Posts Tagged ‘governo Dilma’

Um comentário político que publiquei no Facebook

Teve uma quantidade de aprovações, comentários e retransmissões. Reproduzo aqui por duas razões. Por alcançar leitores que não participam da rede social, mas acompanham este blog. E para ficar registrado, de modo mais acessível (no Facebook os textos vão sendo tragados pela sucessão temporal). Assim, na próxima vez não precisarei repetir argumentos, bastará postar o link. Aí vai:

Vieram me questionar por eu supostamente haver apoiado impeachment, diante de fatos como esse mais recente, o episódio Jucá. Mas não apoiei impeachment, embora ainda ache que temos mais chances com Dilma e afins fora… O que fiz foi postar uma sucessão de críticas ao governo Dilma por causa do descaso e retrocessos na questão ambiental, dos índios, por causa de Belo Monte, da Kátia A. e da Gleisi H. promentendo para os ruralistas que etc. E desde o começo de 2015 achava que Dilma não terminaria o mandato. Pela incompetência escancarada, pelos erros sucessivos, por haver mentido sobre a situação da economia do país, pelo buraco em que nos pôs. Cheguei a postar que preferia anulação da eleição – uma pena ser um processo tão demorado. Mas os sectários não entendem . Acham que você tem que estar alinhado, perfilado, de um lado ou de outro. Não captam que Dilma não justifica Temer e Jucá, assim como Temer e Jucá não justificam Dilma. Alguns acham que os problemas que enfrentamos são urdidos no Departamento do Estado, que o juiz Moro é agente da CIA, que a Petrobrás está assim por causa da concorrência das petrolíferas, que sim, houve erros, mas foi por uma boa causa, que tudo se justifica pelo combate ao imperialismo e pela luta em favor da emancipação do proletariado. … O mundo reduzido a dois lados. O dualismo primário (reclamei bastante disso). A mentalidade de “ou preto ou branco”, sem nuances, “nós” e “eles” ou vice-versa. O pensamento totalitário. A mentalidade autoritária. O stalinismo ressuscitado. Além de haver quem ache que, implicitamente, eu estaria apoiando Marina Silva – aliás, quem sabe…? na hora, resolverei, depende do que mais houver. Enfim, não perceberão nunca que é a crítica que move a história. E que o sectarismo, os fanatismos políticos, modalidades da submissão, podem fazê-la retroceder.”

Postagens anteriores sobre o tema são fáceis de achar, basta procurarem por tópicos como “Belo Monte”, “Meio ambiente”, “índios”, “Governo Dilma”. Há um que me parece ter sido algo premonitório, dos que, publicados, me dispensam de repetir argumentos:

https://claudiowiller.wordpress.com/2015/08/07/fascista-eu-algo-sobre-sectarismo-e-fanatismo-militancia-e-ignorancia-politica-e-hipocrisia/

 

Um impeachment, algumas premonições e uma foto que desejo recuperar

Estou reapresentando um post que havia publicado a 5 de junho deste ano. É sobre uma foto que gostaria de recuperar e também traz um relato de sonho. Não resisti. E voltarei ao assunto. Algumas manifestações recentes – de juristas e alguns artistas e intelectualis, recentes defensores incondicionais da democracia representativa – me parecem ofensivas. Transmitem a impressão de seus autores acharem que sou ingênuo, bobo ou coisa pior.

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Nela, nessa foto, estou em uma passeata pelo impeachment de Collor. Saiu na Veja São Paulo, em algum momento do segundo semestre de 1992 – em setembro…? Se alguém a tiver ou souber acessá-la, agradeço. Infelizmente, não guardei. Se a houvesse conservado, bastaria passar no scanner.

