Posts Tagged ‘Henry Miller’

La Paz, Paulo Coelho, Claudio Willer: capítulo 6

Viram só? Recebi comentário do próprio Paulo Coelho à minha postagem precedente. Está lá, confirmando o relato sobre La Paz. Não é pseudo-epigráfico, depois trocamos e-mails. Achei elegante. Também repicou no twitter dele uma das minhas postagens, sobre Feira de Frankfurt, fez dispararem acessos a este blog, vieram até do Nepal. Mago: atento ao que dizem (no caso, escrevem). Termos muito melhores, diria opostos aos do tipo que me acusou de elitista e desconhecer periferia (logo eu…) por não apreciá-lo. Bem como as bobagens sobre exclusão elitista do sistema literário no artigo do sociólogo publicado na Ilustríssima. Sei, “sistema literário”: na página de Coelho no Facebook está o fac-simile de carta da Harper & Collins cumprimentando-o por ter vendido um milhão de exemplares de Manuscrito encontrado em Accra – isso, apenas na Austrália…!

Escritores-magos: o interesse, traduzido na quantidade acessos e repercussão, torna impossível deixar de acrescentar alguns tópicos. Não o fiz antes por falta de tempo, minha vida não se resume a preparar atualizações deste blog. Já havia publicado sobre os que tocaram um plano muito profundo ou elevado. André Breton, Pierre Mabille e vodu, em https://claudiowiller.wordpress.com/2012/02/09/andre-breton-pierre-mabille-haiti-vodu/ E as homenagens ao sublime Robert Desnos, série que começa em https://claudiowiller.wordpress.com/2012/01/10/homenagens-a-robert-desnos-1/

Acho que ficou claro que minha crítica é ao esquecimento, a entenderem que certos temas e tratamentos literários são algo novo, sinal dos tempos, destes tempos.

John Cowper Powys, quem conhece? Quem leu? Muita gente – mas até meados do século 20. Na biografia de Henry Miller por Robert Ferguson, é relatado que suas palestras lotavam auditórios. Miller ia lá. Eram dois os conferencistas de maior prestígio, parece. Um deles, Powys, autor de In Defense of Sensuality, adepto de um pansexualismo e uma mística da natureza, aparentada àquela de D. H. Lawrence. Outro, a socialista Emma Goldman. Às vezes apresentavam-se juntos. Personagens de um fervilhante ambiente cultural nas primeiras décadas do século passado. Havia salões de conferências em sindicatos ou com público predominantemente operário. Difusão cultural associada à consolidação de movimentos sindicais de orientação inicialmente anarquista, os wobblies do IWW, International Workers of the World: no caso do ambiente beat de San Francisco, liderado por Kenneth Rexroth, houve relação direta de continuidade com aqueles grupos – apesar da dispersão provocada pelo caos decorrente da desastrosa Lei Seca e da crise de 1929. No Village de Nova York e em San Francisco, também os bares freqüentados por uma boemia precursora da Geração Beat (preciso achar o livro de Malcolm Cowley, estudioso da lost generation e mais tarde editor de Kerouac, que trata do período).

Interessante a confluência, nas primeiras décadas do século 20, de algumas correntes de pensamento bem diversas: socialismo; a psicanálise de Freud, abalando o moralismo vitoriano; Spengler e sua tese da decadência do Ocidente; o esoterismo, especialmente a Teosofia de Madame Blavatsky. Todas essas correntes foram constitutivas da visão de mundo e da poética de Henry Miller. Leu Powys. Homenageou Spengler no final de Plexus, argumentando que nos períodos de decadência era possível exercer a liberdade.

Helena Petrovna Blavatsky, apesar de haver caído em descrédito por forjar textos arcaicos e simular fenômenos paranormais, além de justificar o anti-semitismo adotado por algumas dentre as correntes dos seus seguidores (por essas razões, Alexandrian simplesmente a exclui de sua História da filosofia oculta), também foi porta de entrada para o esoterismo de figuras do porte de W. B. Yeats, que a freqüentou, e Fernando Pessoa, que teve uma crise ao lê-la (e de muito mais gente, conheci adeptos).

