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Escritores e gatos: um poema de Kerouac

Kerouac 0401

Na dicotomia tradicional de cães e gatos, escritores parecem ter tomado, majoritariamente, o partido dos gatos. Entre outros, formando um elenco díspar, Baudelaire, Hemingway, Joyce, Cortázar, Guimarães Rosa, Burroughs, Bukowski, Kerouac. De Joyce acaba de ser lançado O gato e o diabo, seguido de Os gatos de Copenhagen, tradução de Eclair Antonio Almeida Filho, pela Lumme.

Qual terá sido o melhor texto, o mais intenso expressando admiração por gatos? Orientação dos gatos de Cortázar ou O gato por dentro de Burroughs?

Baudelaire e Bukowski também escreveram contra os cães, por verem a decantada fidelidade como submissão (ou vice versa). Quanto a mim, sou neutro, nada contra uns e outros. Certa vez tentei criar uma jibóia, gostei de ver como ficavam nos telhados das casas em Pindaré Mirim no Maranhão, trouxe um espécime em uma caixinha no avião (naquele tempo tudo era permitido), mas não deu certo, infelizmente não se aclimatou. Tive um amigo excêntrico, maníaco por cães e que detestava gatos. Criou um Sealyham Terrier que ganhava prêmios em exposições. Certa vez foi visto caminhando pela Rua Higienópolis vestindo um terno xadrez e passeando seu terrier com um daqueles coletes de cachorro exatamente do mesmo pano xadrez do terno dele – achei sensacional.

Gatos estão na iconografia e na poesia de Kerouac, no Livro de haicais e nos Mexico City Blues, entre outros lugares. De Some of the Dharma, Coisas do Darma, que estou traduzindo, selecionei, no meio da doutrinação frenética e por vezes delirante, este memento, jóia lírica:

1º DE NOVEMBRO DE 1954

Pinky foi atropelado — o que eu

amava em Pinky agora percebo era

aquela parte dele que não era real,

eu estava enamorado por seu pelo

branco & rosa, engraçadas idas &

vindas, o ronronar satisfeito, maneiras

soltas, todas as doçuras do Carma

de seu Carma de gato — essas marcas

de sua individualidade foram atropeladas

& desapareceram da minha

janela solitária — mas a Verdadeira Pinky,

a Beatitude Invisível que

o tornou possível, não está morta

porém anda por toda parte

e prossegue na paz e unidade permanente

e Pinky está restaurado naquela Brilhante

Vacuidade ileso exceto por seu corpo imaginário

& sua imaginária alma de gato —

em outras palavras, Pinky é Nirvana

antes e agora & eu só me dou conta disso

quando seu corpo do “mundo” desaparece

— Asvhaghosha diz: “Os desejos e hábitos de agarrar & apego … são dependentes da mente pensante, sem qualquer natureza própria.” A Verdadeira Mente não lamenta.

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Mesa na Bienal do Livro

Na próxima segunda-feira, às 19h00, participo de mesa na Bienal do Livro de São Paulo, sobre o tema Literatura, Carreira e Mercado. Estarei em companhia de dois prosadores contemporâneos, Marcelino Freire e Rodrigo Lacerda, e a coordenação é de Joaquim Maria Botelho, presidente da UBE.

Será no espaço Livros & Cia, localizado no Stand E60 da Bienal.  

A curadoria da programação nesse espaço é de A.P. Quartim de Moraes, que vem publicando interessantes reflexões sobre a situação do autor brasileiro no mercado editorial. Comentarei. Debaterei.

Outras sessões, examinem a página de internet da Bienal do Livro 2012, em http://www.bienaldolivrosp.com.br/Programacao-Cultural/. Há bastante programação.

No restante da semana, estarei no evento sobre ação poética já noticiado aqui, debatendo e lendo poemas. Na sexta, a estréia da continuação de São Paulo Surrealista – noticiarei.

Manifesto de Escritores

A seguir, documento final do Congresso de Escritores realizado em novembro de 2011 pela UBE, do qual tive a satisfação de participar, expondo em sessão plenária sobre direitos autorais, coordenando mesa sobre políticas culturais, e apresentando propostas para redação final. Diria que andamento desse congresso ultrapassou minha expectativa – com mínimos recursos e bastante disposição, tudo correu muito bem. Escritores compareceram, intervieram, participaram. Ambiente muito agradável.