Estive em muitas reuniões e outras manifestações anti-Collor, inclusive aquela do Anhangabaú, quando ouvi Lula e outras lideranças discursarem. Essa em que fui fotografado, participava de um encontro de entidades culturais na Câmara Municipal, ao término saiu a manifestação convocada, se não me falha, pelo Sindicato dos Artistas, o ator Perry Salles pegou meu braço e me postou na linha de frente, na primeira fila. Fomos até o Municipal. Não reparei, mas a TV Globo também cobria. Ao chegar em casa, encontro a vizinha algo desentendida no elevador: “Eu vi o senhor na televisão…!” Perguntou: “O senhor é do PT..?” Não lembro qual foi minha resposta irônica, “Nem tanto”, “Às vezes”, “Talvez”, “Não sei”, algo assim.

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Madrugada deste domingo, dia 05/07. Sonhei que Dilma Rousseff era destituída. Apareciam uns rapazes de uniforme cinza claro com braçadeira ou alguma insígnia vermelha – pareciam confederados norte-americanos, bem jovens. Liderava-os uma “Deles Ortiz”. Acordei tentando lembrar-me: quem seria “Deles Ortiz”? – artista? amiga de Facebook? Consulto o Google: é Delia Ortiz, a jornalista da Globo que fez a cobertura do impeachment de Collor. Imaginem só – o que o inconsciente guarda…! Na época, não prestei atenção em nomes dos jornalistas da TV que cobriam aquela mobilização.

Governo Dilma acabou, dou por encerrado. A pergunta agora é sobre o modo através do qual será retirada. Preocupa-me a bagunça que vem aí. Na destituição de Collor havia uma aliança de forças políticas bem definida, uma espécie de arco progressista com Dr. Ulisses, outros peemedebistas históricos, Lula e petistas, Montoro, Covas e outros tucanos. E um vice excêntrico que se mostrou viável, Itamar. Agora…. agora, o fisiologismo desenfreado e a liderança o populismo reacionário de Eduardo Cunha e afins. Nem os tucanos conseguem somar-se. Serra e Alckmin competem com Aécio, também querem… Se não houver algum entendimento, algum pacto de governabilidade, será o caos. Além disso, Collor foi uma excrescência – ainda é. PT é grande, tem história, bases, colapso terá características de um desastre.

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Sonhos premonitórios? Todo mundo tem. Da torrente de produção simbólica durante o sono algo se ajusta, de um modo mais ou menos direto, aos acontecimentos. Fico com Freud: sonho é realização delirante de um desejo. O que se expressava através de meu sonho? Desejo de que Dilma seja destituída? Não, essa não merece um sonho. Aparecer como assunto de sonho corresponde ao que Freud designou como “restos do cotidiano”. Em breve, restos ou sobras da história. Sonhos não traduzem o óbvio. Desejo de retornar a 1992? Pode ser. Período intenso aquele, de 1990 a 92. Causei, agitei a propósito de Collor. No dia em que Ipojuca Pontes (seu infame secretário de cultura) caiu, a TV Cultura veio em casa, gravaram-me festejando, tripudiando.

Quando Collor tomou posse em 1990 e baixou o pacote de medidas econômicas, publiquei página inteira no Jornal da Tarde argumentando que não chegaria ao fim do mandato. Também sustentei que os discursos de Collor e Lula eram equivalentes, fundados no ressentimento. Petistas inteligentes elogiaram. Essa matéria eu tenho, guardei, vou passar no scanner e reproduzir aqui. Não precisei sonhar para antecipar o que viria.

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Postei no Facebook o link para o caderno do Estadão “Favela Amazônia”. Este: http://infograficos.estadao.com.br/public/especiais/favela-amazonia/ Terrível. Governante que dá ensejo a coisas assim merece rejeição e defenestração. Já argumentaram, em resposta a minhas postagens ambientalistas e em favor de índios, que governos petistas reduziram miséria. Não percebem que degradação do meio ambiente acarreta um custo, um enorme prejuízo, uma conta paga pelos mais pobres? Que devastação agrava a desigualdade social? Alguns se beneficiam; maioria é prejudicada, direta ou indiretamente. Obviamente, isso também é verdade com relação a desvio de dinheiro público. Devastação e corrupção confluem em empreendimentos como a usina de Belo Monte, a cargo de Odebrecht e afins.