Powys está fora do mercado: escreveu demais – mas sua obra se encontra, inteira, disponível para download – Wilson recomenda A Glastonbury Romance. Talvez o tradicionalismo literário, com uma escrita de qualidade, porém enxundiosa, tenha provocado a obliteração.  – ainda mais, por ser contemporâneo de renovadores, de Joyce a Hemingway, passando por Gertrude Stein. É comentado em passagens de O oculto de Wilson, por suas façanhas paranormais. Foi mago, porém assistemático. Além de premonições, conseguia estar em lugares diferentes ao mesmo tempo. Wilson traz o testemunho de Theodore Dreiser (jornalista, narrador, celebridade como autor de Uma tragédia americana), de como Powys apareceu em sua casa, após anunciar que faria isso. Manifestou-se como espectro. Projeção ou desdobramento. Pouco depois de morrer em 1963, aos 90 anos, apareceu em um culto religioso, e ainda enviou mensagens através de médiuns.

Curiosíssima a sugestão de Powys, para conseguir esses resultados: masturbar-se bastante. Algo raro – desencadear energias através do sexo, sim, mas a dois (no mínimo). Sexo solitário associado a alguma coisa, conheço apenas o episódio da “alucinação auditiva de Blake” de Allen Ginsberg em 1948: lia poemas das Canções e “masturbava-se distraidamente”, relatou, quando ouviu a voz do próprio Blake dizendo os textos que ele estava lendo – em seguida, teve uma iluminação. E invadiu o apartamento das vizinhas aos berros: “Eu vi Deus! Eu vi Deus!”.

Na próxima postagem, mais sobre escritores-magos: os esquecidos e os lembrados.

Miller-beat-surrealismo: comentários

Recebi comentários tão oportunos e informativos de Roberto Bicelli e de Henrik Aeshna sobre o tema Miller-beat-surrealismo do post anterior que, mesmo sendo visíveis na seção ‘comentários’, resolvi transformá-los em novo post , pois merecem maior visibilidade.

de Roberto Bicelli:

no olho da mosca tuas observações sobre miller/beat- surreal. o piva sempre falava de “big sur e as laranjas de hieronymus bosch”, que só li recentemente e que é um deslumbramento: miller completamente zen/beat/surreal…
descobri miller pra valer em 64 e concordo com vc, willer, sobre a imensa importância de sua vida e obra. na verdade estão vivos miller, piva, kerouac,rimbaud, splenger e mais dezenas de deuses lares dessa família que acredita na vontade de potência.

de Henrik Aeshna (ortografia é por ele estar usando equipamento francês, me parece – ou belga ou … )

  1. ( revi algumas passagens deste comentàrio & decidi postà-lo )

Genial artigo sobre o Miller! Estou de acordo com suas colocaçoes precisas & como vc transfere detalhes mesmo “ordinàrios”, secretos, para uma leitura mais aprofundada das questoes que levantas.
Todos os artigos que envio em email, nao sei se vc jà os leu, vao dialogar aih com tudo o que vc tem dito. – Bravo.

