem a rezar ao espertar e na hora de dormir, tampouco a comparecer a fastidiosos jantares em família; ademais, há menos tabus relativos a sexo e erotismo. Não obstante, a obra é relembrada e ultimamente vem suscitando manifestações iradas. Como já observei no Facebook, toda vez que vêm à tona denúncias de estupros, algumas pessoas acham que a culpa é de Pierre Louÿs.
O manual é dividido em capítulos: ‘No teatro’, ‘No baile’, ‘No confessionário’ etc, culminando com “Na cama com uma amiga”e “Na cama com um velho”. Já levei a rodas de leitura e cursos, para tratar de sátira. Examinei as negações afirmativas, os “Nunca faça” e a série final do “Nunca diga”.
Após reproduzir trechos, informo sobre Pierre Louÿs e comento as broncas recentes. Seguem alguns dos espirituosos conselhos às menininhas:
“Não fique na varanda cuspindo sobre os passantes, sobretudo se estiver com porra na boca.
Não mije no degrau mais alto da escada para fazer cascata.
Se lhe perguntarem o que você bebe nas refeições, não diga que só bebe porra.
Não faça ir e vir um aspargo em sua boca olhando languidamente o jovem que você pretende seduzir.
Não faça cocô na musse de chocolate, ainda que, por estar proibida de tomar sobremesa, você esteja certa de que não vai comê-la.
Se bater uma punheta para seu vizinho com o guardanapo dele, seja discreta para que ninguém perceba.
Se encontrar um cabelo suspeito em sua sopa, não diga: “Oba, um pentelho do cu!”
Colocar mel entre as pernas para que um cãozinho venha lambê-la é permitido a rigor, mas é inútil retribuir-lhe o serviço.
Meninas bem educadas não mijam no piano.
Caso tenha se masturbado no elevador, coloque suas luvas de volta antes de entrar.
Se uma mulher se recusar a se sentar, não lhe dê conselhos sobre o perigo de ser enrabada por um estabanado.
Ao despertar, uma menina deve terminar totalmente de se masturbar antes de começar a rezar.
Se você não se masturbou o bastante de manhã, não termine na missa.
Se chupar um homem antes de ir comungar, controle-se para não engolir a porra: você não estaria mais em jejum como deveria estar.
Se você transar à tarde em uma igreja do interior, não lave sua bunda na água benta. Longe de purificar o pecado, você estaria agravando sua falta.
Não se masturbe no confessionário para ser absolvida logo em seguida.
Não entre nos mictórios para ver os homens mijando.
Se um velho sátiro lhe mostrar seu membro numa curva de uma aléia, nada a obriga a lhe mostrar sua xoxotinha por educação.
Não entre em um salão de cabeleireiros pedindo descaradamente para escovar os pêlos do cu.
Não ponha a mão na calça do seu vizinho para ver se o balé o deixa de pau duro.
Ao nadar, não peça às pessoas presentes permissão para fazer xixi. Faça sem autorização.
Não mande anunciar pelo vilarejo que você perdeu o cabaço. O homem que o encontrou não o devolverá.
Quando seu pai se apresentar no círculo social que freqüenta, não diga: “Olha o corno aí!”; se disser, faça-o baixinho.
Se você sentar na coxa esquerda do seu pai, não esfregue a bunda na pica dele para deixá-lo de pau duro, a menos que vocês estejam a sós.
Se você estiver se masturbando quando seu pai entra no quarto, pare: é mais conveniente.
Não chame sua mãe de vaca velha, piranha de beira de estrada, chupadora de puta, cagadora de porra, pústula ambulante etc. Essas são expressões vulgares.
Se sua mãe perguntar o que você prefere beijar, não responda: “O cu da empregada”.
Masturbe seu irmão na cama dele, nunca na sua. Isso a comprometeria.