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Continuo querendo saber o que Délia Ortiz veio fazer em meu sonho. Enigmas e mistérios. Torço para que achem a foto de 1992, poupando-me de ir até a editora Abril. Ou então, vou lá – alguém me daria carona?

“Fascista”, eu…? Algo sobre sectarismo e fanatismo, militância e ignorância, política e hipocrisia

  1. Ao divulgar sua entrevista com Augusto de Campos na mais recente edição da revista Cult, Claudio Daniel abriu seu post assim: “Trechos da entrevista que fiz com Augusto de Campos, publicada na edição de agosto da CULT. Enquanto alguns poetas — Ferreira Gullar, Claudio Willer — fazem coro com os fascistas, Augusto defende a democracia, o estado de direito e o mandato democrático de Dilma Rousseff. VIVA AUGUSTO — Sem média, sem mídia, sem medo.” Circula no Facebook: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=10207421905050076&id=1360873354&notif_t=close_friend_activity
  2. É uma canalhice. Na carona do interesse suscitado pela entrevista, veicula a difamação associando-me ao fascismo, chegando a leitores que nem sabem quem sou e quais são minhas posições políticas. E Claudio Daniel estava cansado de saber que não rezo pelo mesmo catecismo que ele. Entrevistou-me umas tantas vezes, escreveu sobre minha poesia, convidou-me para dar palestras e outras manifestações por sua conta e risco, nunca pedi. Assim como nunca comentei ele estampar fotos de soldados da Coréia do Norte como exemplo de resistência, nem a exaltação do Camarada Stálin como guia dos povos. Pobres dirigentes petistas, foi o que sobrou para apoiá-los, gente que pensa assim.
  3. Na eleição para prefeito de 2012 declarei voto em Carlos Gianazzi do PSOL. Já postei lamentando que Jean Wyllis e Marcelo Freixo não fossem de São Paulo para poder apoiá-los. Elogiei a brilhante atuação parlamentar de Ivan Valente na CPI do Petrolão, ajudando a mostrar que a sistematização da propina, como política partidária, começou mesmo em 2003. Mas não votei em Luciana Genro na eleição passada; achei-a fraca, repetidora de chavões. Tenho politizado palestras sobre literatura, valorizando a crítica de beats e surrealistas dirigidas tanto à sociedade burguesa quanto ao “socialismo real” soviético. Faço isso há décadas, como pode ser visto em meu Manifestos : 1964 – 2010 (editora Azougue, 2013). Nunca me converti, nunca virei o fio.
  4. Quando me manifestei sobre a brutal desocupação do Pinheirinho em São José dos Campos pela PM paulista, em 2011, perguntaram-me se havia aderido ao PSTU. Se fosse hoje, publicaria os mesmos comentários. Na época, proliferaram as invectivas ao governador de São Paulo, Alckmin, chamando-o de “fascista”. Não. Político provinciano, conservador e mal assessorado é uma coisa, fascista é outra. Uso demagógico de categorias políticas inutiliza-as.
  5. Lembro-me de uma palestra de Roberto Piva sobre Pasolini, em 1999, citando as análises do fascismo pelo poeta, pensador e cineasta para argumentar que o PT é um partido fascista. Pena não ter sido gravada e transcrita. Traços em comum: base sindical (lembrando que o fascismo de Mussolini começou como anarco-sindicalismo, combinado com defesas do estado forte como as de Sorel e afins) e a mobilização de movimentos sociais, possibilitando a Marcha sobre Roma – no caso brasileiro, equivalentes seriam, para Piva, MST e afins.