Todos sabemos que os EUA & a França, além de pàtrias irmãs, foram as duas cenas culturais predominantes dos ultimos séculos – a interconexao & influência que ambas exerceram uma sobre a outra sao Fato, antes & depois das guerras, – às vezes até acho que a França tem mais de USA hj em dia do que de França ( aquele appeal da América novo continente e depois do jazz, do rock, etc )!!!!, tudo se mistura, tudo é diàlogo–
e bem mais tarde, é bem obvio que, durante aqueles tempos loucos da guerra, que os artistas revoltados se identificassem com coisas como surrealismo, que dava-lhes terreno & substância. Acho até mesmo, sem querer afirmar, é claro, que o expatriado & fodido Miller so conseguiu achar o rumo & o fluxo de sua literatura pessoal ( veja sua escrita antes & depois do Tropico ) depois do contato com aquele ambiente surrealista que o cercava, mesmo que ele nao quisesse virar “partidàrio”, mesmo que ele tenha feito seu caminho & tivesse suas proprias percepçoes ( ele nao tinha 20 e poucos anos também, embora fosse um menino!), como vc bem coloca, mas querendo ou nao, a loucura estava no ar, e mesmo num café qualquer conversa jà era um delirio na Paris dos anos loucos & com pressàgio de apocalipse, e o Surrealismo, mesmo que infame & blasfemo, estava em tudo, no gosto da juventude ( ao menos tinha aquele ‘wild appeal’ ), enquanto Miller ainda perambulava de bar em bar, de abrigo em abrigo & de cama em cama em busca de experiências & de reconhecimento, compensaçao para seu gênio massacrado pelas adversidades ….
Outra coisa é q o Miller era um espirito de outros continentes, em fase de recriaçao poètico-existencial, jogado pelo destino de um barco no Atlântico para o “berço de nascimentos artificiais” que era Paris – ele odiava sua propria pàtria, os EUA, & ao mesmo tempo nao conseguia encaixar-se, nem adotar completamente, o estilo meio burguês-blasé dos europeus, mesmo os mais loucos!! Em Paris, sentia-se pela primeira vez na vida um homem Livre, para criar, para ser, para reinventar-se. Ele revela muito do espirito livre (& do homem em geral) naquela época, e suas obras jamais envelhecerao.

Ah, vc se lembra de Maurice Girordias, da Olympia Press, que editava & publicava clandestinamente livros banidos ? E o Beat Hotel conectando US & França, e mesmo a storia da Shakespeare and Company, cujo proprietàrio George Whitman faleceu dezembro passado, levando para o tumulo o espirito original & a dinâmica dessa livraria, se bem que ele jà estava afastado hà anos, fora do controle da loja – insubstituivel…. e hà tantos outos indicios & co-relaçoes, como alguém poderia negà-las?

Grande artigo!

  1. O Beat Hotel em Paris parece ser é o ponto, no tempo & no espaço, em que os Beats, que jà “fantasiavam” com aqueles misteriosos dada-surrealistas de quem ouviam falar em livros & em parcos relatos, finalmente encontram-se com o Surrealismo, ao qual sao inclusive apresentados pessoalmente, por Lebel & outros, & depois disso, tornaram-se inseparàveis.

e salve Bob Kaufman ( tenho uma amiga nos EUA que hà pouco tempo lançou um livro sobre o Kaufman, no qual nao poderia faltar…. Aimé Césaire ( surrealismo)!!!

“Henry Miller? Isso é ainda mais notável. Ele foi detido por nós há alguns anos, escreveu um monte de coisas sobre New Haven.” ( !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! )

Henry Miller, beat-surreal

Beat-surreal: o termo foi utilizado por Roberto Piva para designar Paranóia. Mentes circunscritas acham surrealismo e geração beat incompatíveis. Discuti por isso com Vincent Bounoure, organizador de La civilization suréaliste, que não admitia os beats – isso foi em 1968: ao mesmo tempo, surrealistas inteligentes como Alain Jouffroy e Jean-Jacques Lebel divulgavam a beat na França.

As relações entre esses dois movimentos são complexas, pela pluralidade beat (como já comentei em Geração Beat). Ginsberg dá impressão de não ter ido com a cara de Breton – deixei escapar a oportunidade de perguntar-lhe. Philip Lamantia e Ted Joans foram beat-surreais; há surrealismo em Gregory Corso. Bob Kaufman pode ser considerado surrealista? Enfim, tema vai longe. Para mim, a beat realizou algumas premissas do surrealismo; beat e surrealismo, além de contarem com criadores extraordinários, foram os movimentos em que poesia e rebelião se uniram de modo mais efetivo, e com mais desdobramentos.