Quando sua irmã estiver mijando, não retire o penico para que ela faça no chão. Seria uma brincadeira de mau gosto.
Não faça troça da sua irmã se ela não quiser dar a bunda. Uma menina é inteiramente livre para oferecer apenas um buraco a seus amantes.
Todas as noites, antes de se masturbar, faça a sua oração ajoelhada.
Algumas meninas muito vigiadas compram uma santinha em marfim polido e usam-na como consolo. É um uso condenado pela Igreja.
Se você descobrir que é filha do amante e não do marido, não chame esse homem de papai na frente de vinte e cinco pessoas.
Quando tiver acabado de chupar alguém, não vá à cozinha cuspir a porra em uma panela. Os criados fariam mau juízo de você.
Nunca diga: “Minha boceta”. Diga: “Meu coração”.
Nunca diga: “Quero trepar”. Diga: “Estou nervosa”
Nunca diga: “O pau dele é muito grande para minha boca”. Diga: “Sinto-me pequena quando converso com ele.”
ETC
PIERRE LOUŸS (1870 – 1925), belga, se tornou mais conhecido por “As canções de Bilitis”, musicadas por Claude Debussy. Críticos caíram na pseudo-epigrafia e acreditaram que existisse uma poeta grega chamada Bilitis, contemporânea de Safo de Lesbos. E por “La femme et le pantin” (A mulher e o fantoche), drama filmado por Joseph von Sertenberg, estrelado por Marlene Dietrich em 1935. Escreveu uma quantidade de narrativas históricas. “Afrodite”, sobre prostituição sagrada em Alexandria, tem edição brasileira. Há outra edição, rara, de “Três filhas da mãe”, obra transgressiva, perto da qual o “Manual” é recatado. Já integrei banca de uma boa tese de doutorado, “Cortesãs de Pierre Louÿs” de Paula Gomes Macario, UNICAMP, dezembro de 2012.
Sobre as reações recentes, já me havia manifestado:
https://claudiowiller.wordpress.com/2014/03/31/obscurantismo-histeria-e-principalmente-analfabetismo-funcional/
Parece que o fundamento das reclamações é o patrocínio dessa e outras edições, em 2006, pela cervejaria Devassa. O capitalismo corruptor. Até a década de 1980, censores achavam que era o comunismo, para dissolver a família. Este artigo sobre representações da mulher na propaganda, não como lasciva, mas como dedicada servidora doméstica, que me foi encaminhado por Sergio Cohn da Azougue, é muito bom: http://fuersie.tumblr.com/
A categoria “sexismo” é coisa de gente que anseia pelo retorno da moral vitoriana. A leitura literal de sátiras é sintoma de semianalfabetismo. Infelizmente, há ativistas empenhadas em confundir feminismo, responsável pelo fim da subordinação da mulher ao homem em sociedades modernas, com obscurantismo. Chegou a ser aberto um procedimento no Ministério Público, por causa da celeuma – felizmente não deu em nada.
A praga do politicamente correto: pois já não houve um edital da Funarte e Biblioteca Nacional, em 2012, oficializando censura? Denunciei: https://claudiowiller.wordpress.com/2012/09/17/caso-gravissimo-censura-em-edital-da-funarte-e-biblioteca-nacional/
Se deixarem, proibirão não apenas títulos de Pierre Louÿs, mas Lolita de Nabokov, a obra obscena de Hilda Hilst, todo William Burroughs, Henry Miller etc, além, é claro, do Marquês de Sade. Reverterão conquistas que consumiram tempo, e também dinheiro: as batalhas judiciais da Grove Press de Barney Rosset na década de 1960 enfraqueceram a editora e contribuíram para seu fim, conforme relatado em “A hora terna do crepúsculo” (Globo, 2013) de Richard Seaver, um dos editores. Enfim, não faltam motivos para não admitirmos retrocessos.