  6. Enigmas e mistérios: por que Lula não tentou perpetuar-se através do caudilhismo tão tipicamente latino-americano, centralizando o poder, subordinando instituições? Índole democrática? Pragmatismo? Falta de condições objetivas? Nem todos os companheiros estavam predispostos ao assalto ao poder? Foi freado pelas alianças com lideranças democráticas e oligarquias locais e regionais, que não estavam interessadas nisso? Vou tentar saber, perguntar para pessoas mais próximas a ele.
  7. Claudio Daniel rompeu comigo quando postei no Facebook o link de uma matéria do UOL discutindo impeachment de Dilma, em março deste ano. Tema tabu para alguns. Era um texto objetivo, cotejando pareceres de analistas políticos e juristas, para concluir que não era viável. Mas eu já achava que iria acontecer. Meteorologia é mais exata que política; e previsões do tempo não interferem nas nuvens e nos ventos. Mas me sinto como alguém que avisa que vem aí uma tempestade, e é acusado de ser a favor da tempestade e de acreditar no terrorismo midiático do noticiário do tempo.
  8. O argumento mais frequente contra a saída de Dilma: foi eleita com não sei quantos milhões de votos. Tem um bom antecedente literário: “Ao vencedor as batatas”. Mas o personagem que repetia isso estava louco, delirava. E aqui, entro no tópico “hipocrisia”. O sujeito do PC do B que me telefonou em algum momento da década de 1990 convidando-me a participar de um “fora FHC” agora é firmemente legalista. Alguns que se mobilizaram pelo impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992, também. O jurista, em uma das reuniões logo após sua eleição, em 1990 (resultaram em um ciclo de palestras anti-Collor na PUC), que distinguiu entre legitimidade do poder e legitimidade no poder, para argumentar que o confisco justificaria impeachment. (Quem foi? Quem mais estava naquela reunião? Alguém se lembra?)
  9. Moralmente, chutar Collor se justificou pelo estelionato eleitoral ao garantir que não haveria confisco, e pelo procedimento durante a campanha, o episódio da filha de Lula e a edição do debate final pela Globo. Como a diferença de votos foi pequena, pode ser que isso tivesse feito a diferença. Moralmente, despachar Dilma e o restante se justifica pelo estelionato eleitoral: jurou que não haveria ajuste fiscal e política econômica recessiva, endossou uma campanha sórdida – até hoje, na Amaral Gurgel, está afixado o cartaz dizendo “eu não voto em quem bate em mulheres” com a foto de Aécio, além dos posts sobre ele usar cocaína e tal – um deles, o do Chico César ou atribuído ao Chico César, ironizei e isso me valeu insultos por símiles do Cláudio Daniel. Como a diferença de votos foi pequena, pode ser que essas artimanhas tenham decidido a parada. Fernando Henrique fez algo semelhante ao segurar Gustavo Franco e a insensata paridade do real e dólar, e só chamar o Armínio Fraga para endireitar aquilo depois de ser reeleito. Mas não difamou, não caluniou, não forjou dossiês sobre adversários. Ah, sim – privatizou, e isso alguns não perdoam: lamentam a enorme perda de empregos para a militância. Tiveram que multiplicar os cargos de confiança da administração direta e nas 140 estatais restantes.