Quinta-feira passada, ao reler Henry Miller para minha comentá-lo em minha mini-oficina de criação poética e erotismo – escolhi trechos da trilogia Sexus, Nexus e Plexus – ficou-me evidente que ele foi o verdadeiro e primeiro beat-surreal. Um precursor, é claro: chegou antes.

As duas relações, com beats e surreais, são temas laterais. Importa que Miller foi um escritor magnífico. É um absurdo, conseqüência da conversão do mercado editorial em desfile mundano, coadjuvado pela omissão da crítica e pelo alheamento das universidades, estar fora de moda, não ser estudado, falar-se tão pouco dele, haver tão poucas edições brasileiras. O ritmo, a torrencial prosa poética, a conjunção de lirismo e cinismo, deboche e alta filosofia, o inconformismo e a crítica contundente à sociedade de massas, tudo isso me encanta cada vez mais, a cada releitura. Meu predileto é Primavera negra, extensa prosa poética de imagens surrealistas.

Dois tópicos sumários, incompletos: um para o Miller surreal, outro para o beat.

  1. O surreal.

Breton referiu-se a ele como “mon ami Henry Miller”. Onde? Desvantagens de ler muito: perdi de vista, não me lembro em qual de seus artigos isso consta. Breton, todos sabem, não distribuía amizades facilmente. Sarane Alexandrian, em História da literatura erótica, inclui o tópico “O caso Henry Miller” no capítulo “O erotismo surrealista”. Diz: “Henry Miller foi incontestavelmente um autor surrealista, porém independente; quando chegou a Paris em 1930 desistiu de entrar no grupo animado por André Breton em razão das preocupações marxistas, estranhas às suas idéias, que ali se exibiam”. Claro: como se vê pelo capítulo final de Plexus, Miller foi um spengleriano, e não um marxista. Quem participou, compareceu, foi Anaïs Nin, com quem teve caso (tema do filme Henry and June de Philip Kaufman com Fred Ward, Uma Thurman e Maria de Medeiros).

Alexandrian cita, da correspondência de Miller e Lawrence Durrell: “Nunca tento ser surrealista de início. Às vezes isso me acontece no começo, às vezes no fim. É sempre um esforço tendente a não deixar nada de lado, a dizer o que não pode ser dito ou não era dito nunca.” Declarou-se inspirado por Nadja, que seria um modelo de sua June. Em uma carta-manifesto de 1938: “É falso falar de Surrealismo. Isso não existe: há apenas surrealistas”. Miller jogou xadrez com Marcel Duchamp (deve ter perdido todas, Duchamp foi um mestre, criador de jogadas). Participou da Exposição Internacional do Surrealismo de 1947. Quis que Breton prefaciasse o catálogo de uma exposição de seus quadros – Breton refugou, pois achava-o melhor escritor que pintor (tinha razão).

Pesquisando, acho um artigo, The Unpublished Correspondence of Henry Miller & André Breton, the “Steady Rock”, 1947-50, de Karl Orend, em Nexus – The International Henry Miller Journal. Mas sem download. Pena, queria ler essa correspondência. Inclusive para esclarecer como podiam se apreciar desse modo personagens tão opostos na moral sexual. Breton era pelo amor único, absoluto. Em Arcano 17, formulou uma ética: “Optei, quanto ao amor, pela forma passional e exclusiva, com tendência a proibir ao lado dela tudo o que pode ser atribuído à acomodação, ao capricho e ao desvio”; fala em defendê-la “de seus choques com a dos céticos ou ainda dos libertinos mais ou menos declarados”. Em Miller, o frenesi do deboche, a poetização da licenciosidade, todas as gradações do cinismo (com especial predileção por avançar sobre mulheres de amigos). O relacionamento de ambos mostra algo que já observei como qualidade de Breton: ser contraditório, paradoxal. O valor, a qualidade, tinham precedência.

