Posts Tagged ‘Festival de Cinema Beat’

O CONFERENCISTA DE SANDÁLIAS E OUTROS TIPOS

16708392_1648658165151193_7437786068658312780_n

Após centenas de apresentações e participações, enxerguei uma tipologia:

  1. CONFERENCIATA DE COPO D’ÁGUA: Formal, protocolar (“sinto-me honrado” etc), fala pausadamente, mostra que sabe expressar-se, faz breve pausa para tomar três golinhos de água e prossegue – ainda hoje, em academias de letras e cenáculos afins.
  2. CONFERENCISTA POLÊMICO: Destrói o tema proposto em vez de expô-lo. Cognato do entrevistado polêmico, que vai questionando as perguntas que lhe são feitas em vez de respondê-las. Já encarnei. A última vez, setembro do ano passado, mesa sobre dadaísmo em Goiânia. Seria sobre “pós-história”, “pós-histórico”, algo assim, e minha simpatia por essa categoria é tão nula quanto pelo “pós-moderno” e “pós-modernidade”. Fui argumentando que dadá não é pós-histórico coisa nenhuma porque Tristan Tzara aderiu ao comunismo soviético, um determinismo histórico, relacionou dadá à Primeira Guerra Mundial e afirmou que surrealismo estava encerrado com o fim da Segunda Guerra Mundial (Breton foi à palestra dele de 1947 e deu um escândalo), etc. Na verdade, o tema era do meu companheiro de mesa, que o sustentou de modo adequado, e terminamos todos bem entendidos.
  3. CONFERENCISTA BALBUCIANTE, normalmente professor/a universitário/a ou aspirante a, hipnotizado pela tela do laptop, monocórdico, vai murmurando o que está na tela, entende-se com esforço. Variante do conferencista com a cara enfiada nas folhas do “paper”. Comum nos grandes eventos universitários em que apresentar qualquer coisa vale pontos no CAPES, prestigiados pela clientela dos certificados.
  4. CONFERENCISTA SALVADOR: nos mesmos eventos, brilhante, capaz de conferir credibilidade ao transmitir informação nessas ocasiões e através das subseqüentes publicações coletivas. Auditórios lotam e todos saem achando que compensou a viagem e o calor.
  5. CONFERENCISTA DERROTADO PELA TECNOLOGIA: aconteceu comigo no Festival Beat em São Paulo, em janeiro. Equipamento de data show do CCBB queimou. Palestra atrasou uma hora, improvisei sem as imagens selecionadas, ao final até que deu certo. Variante, o conferencista que esquece o pen drive em casa ou o perde na viagem – também já me aconteceu.
  6. CONFERENCISTA DE SANDÁLIAS – encarnei no Festival Beat do Rio de Janeiro no CCBB, palestra sobre Jack Kerouac (dia 11 de fevereiro – a boa foto é de Thereza Christina Rocque da Motta). Calor e platéia muito informal (houve quem viesse sem camisa e quem esmurrasse a porta por não haver mais lugar no auditório). O dramaturgo Plinio Marcos fazia esse tipo, em eventos menos informais. Entre outros , por volta de 1985 na Biblioteca Mário de Andrade, em uma sessão promovida pela UBE sobre mercado editorial ou algo assim. Enquanto o outro participante da mesa, um presidente da Câmara Brasileira do Livro, expunha, cruzou as pernas e ficou mexendo no dedão do pé direito, tirando cutícula, acho. Ninguém reparou no que o presidente da CBL dizia, todos olhavam Plinio Marcos a ocupar-se com seu dedão. Antes, em sua fala, havia insultado o presidente da CBL – injuriado por não permitirem que vendesse seus livros, feito um camelô, na Bienal do Livro. Coordenei a sessão (outro tipo, o coordenador impassível). Inesquecível (tanto é que me lembro).

SARAU BEAT: A FESTA NO PRÓXIMO SÁBADO, APÓS MINHA PALESTRA NO FESTIVAL DE CINEMA BEAT NO CCBB

15822573_1431996966840838_921898642809993806_n

Quando: Dia 07 de janeiro, sábado, a partir das 20:00 h.

Onde: Comuna Rua Cardeal Arcoverde, 520  Pinheiros – São Paulo – SP

ENTRADA FRANCA

“Soltem as fechaduras das portas!
Soltem também as portas dos seus batentes!”

A programação divulgada pelos organizadores – agradecendo aos poetas e demais artistas e animadores culturais que se associaram ao evento:

O ponto de convergência entre os gatherings esfumaçados do Greenwich Village nos anos 40 e os Acid Tests de Ken Kesey na Califórnia vinte anos depois é só um: a palavra falada. O spoken word de Jack Kerouac possibilitou que a geração do pós-guerra rompesse com velhos valores conservadores e questionasse tudo, principalmente a si mesmos. A estrada beatificada de Kerouac, as barbas e os mantras de Allen Ginsberg e a agulha mais a mira certeira de William S. Burroughs definiram não só a literatura moderna, mas cada um de seus leitores.  Celebrando a palavra falada e todos os expoentes da nossa geração, a Comuna e a Saraguina Filmes apresentam o Sarau Beat, uma festa dedicada à poesia e pensamento desses poetas e autores, que marcaram toda um época.

[PROGRAMAÇÃO]

Noite de autógrafos com o poeta e ensaísta Claudio Willer (dos livros de poesia Estranhas experiências e A verdadeira história do século 20)

RÉCITA BEAT com

Claudio Willer

Roberto Bicelli

Ademir Assunção

Mário Bortolotto

Gabriel Rath Kolyniak

Guilherme Ziggy

Mauricio Salles Vasconcelos

Vanderley Mendonça

Joaquim Bührer

Lerei uma tradução minha inédita de Ginsberg e outra de Kerouac, entre outras intervenções.