Biografias e assombrações

É meu artigo que saiu hoje, 30/10, no Correio Braziliense. Página de internet do jornal só permite acesso de anunciantes, por isso reproduzo o arquivo em word. Que coisa, havia-me esquecido do exemplo mais expressivo para ilustrar essa fobia dos biografados: O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde – obras na qual, justamente, se encontram os dois temas, do duplo ameaçador e do espelho.

Este blog está com 101.850 acessos, terá mais de 6.000 este mês e conta com 189 assinantes. QUERO MAIS. Premam o botão “seguir” – assim ficarão sabendo de todos os acontecimentos imanentes e transcendentes, espaciais e temporais.

Biografias e assombrações

Claudio Willer

Que estrondoso tiro pela culatra deram os integrantes do movimento “Procure saber”, através da desastrada porta-voz secundada por um coral de declarações titubeantes, algumas delirantes, da plêiade de artistas. Transformarão o Brasil em um país de leitores de biografias. Não sabem que a censura estimula o interesse pelo censurado? Que o recalcado volta com mais força? Que as vendas de Howl and other poems (Uivo e outros poemas) de Allen Ginsberg dispararam após o processo por obscenidade de 1957? Que gerações quiseram ler D. H. Lawrence e Henry Miller para saber o que havia desencadeado a fúria puritana? A divulgação em meu blog do depoimento de Domingos Pellegrini sobre Paulo Leminski bateu um recorde de acessos. Meu artigo de 2008 sobre a proibição da biografia de Guimarães Rosa por Alaor Barbosa (e sobre Lorca por Ian Gibson, Joyce por Richard Ellman etc) voltou a ter leitores.

Autorização para publicar biografias, assim como tutela antecipada, impedindo circulação: aberrações inexistentes em países civilizados. Atingem a produção do conhecimento. Não se trata apenas dessa ou daquela personalidade da literatura, artes ou política; mas de informação histórica, sociológica, sobre a vida. Pois já não houve herdeiros sequiosos que interferiram em pesquisas legitimamente acadêmicas?

Biografias podem ser de má qualidade, com equívocos, distorções? Que a crítica se manifeste. Podem ofender? Que ofendidos recorreram á justiça. O judiciário é lento? A pior solução, criar leis esdrúxulas.

Como o jogo parece definido, quero avançar. Examinar contrapartidas literárias da polêmica sobre biografias. São os doppelgänger, os duplos romântico dos relatos de E. T. A. Hoffmann, Von Chamisso e tantos outros. Receberam um tratamento de especial brilho através do “William Wilson” de Edgar Allan Poe, publicado em 1839. A história do jovem aristocrata, vítima de alguém idêntico – ao ganhar um jogo e ser denunciado como trapaceiro, ao ser impedido de seduzir uma mulher maravilhosa. Mata o “absoluto na identidade”: descobre que também se matara. Diz-lhe o duplo: “Em mim tu existias… e vê em minha morte, vê por esta imagem, que é a tua, como assassinaste absolutamente a ti mesmo”.

Outra história famosa de duplos, dessa vez não idênticos, porém opostos, é a do médico e o monstro, O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson, publicada em 1886. Com um final igualmente sanguinolento: o duplicado, ao destruir o duplo, dá fim a si mesmo. Mais uma variação sobre o tema, literariamente poderosa: O duplo de Dostoiévski, de 1846. Sincrônica àquela de Poe, mas protagonizada por um burocrata e não um aristocrata: o alterego o prejudica até levá-lo à destruição.

Duplos, o outro eu, foram, mais que tema, uma obsessão de Jorge Luis Borges. Assim como espelhos – abomináveis, disse, desde sua História universal da infâmia, por duplicarem a realidade. Julio Cortázar também escreveu contos esplêndidos com duplos.

Sua matriz, penso, está em Shakespeare, no Caliban que não suporta ver-se no espelho, em A tempestade. Contém ensinamentos que os membros do “Procure saber” desconhecem. Inspiraram a Freud o ensaio famoso, Das Unheimliche – que pode ser traduzido como “estranho”, “insólito”, “sinistro”. Categoria-chave para entender sua marcante presença literária, recorrendo à psicanálise: o narcisismo. São histórias de pessoas centradas em si, incapazes de estruturar o ego e relacionar-se com o mundo. Simbolicamente, os artistas que se puseram em evidência, de modo tão desfavorável, querem controlar suas imagens e o restante, o mundo todo. Os sucessores, pior ainda: o ilustre antepassado, agenciado ou representado, é uma pessoa interposta, através da qual buscam reduzir sua irrelevância.

Que vão todos bater á porta dos psicanalistas e outros terapeutas. Resolvam seus problemas de identidade, seu narcisismo, neuroses e fobias, sem impedir o trabalho de pesquisadores; sem criar transtornos a autores e editores; sem nos sonegar informação.