  10. Outro argumento, os benefícios do governo petista para os pobres. Cito Augusto de Campos na entrevista da Cult: “Pouca atenção deu a mídia ao fato de que o Brasil conseguiu reduzir a pobreza extrema em 82% entre 2002 e 2013 e saiu do mapa mundial da fome, segundo atestado internacional da FAO.” Mas esse argumento, assim isoladamente, também justifica Adolf Hitler. Como vocês acham que ele se consolidou no poder? Só pelo ressentimento por causa da derrota alemão de 1918, pela propensão alemã ao autoritarismo e ao antissemitismo? Não. Chamou um economista brilhante, o banqueiro Hjalmar Schacht, que já havia segurado a inflação galopante de 1923 com um ajuste fiscal, e, com o apoio de Von Thiessen, junto com Ferdinand Porsche, os Krupp e outros magnatas, promoveu desenvolvimento econômico através de política industrial e obras de infraestrutura. Deu emprego e renda para os alemães. Melhorou os benefícios sociais – para quem fosse filiado ao partido, é claro. Isso, o bando de analfabetos políticos não sabe. Vão ler, vão estudar alguma coisa, em vez de repetir chavões da vulgata soviética ou da cartilha petista, reproduzindo os blogs “independentes” que recebem algum trocado do partido ou da SECOM para divulgar uma geopolítica de doido, explicando tudo pela intervenção do “imperialismo yankee”. Incrementar economia, Mussolini já havia feito isso na Itália e Hitler imitou. Roosevelt faria também, com o “New Deal”, assim como Juscelino aqui. Enfim, desenvolvimento econômico, crescimento da renda, melhora de benefícios sociais, em si, não justificam regime nenhum, e já consolidaram lideranças democráticas e os piores demagogos; já prepararam o terreno para avanços reais e para desastres.
  11. Melhora das condições de vida da população – sei… Os adeptos do “Ogro filantrópico”, para usar um título de Octavio Paz, fingem desconhecer que esses desvios de verbas públicas oneram os pobres, que são eles que pagam a conta. As obras faraônicas, quanto mais caras melhor para renderem mais propina, tipo Belo Monte e tantas outras, sempre intermináveis, sempre inconclusas, para reajustar os contratos, para faturar mais. Assim como o prejuízo ambiental – tópico que, para mim, por si só, justifica a defenestração de Dilma, que chamou para seu ministério a ideóloga do desmatamento. Ah, é porque precisa fazer alianças. Aí está outro argumento tipicamente stalinista. Fez aliança com Hitler, o pacto Molotov – Ribbentrop de 1939, que deu a luz verde para a invasão da Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial.
  12. O futuro do país é perigosamente incerto, nessa altura. Difícil um pacto como aquele de 1992, do qual participaram lideranças políticas de verdade, Dr. Ulisses e afins. Isso também é legado petista , de seus aliados, dos seus apparatchiks, da base fisiológica, da militância obtusa. Justificam as mais implausíveis alianças. com o pior da política, como etapas no processo de emancipação do proletariado, de ascensão da classe trabalhadora, da inexorável marcha em direção à sociedade sem classes. Dizem que há retrocesso “na sociedade” – nada disso, eles é que são o retrocesso. Deviam ler algum livro bom, não só as cartilhas, a produção dos ideólogos do mais baixo escalão. Um Jorge Semprún, por exemplo – faz tempo que não se fala dele. A quantidade de autores que observa messianismo no marxismo ou em marxistas – crítica inicialmente feita por conservadores, Spengler e Heidegger, depois por autores difíceis de identificar a correntes, Octavio Paz, Roberto Calasso. Ou por John Gray, que critica em Missa Negra igualmente a esquerda marxista e os neo-liberais fundamentalistas tipo Bush, por acharem que estão enxergando o fim da história. Ou por um comunista de ninguém botar defeito, Jacob Gorender, com seu Marxismo sem Utopia (Ática, 1999). Alguma ampliação da cultura política, algum refinamento do debate ajudarão, em algum momento .