 

 

MANIFESTO DOS ESCRITORES BRASILEIROS

CONGRESSO BRASILEIRO DE ESCRITORES DE 2011

 

A UBE, União Brasileira de Escritores, ao término do CONGRESSO BRASILEIRO DE ESCRITORES DE 2011, realizado em Ribeirão Preto, São Paulo, de 12 a 15 de novembro de 2011, com a presença, durante quatro dias, de centenas de escritores, em um grau de mobilização e participação inédito em décadas, apresenta seu documento final, com propostas aprovadas em plenário. Por meio dele, os escritores brasileiros reafirmam o compromisso de trabalhar junto a seus pares, ao governo e à sociedade, para que a arte possa ser construída com liberdade e qualidade, de modo a constituir legado significativo para o futuro; e reafirmam seu compromisso incondicional com a democracia e a liberdade de expressão, valores que determinaram a criação da UBE. Por isso,

  1. Protestam contra modalidades de censura ainda em vigor, como as restrições a biografias e outras pesquisas a pretexto de defender sucessores ou pesquisados, resultando em censura judicial; declaram que lutarão para impedir o cerceamento à liberdade criadora do escritor, especialmente aquele originado de iniciativas de herdeiros ou proprietários de direitos autorais para impedir a circulação de obras;
  2. Sustentam, como premissa, que o governo brasileiro proponha e defenda uma política cultural nacional, equilibrada, justa, democrática e aberta, da qual o Estado participe como facilitador, e não como mentor, exigindo a defesa, incentivo e proteção de toda criação artística, pautada pelo respeito ao direito autoral, à liberdade de expressão, à busca de ampla divulgação e publicidade, em atendimento aos preceitos do desenvolvimento cultural de um país: educação, cidadania, democracia, igualdade, liberdade, diversidade, direitos humanos e preservação do acervo e do patrimônio cultural, estético, artístico e ecológico do país;
  3. Entendem ser prioridade a defesa intransigente da qualidade da educação no Brasil, esperando do Estado os investimentos necessários à qualificação e ao aprimoramento dos professores e à manutenção de escolas e equipamentos; em especial, que seja resgatado o ensino da literatura nas escolas, com atenção ao conteúdo e valor, tanto pedagógico quanto artístico, das obras adotadas para leitura e exame, com ênfase para a produção nacional;
  4. Declaram imprescindível a ampliação dos programas em curso, especialmente de órgãos do Ministério da Cultura, para estimular a leitura e promover a difusão da literatura brasileira, assim enfrentando o dramático descompasso em nosso País de índices de leitura de livros e, correlatamente, do alarmante analfabetismo funcional;
  5. Requerem, igualmente, por parte dos órgãos públicos, consistência e regularidade nos programas de difusão da literatura brasileira no Exterior, apoiando traduções de obras, mostras e apresentações de autores, a exemplo do que é feito, rotineiramente, pelos governos de outros países;
  6. Esperam esforços equivalentes das administrações estaduais e municipais, para que desenvolvam políticas culturais em consonância com esse esforço; especialmente, ao manterem e equiparem bibliotecas públicas e programas de promoção da literatura e incentivo à leitura, e pela boa divulgação da produção nacional em seus equipamentos culturais e meios de comunicação;
  7. Como tópicos da defesa dos direitos do autor:

7.1.   Repudiam frontalmente programas de difusão de livros e incentivo à leitura, especialmente na área educacional, que exijam a renúncia a direitos autorais e de edição.