  1. O beat.

Nascido em 1891, Miller foi um óbvio antecessor, na escrita e na vida. Após reler bastante Kerouac, como encontro prosa milleriana em seus extensos parágrafos e, especialmente, na escrita polifônica – ou vice-versa, enxergo Kerouac ao reler Miller. Ele apreciava Kerouac, prefaciou Os subterrâneos, encantou-se com The Dharma Bums (Os vagabundos iluminados), escrevendo uma carta entusiástica. Estiveram juntos em cenas relatadas em Big Sur de Kerouac.

Tanto Kerouac (e Burroughs) quanto Miller foram spenglerianos. Em meu Geração Beat e místicas da transgressão (inédito, em acabamento), observo desleitura de Spengler por Kerouac; adaptou de modo pessoal categorias como “segunda religião” e “fellaheen”. Miller, não – como se vê pelo final de Plexus, entendeu muito bem A decadência do Ocidente, inclusive categorias difíceis como “pseudomorfose”. Em ambos, Spengler fundamentou o individualismo, o desprezo pela massificação.

Em comum a Kerouac e Miller, também, a paixão por Dostoievski – e outros traços e fontes. Miller aparece indiretamente em Viajante solitário de Kerouac. Transcrevo, também deste meu próximo Geração Beat e místicas da transgressão (o artigo unindo-os a que Jack se refere é de Kenneth Rexroth, publicado em The Nation):

“O personagem perfeito de Kerouac seria, portanto, alguém que fosse ao mesmo tempo negro, louco, emigrante apátrida, marginal e delinqüente: inteiramente à margem. É o conjunto de qualidades representadas por seu companheiro na balsa de Dover a Calais, como relatado em Viajante solitário. Ao descer do “barco do canal completamente apinhado, centenas de estudantes e dezenas de belas garotas inglesas e francesas com rabos-de-cavalo e cabelo curto”, vai parar, na alfândega,

“[…] ao lado de um negro das Índias Ocidentais que simplesmente nem tinha passaporte e carregava uma pilha de casacos e calças estranhos e velhos – ele respondeu estranhamente às perguntas dos funcionários, parecia extremamente vago e de fato me lembro de ele ter esbarrado distraidamente comigo no barco durante a viagem. – Dois policiais ingleses altos e vestidos de azul estavam observando ele (e a mim) desconfiadamente, com aqueles sorrisos sinistros de Scotland Yard e aquela estranha desatenção mal-humorada e de nariz empinado típica dos velhos filmes de Sherlock Holmes. – O negro olhou para eles aterrorizado. Um de seus casacos caiu no chão, mas ele nem se incomodou em apanhá-lo. – Um brilho insano surgiu nos olhos do funcionário da imigração (um jovem almofadinha intelectual) e depois outro brilho insano nos olhos de um dos detetives, e de repente me dei conta de que o negro e eu estávamos cercados.

Kerouac tem que explicar-se, justificar a tentativa de entrar na Inglaterra com quinze xelins no bolso e uma aparência que o identificava ao antilhano. Alega que iria receber um cheque de seu editor (o adiantamento pela edição britânica de On the Road): “Não acreditaram na minha história – eu não estava barbeado, tinha uma mochila nas costas, parecia um vagabundo andarilho.” Como se não bastasse,

“– Àquela altura, o negro tinha sido levado para uma sala dos fundos – de repente, ouvi um gemido terrível como o de um psicopata em um hospício, e perguntei: “O que é isso?”.

“É o seu amigo negro.”

“O que há com ele?”

“Ele não tem passaporte, nem dinheiro, e aparentemente escapou de uma instituição para doentes mentais na França. […]

O trecho merece transcrição por mostrar o humor de Kerouac, inclusive em seu epílogo. O editor inglês não é localizado, pois era sábado. Obrigam-no a provar que é escritor:

“[…] Revirei minha mochila e de repente encontrei um artigo em uma revista sobre Henry Miller e eu e o exibi para o cara da alfândega. Ele sorriu:

“Henry Miller? Isso é ainda mais notável. Ele foi detido por nós há alguns anos, escreveu um monte de coisas sobre New Haven.”