Biografias, artistas e bostas de vaca

Tenho especial predileção por comédias do Gordo e Magro, Laurel & Hardy, pelo corrosivo humor anarquista. Em um dos filmes da dupla, dos mais fracos, quando já estavam decadentes, ambos morrem em um desastre aéreo. Fugiam da cadeia em um teco-teco. Seus espectros olham para o campo onde caiu o avião no qual voavam, e vêem uma vaca pastando. O filme termina com um diálogo (reproduzo de memória). Oliver Hardy, o Gordo, vira-se para Laurel: “Pois é, Stan, veja como são as coisas, você está enterrado neste pasto, o capim vai crescer em cima de você, a vaca vai comer o capim, vai digerir o capim, vai despejar o que digeriu, fazer plof-plof-plof, eu vou olhar para o monte de bosta e dizer, puxa vida, como você mudou…” Stan Laurel, o Magro, responde: “Pois é, Ollie, veja como são as coisas, você está enterrado neste pasto, o capim vai crescer em cima de você, a vaca vai comer o capim, vai digerir o capim, vai despejar o que digeriu, fazer plof-plof-plof, eu vou olhar para o monte de esterco e dizer, puxa vida, como você não mudou nada…”

A cena me ocorre com freqüência. Lembrança suscitada por vários políticos contemporâneos, administradores públicos e também por artistas. Mais recentemente – hoje – por causa do apoio de Caetano, Gil etc à censura prévia a biografias defendida por Roberto Carlos.

Comentário a respeito:

http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2013/10/05/chico-gil-caetano-e-djavan-de-censurados-a-censores/

Aberração brasileira, isso só existe aqui – e dá-lhe aberração pois abrange até gente em domínio público, biografia de Lampião, imagine, e de Noel Rosa…. Já havia tratado desse assunto, em meu artigo “Em defesa das biografias”:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag66willer.htm

Agora, nessa altura dos acontecimentos, não argumento mais. Só ironias, como essa da história do Gordo e o Magro. Eles mudaram muito ou não mudaram nada? Em qualquer caso, plof-plof-plof e outras sonoridades para eles.

Uma consulta

Em tempo (postado no dia seguinte, 11/08): somando comentários aqui e no Facebook, é dez a zero, unanimidade, em favor de juntar tudo, montar um só dossiê. Agradeço. Vou proceder já à edição.  

Ia fazê-la pelo Facebook. Mas este blog é melhor para textos mais extensos. Agradeço se responderem, seja nos comentários da própria rede social, seja aqui.

É o seguinte: como é notório, havia aberto o dossiê “Censura no Facebook”, transcrevendo relatos e denúncias, em março de 2012. Desfile de absurdos: usuários suspensos por exibirem quadros clássicos em museus, notícias de jornal etc, além de casos evidentes de censura política, de idéias e posições. Este:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/03/22/censura-no-facebook-um-dossie/

Ao chegar a 69 relatos, achei extenso demais, pouco confortável para consulta. Abri um segundo post:

https://claudiowiller.wordpress.com/2013/08/01/dossie-censura-no-facebook-2/

No entanto, ter tudo junto, mesmo disfuncional para blogs, facilita pesquisas e consultas. Deu-me vontade de juntar tudo outra vez.

O que acham? Mantenho dossiê 1 e 2, ou junto tudo?

O primeiro deles, o extenso, teve milhares de acessos. Todo dia consultam. Vem sendo citado e tenho dado entrevistas.  Exemplos:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/facebook_reintroduz_a_censura_no_brasil

http://www.bhaz.com.br/censura-de-volta/

Acabei de atender a repórter de – de onde mesmo? – revista Imprensa, acho – logo saberei. Enfim, estratégia de fazer dossiê funcionou, somada, é claro, a outras iniciativas.

Próximo passo, urgente: tema chegar ao debate parlamentar sobre Marco Civil da Internet. É simples: basta constar que termos de adesão não podem sobrepor-se às leis brasileiras, principalmente no que se relaciona à liberdade de expressão e privacidade. Parece óbvio: no entanto, já houve consulta ao Ministério Público – por incrível que pareça, alegaram os contratos, termos de adesão. Haveria outros direitos a proteger, de usuários verem só aquilo com que concordam? Simples; que os incomodados bloqueiem quem mandou o que lhes parecer ofensivo. Evidentemente, quem ultrapassa limites e quebra normas jurídicas – casos de nazismo, outros modos de discriminação, incitação á violência (tem, e muito), comércio sexual do tipo ilegal, calúnias e difamações etc – continua sujeito às conseqüências.

Pretendo fazer novas consultas jurídicas. Importante o tema chegar a movimentos sociais progressistas e respectivas manifestações; que se propague.