7.2.   Declaram inadmissível qualquer equiparação da tradução literária ou qualquer escrita criativa à prestação de serviços, obliterando ou suprimindo direitos autorais;

7.3.   Exigem maior transparência nas prestações de contas a autores por parte de editores; por isso, propõem, como tópico da lei de direitos autorais ora em exame, a inserção de informe da tiragem pela gráfica nas edições em maior escala; e, naquelas em impressão digital ou nos livros por encomenda, que as editoras numerem cada exemplar; e que, em livros eletrônicos ou quaisquer edições no meio digital, seja garantido ao autor o conhecimento a qualquer tempo da quantidade de exemplares adquiridos por esse meio; e, ainda, que seja assegurado, nas compras de grandes quantidades de livros por órgãos públicos – MEC, MinC etc –, a comprovação pelo editor de que o titular de direitos autorais foi informado da compra;

  1. Lutarão pelo fim dos privilégios no fomento à produção artística; pela reestruturação do Fundo Nacional de Cultura, de modo que esse receba recursos originados de imposto de renda devido pelas empresas, a serem destinados a projetos aprovados por um conselho de representantes da sociedade civil que analisarão projetos a serem financiados por leis de incentivos, assim retirando das empresas patrocinadoras o poder decisório sobre a destinação final de tais recursos;
  2. Solicitam dos meios de comunicação, concessionários que são, atenção à produção artística nacional e às demandas dos seus produtores, por meio da instalação de um Conselho Nacional de Comunicação que tenha maioria de membros indicados por organizações da sociedade civil;
  3. Tendo tido a honra de entregar o Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano, ao final do Congresso, ao professor Aziz Nacib Ab’Sáber, associam-se às causas sustentadas por esse notável ambientalista em defesa do meio ambiente e da própria continuidade da vida em nosso planeta.

Manifesto votado e aprovado em Ribeirão Preto, no dia 15 de novembro, dia da República, do ano de 2011

Pesquisa com os plumitivos

Foi enviado à UBE – consultei responsável, concordamos em ampliar. Respostas para economiadolivro@gmail.com – obviamente, respondem os que estão publicados em livro; leitores também merecem atenção, mas seria outra pesquisa, penso.

From: Pesquisa Cadeia Criativa do Livro

Sent: Friday, July 15, 2011 3:37 PM

To: ube@ube.org.br

Subject: Pesquisa Cadeia Criativa do Livro

 Boa tarde,

A Diretoria de Livro, Leitura e Literatura (DLLL) do Ministério da Cultura está organizando um mapeamento em todo o Brasil de escritor@s, ilustrador@s e entidades que trabalham com foco nos autores, permitindo conhecer melhor as demandas e as necessidades do setor.

Esta pesquisa tem como objetivo buscar subsídios para o desenvolvimento de programas, projetos e ações relacionadas ao desenvolvimento e fortalecimento da cadeia criativa do livro. Gostaríamos inicialmente de conhecer o universo de autores, com informações sobre publicações, acesso e difusão das obras produzidas, processos de formação, eventos, pesquisas, participação em redes redes, bem como propostas de possíveis articulações com o poder público, por meio desta pasta.

Sou a interlocutora designada pela DLLL para desenvolvimento desta pesquisa e estou à disposição para fornecer maiores informações através do email economiadolivro@gmail.com e telefone (61) 2024-2698.

Para podermos iniciar o diálogo com autores, solicitamos que, por gentileza, encaminhem as questões abaixo para seus afiliados responderem. O prazo para finalizar esta pesquisa é 05/08.

01. Nome:

02. Correio eletrônico:

03. Sítio eletrônico:

04. Fone:

05. Publicações (listar as principais):

06. Formação:

07. Já participou de algum prêmio, concurso ou edital público (por exemplo: Editais da Funarte, FBN, MEC, Petrobras Cultural, MinC, etc.)? Qual e em que período:

08. Descrever o impacto deste prêmio ou edital no seu trabalho: resultados, avaliação, outras observações que julgar relevantes.

09. De que forma o governo federal, através do Ministério da Cultura, poderia contribuir para o fortalecimento do trabalho do escritor e ilustrador?

10. Quais as principais demandas e necessidades dos escritores e ilustradores, a fim de dar sustentabilidade ao trabalho desenvolvido?

Muito obrigada,
Valéria Viana Labrea
Consultora UNESCO – Cadeia Criativa do Livro
Coordenação Economia do Livro
Diretoria do livro, leitura, literatura e bibliotecas/MinC/FBN
Fone 61 81789505
economiadolivro@gmail.com