O espantoso pensamento político da atual ministra da Agricultura

Foi divulgada na rede social esta mensagem de Kátia Abreu: Espero que todos os que se manifestam em favor dos direitos humanos também se manifestem em favor dos brasileiros brancos: https://www.facebook.com/PartidoPirata.BR/photos/a.751680954859416.1073741841.180044272023090/1066118943415614/?type=1&theater Meu comentário imediato no Facebook:

Ela realmente tuitou isso … ? Por que não disse logo, de uma vez por todas, que é a favor dos direitos dos brasileiros de origem ariana? Assim apresentaria continuidade perfeita com os ensinamentos de Ad. Hitler. Neste campeonato de declarações inoportunas e despropositadas no segundo governo Dilma, por enquanto a mais séria candidata ao troféu é Kátia Abreu – apesar do empenho de Joaquim Levy, Cid Gomes, Thomas Traumann, Miguel Rossetto e outros esforçados competidores.

Para eliminar dúvidas de que fosse ‘hoax’, o poeta Ademir Demarchi achou o post original – é de 27/12/2013: https://twitter.com/katiaabreu/status/416702040593948673 E ainda copiou uma seleta de opiniões dela, motivadas pelos mesmos sentimentos cívicos, também divulgadas pelo Twitter no final de 2013. Reproduzo e completo com novo comentário meu:

Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 Defender apenas os índios é politicamente correto.Defender produtores rurais ,aqueles que sustentam a economia do país é crime.Não merecem ! Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 Este é o Brasil de dois pesos e duas medidas.Queremos tambem um ministério da justiça para não índios em 2014. Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 Onde estão o Cime,FUNAI ,MPF ,ONGs que defendem os direitos humanos…?Só funcionam pra brasileiros índios .Brasileiros não índios nada! Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 Não dá nem pra imaginar o que estaria acontecendo se ao invés de 3 não índios desaparecidos fossem 3 índios .Já teria gente presa. Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 Min Eduardo Omisso Cardoso as mortes de índios e não índios estão na conta da sua fraqueza. Só o exercito hoje tem condições de pacificar. Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 O Sr Min da Justiça está esperando mais mortes e massacres para tomar providencia?O Sr não sabe o que é isto .Tinha esquecido. Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 Conflitos iniciaram no MS, a BA vive clima de terror ,depois RS PR SC,agora no AM MA .Pessoas desaparecidas,desintrusão s/planejamento. Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 31 de dez de 2013 FUNAI e Cime instigam conflitos entre índios e não índios. Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 27 de dez de 2013 Se estiverem mortos o Sr Ministro da justiça é o responsável .Sua omissão e anuência aos atos da FUNAI são inadmissíveis . Ministra Katia Abreu @KatiaAbreu • 27 de dez de 2013 Humaitá no AM virou praça de gerra.Tem 3 pessoas desaparecidas .A suspeita é que estão em poder dos índios .

Meus comentários adicionais: 1. Kátia Abreu foi escolha pessoal de Dilma Rousseff, e não uma indicação partidária. Pode-se supor, portanto, que Dilma Rousseff endosse esse pensamento, equivalente àquele predominante entre militares que conduziram o país e resultou em massacres como os dos Wamiri-Atroari, parar abrir uma estrada no Amazonas. Hoje só não se repetem tais massacres por causa dos movimentos em favor dos índios, execrados pela ministra. 2. Havia – periferia oportunista com presença minoritária – defensores do retorno dos militares e do fascismo entre os manifestantes anti-Dilma de 15 de março passado. Por isso, a banda sectária, invertendo a relação entre as partes e o todo, qualificou a mobilização toda como fascista e defensora do retorno dos militares. Mas, por esse argumento, não poderia o governo Dilma ser classificado como fascista pela presença de Kátia Abreu no ministério? E de outras figuras – Gilberto Kassab, importante agora na articulação política, era qualificado como fascista, pelo modo como tentou remover os sem teto usuários de crack. 3. A banda sectária. As trolagens na rede social. Vi vários posts com o perfil do novo ministro da educação, sem dúvida qualificado. Nada dos adeptos sobre Kátia Abreu ou Gilberto Kassab ou aquele outro ministro com o sobrenome da marca de cigarros que fumo. Escondem no armário, varrem para baixo do tapete. 4. O índice zero de criação de reservas indígenas nos últimos anos (cf. Kátia “índios têm terras demais”) e os 284% de aumento do desmatamento na Amazônia em fevereiro de 2015 justificam, a meu ver, todos os xingamentos, panelaços e demais exteriorizações. Ela faz por merecer (há outros bons motivos, é claro).