Os posts aqui citados não foram minhas únicas manifestações. A tag “censura no Facebook” tem bastante:

https://claudiowiller.wordpress.com/?s=Censura+no+Facebook

Dossiê censura no Facebook 2

Reuni os dossiês a 11/08 – todos os casos ficam, portanto, em uma única publicação. 

Em tempo (postado a 07/08):  Resistência à censura no Facebook é assim: a gente vai denunciando, repercussão vai aumentando, como se vê por este link enviado por Elizabeth Lorenzotti, que inclui a Nina Simone de Floriano Martins :
http://www.bhaz.com.br/censura-de-volta/

Ia ampliar meu dossiê sobre censura no Facebook. Aquele:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/03/22/censura-no-facebook-um-dossie/

Mas ficou extenso demais – ultrapassou 60 casos. Então, melhor abrir um novo post. Perplexo – fazem questão de passar à história como retrógrados idiotizados. Imaginem só, censurarem aquela foto manjadíssima de Marilyn Monroe quando ainda era Norma Jean Baker, que já rodou o mundo infinitas vezes desde 1950. Além das notícias de jornal, quadros de museus, fotos de índios …

Em tempo (no dia seguinte): adiciono o excelente artigo de Eliozabeth Lorenzotti no Observatório de Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/facebook_reintroduz_a_censura_no_brasil

Mantenho a sugestão de alerta para a tramitação do Marco Civil da Internet. Pode subordinar essas corporações à legislação brasileira nos tópicos da liberdade de expressão e privacidade. Ou não.

1. Postado por Celia Musili a 31/07:

No segundo ano consecutivo do Dia Pela Livre Manifestação do Nu no Facebook tivemos dezenas de fotos censuradas durante o protesto. Na minha página, duas de nu masculino, uma de cara fazendo xixi de costas numa praia e uma clássica do poeta Allen Ginsberg , que considero um meio-nu porque ele segura uma tabuleta na frente dos órgãos genitais. Isso me dá a certeza de que não há o menor critério quanto às imagens censuradas. As denúncias, na sua maioria, partem de usuários anônimos do FB que denunciam outros usuários, de acordo com a política de delação estimulada e instituída pela rede, coisa em si vergonhosa. Feita a denúncia não creio que os censores do FB analisem os casos, se o fizessem não censurariam a foto de Ginsberg que nem é exatamente um nu. Eles apenas acatam as denúncias e se alguém não vai com sua cara pode denunciá-lo por isso e não exatamente por sua postagem. Neste Dia do Nu tivemos, como disse, algumas páginas e postagens censuradas. Os bloqueios, que impedem os usuários de usarem normalmente a rede e funcionam como punição, variam de 24 horas a 30 dias, peguei 30 dias pela segunda vez, talvez porque seja uma reincidente contra à censura ao nu. Entre os amigos censurados tenho conhecimento dos seguintes casos: foram censuradas páginas e postagens das poetas Líria Porto e Prisco Rizzo, do fotógrafo (ex Estadão) Carlos Ruggi , do jornalista Luiz Carlos Lorencetti e da amiga que assina La belle de Jour, todos no dia do protesto. No dias subsequentes, houve remoção de imagens em outras páginas o que mostra que a delação e censura se acenderam após o Dia do Nu, entre eles cito censuras a fotos postadas por Elizabeth Lorenzotti e Cyntia Lopes que participaram ativamente da manifestação. Entres os casos mais gritantes e vergonhosos para o FB, cito a censura a nus de tribos indígenas. Não é mais possível tolerar este tipo de censura que é pura discriminação com outra cultura, que os “homens” do FB desconhecem e não compreendem. Isso se chama simplesmente intolerância e não devemos admiti-la sob hipótese nenhuma. Tenho um perfil 2 que uso quando sou censurada no meu perfil original e continuo na rede por teimosia e vontade de seguir na luta contra a ignorância de uma mídia da Idade Mídia!

2. Por Elizabeth Lorenzotti a 01/08:

Fui suspensa pelo Facebook por 24 horas. Depois de censurarem duas fotos – uma de Iansã e outra de indios – agora censuraram a clássica foto de Marilyn Monroe posando nua, quando ainda era Norma Jean. Esta última foto não postei nesta página, mas no Grupo contra a censura no Facebook, que é fechado. O Facebook estimula a delação, o que é um horror. Um artigo meu no Observatório da Imprensa sobre a censura no Facebook deve sair brevíssimo. Eu avisarei e passarei o link.